Bruno e Murray vencem favoritos e jogam pelo bi em Queen’s

O brasileiro Bruno Soares e o britânico Jamie Murray disputam neste domingo o bicampeonato do ATP 500 de Queen’s. Depois de derrotarem os favoritos ao título e a dupla número um da temporada, formada pelo austríaco Olivier Marach e pelo croata Mate Pavic, por 6/3 6/7(6) 10-7 eles enfrentam neste domingo a parceria de Henri Kontinen, da Finlândia e do australiano John Peers, cabeças-de-chave 2.

“Foi mais um grande jogo hoje, contra a melhor dupla da temporada. O jogo foi de altíssimo nível e no formato que a gente joga, na grama, é tudo decidido no detalhe. Estou muito feliz,” analisou o mineiro.

Além do campeonato no ano passado, Bruno tem outro título em Queen’s, em 2014, com Alexander Peya e um vice-campeonato, também com Peya, em 2013. O brasileiro credita o bom resultado na grama londrina, ao apreço que ele tem pelo torneio. “Estou em mais uma final em Queen’s. É um lugar que eu jogo muito bem. É um torneio que eu gosto bastante, com condições perfeitas e sempre quero ficar até a final. Gosto muito de Londres, gosto do clube, com uma quadra central maravilhoso. É um prazer poder jogar nessa quadra e espero que possa conseguir defender o título no domingo.”

Esta será a terceira final de Bruno e Murray, que são cabeças-de-chave 4 em Queen’s, em 2018. Eles foram vice-campeões em Doha e campeões do ATP 500 de Acapulco.

Na carreira, será a 53a. decisão do brasileiro, que tem 27 títulos e 26 vice-campeonatos.

Diana Gabanyi

A Eterna Maria, Maria Bueno, a Rainha, a Bailarina das Quadras…

 
A Maria, Maria Bueno, a Rainha, a Bailarina das Quadras…
 
Maria Esther para mim.
Maria Esher que hoje se foi.
Tive a honra de conviver com Maria Esther Bueno através desses meus anos no mundo do tênis, com a Tennis View, com o Guga e com o Rio Open.
Conheci a Maria Esther há mais de 20 anos, apresentada oficialmente pelo Nelson Aerts, meu então sócio na Tennis View.
Fizemos uma entrevista com ela para a terceira edição da revista, em 1997.
Por alguma razão que não sei explicar, ali naquele momento nos demos bem e desenvolvemos uma rara relação de confiança.
De lá para cá, até este último Rio Open, nos encontramos diversas vezes.
Cada encontro era a oportunidade de ouvir histórias de outros tempos, de suas conquistas, de suas viagens, de suas marcas no mundo do tênis e do esporte.
Alguns encontros mais marcantes, outros menos, mas sempre com uma sensação especial.
Afinal ter a chance de estar perto e conviver genuinamente com uma campeã de 19 Grand Slams (7 de simples e 11 de duplas onde completou Grand Slam), não acontece sempre.
Lembro de ver a inauguração de uma escultura em sua homenagem, na Praça em frente ao Clube Harmonia, em São Paulo, onde ela jogava diariamente. Fui lá registrar para a Tennis View, com câmera fotográfica na mão. Até hoje quando passo por lá, lembro desse dia.
Lembro quando fui pela primeira vez na quadra do Pacaembú e vi uma homenagem para a Maria.
Lembro de ter promovido, junto com o Carvalhinho (Paulo Carvalho), a primeira foto dela com Guga no Sauípe.
Lembro dela sempre vir nas salas de imprensa mundo afora me pedir um Media Guide.
Lembro de ter visto ela ser homenageada e reverenciada em Wimbledon, na inauguração da nova quadra 1, em 1997 e depois de vê-la aplaudida a cada entrada no Royal Box.
Lembro há bem pouco tempo de ter pedido para ela responder uma entrevista pra mim, por email e ela ter respondido à mão e me enviado por fax.
Lembro dela entrar na sala de imprensa do Rio Open, toda animada e falar “hoje tenho breaking news…” Ela passava horas contando histórias pra gente e de fato, de vez em quando tinha breaking news.
Lembro de vê-la ser homenageada novamente no US Open, pelo Hall of Fame.
Lembro de visitar o museu de Wimbledon todos os anos e ficar esperando a hora de ver Maria Esther no museu do templo sagrado do tênis.
Lembro de admirar a sua credencial nos Grand Slams com todos os títulos que ela tem.
Lembro de ouvir de muita gente que ela tinha rancor ou achava que não tinha reconhecimento. Acho que não tinha rancor, mas de fato, tinha clareza do que havia conquistado e pouca gente nesse país conquistou tanto quanto ela e numa era em que viajar e desbravar o mundo era bem mais complicado do que hoje, ainda mais sozinha.
Lembro de quando fiz o encontro e a foto dela com a Teliana…
Lembro de quando ela comentou a comentar os jogos no SporTV. Teve gente que criticou pela idade. Eu acho incrível o que ela trouxe de contribuição para as transmissões. Deu um impulso no reconhecimento dela no Brasil.
Lembro de como foi importante ter o estádio olímpico com o nome dela e como isso repercutiu mundialmente.
Agora lembro de muitos momentos… especialmente os dos últimos no Rio Open. Bate-bola com a Pennetta, bate-bola com os cadeirantes neste ano, de vê-la ser uma das primeiras a chegar no clube logo cedo para jogar, da homenagem no primeiro ano, dela ser aplaudida pelas tenistas top 100 na quadra Guga Kuerten, de vê-la reunida com Thomaz Koch, Guga, Meligeni, de fazer uma live no facebook com ela que talvez tenha sido a última entrevista que ela deu?… e até de se juntar a toda a equipe do torneio neste ano, na foto oficial – seria já uma despedida?
Mas o que eu mais lembro e me emociono é de ouvir, mundo afora, jornalistas e tenistas reverenciando a nossa Rainha; de ler sobre ela nos livros da história do nosso esporte internacionalmente. De conversar com jornalistas dos mais antigos, mas que ainda viajam o circuito e de ouvir histórias dele, especialmente dos italianos e ingleses.
Agora, na hora de se despedir da nossa bailarina das quadras, encontro matérias que escrevi, fotos, entre outros recordações encontro uma matéria com um intertítulo ETERNA. Já não é mais. Mas, que a nossa memória sobre Maria Esther Buena seja.
Diana Gabanyi
Foto home Joao Pires
Foto com Guga Cynthia Lum
outras fotos – arquivo pessoal

Guga é nomeado embaixador do torneio de Roland Garros

Gustavo Kuerten voltou a fazer história em Paris e a extender a sua história de amor com o torneio. A Federação Francesa de tênis anunciou nesta quinta-feira, 7 de junho de 2018, o tricampeão do torneio como oembaixador de Roland Garros. Com isso, Guga terá a missão de promover o Slam parisiense pelo mundo.

“O Guga além do sorriso é um ser humano,” disse Bernard Giudicelli, presidente da Federação Francesa de Tênis, quando perguntado se além de Guga haveria outros embaixadores mundiais do torneio. O Presidente fez questão de lembrar as conquistas do brasileiro em Paris, em 1997, 2000 e 2001 e da sua conexão com o público e história de humildade.

Guga e Roland Garros formam uma verdadeira história de amor, iniciada no ano de seu primeiro título, quando encantou o público francês ao surpreender com a conquista, muito longo de ser um favorito e surpreendendo grandes jogadores.

Em 2001, emocionou a torcida ao desenhar um coração no saibro da quadra Philippe-Chatrier  deitando-se dentro dele em seguida, depois da vitória sobre o norte-americano Michael Russell, jogo em que salvou match-point.

“Estamos extremamente orgulhosos de que Gustavo Kuerten tenha concordado em se tornar um embaixador de Roland-Garros. Ele é um dos campeões que melhor representa o nosso torneio. Ele roubou os corações do público parisiense com seu espírito de luta, sua bondade e seu famoso sorriso. É realmente uma oportunidade maravilhosa tê-lo como embaixador. Ele já aumentou a visibilidade do torneio e do tênis em geral no Brasil. Somos extremamente gratos a ele.” continuou Giudicelli.

Guga também fez questão de agradecer tamanha honraria: “Essa história nunca acaba.É uma grande honra e uma enorme oportunidade para continuar esta relação mágica com Roland Garros, que definitivamente transformou minha vida e me ajudou a encontrar e desfrutar de sentimentos valiosos, memórias e sensações como um tenista e um ser humano. Por isso eu venho aqui a cada ano, trago a família toda e me reconecto com este lugar!” afirmou o brasileiro.

Diana Gabanyi

CBT e FFT lançam circuito brasileiro de tênis amador, em Paris

A Federação Francesa de Tênis, em parceria com a Confederação Brasileira de Tênis, lançou neste sábado (2), em uma coletiva de imprensa em Paris, o Roland-Garros Amateur Series by Peugeot, um circuito de tênis amador que será realizado pela primeira vez no Brasil. Estiveram presentes no lançamento o presidente da FFT, Bernard Giudicelli, e o Diretor de relações internacionais da FFT, Pascal Maria, o Coordenador de Projeto internacionais da FFT, Lucas Douborg, o presidente da CBT, Rafael Westrupp, o conselheiro da CBT, Rafael Kuerten, o gerente de Esportes e Eventos da CBT, Eduardo Frick, o diretor de Marketing e Comunicação da Peugeot na França, Thierry Lonziano, e o representante do Minas Tênis Clube, Ernani Melo, irmão do tenista Marcelo Melo.

O presidente da CBT, Rafael Westrupp, celebrou a ampliação da parceria com a Federação Francesa. “É muito mais do que uma parceria comercial entre CBT e FFT. Nossa parceria, que teve início com o Rendez-vous à Roland Garros, está crescendo. Esse ano, obtivemos duas vagas no torneio – meninos e meninas. Agora, estamos dando um novo passo para aproximar os jogadores amadores no Brasil. Isso tudo com a profunda confiança da Peugeot, da Federação Francesa de Tênis e dos clubes, que estão fazendo esse sonho virar realidade no Brasil”, disse Westrupp.

O mesmo tom de parceria e amizade entre as entidades foi adotado pelo presidente da FFT, Bernard Giudicelli, que ainda lembrou dos triunfos de Gustavo Kuerten em Roland Garros. “Quero agradecer ao meu amigo Rafael porque essa parceria é baseada em uma verdadeira amizade entre nós e entre a CBT e a FFT, não são apenas negócios. A Federação Francesa de Tênis tem uma boa lembrança das três vitórias do Guga aqui. Guga ainda está em nosso coração, e o Brasil não é para nós apenas um parceiro, é uma verdadeira amizade entre os nossos países. Obrigado, Peugeot, obrigado, Rafael”, ressaltou o presidente da FFT.

A parceria da Peugeot com Roland Garros já tem 34 anos e a montadora também é patrocinadora da CBT. “É uma longa história, somos parceiros de Roland Garros por 34 anos. Somos parceiros em diversos torneios ao redor do mundo, o tênis é muito importante para nós. Estamos muito felizes com essa parceria. O Brasil é um país muito importante para nós, estamos presentes na América do Sul, temos fábricas no Rio, em Porto Real, em São Paulo. O tênis, essa parceria e esse projeto Amateur Series terão todo o nosso apoio para organização e para a comunicação. Estamos orgulhosos de receber esse projeto aqui e também de fazer parte dele”, destacou o diretor de Marketing e Comunicação da Peugeot na França, Thierry Lonziano.

Como será o Roland-Garros Amateur Series by Peugeot?

O Amateur Series terá quatro etapas no Brasil, três em 2018 e a quarta em março de 2019, todas disputadas no saibro. A última etapa reunirá os oito melhores de cada categoria. Ao todo, serão 22 categorias. Da 1ª a 6ª classe no masculino e da 1ª a 5ª no feminino. O campeão geral de cada categoria, após as quatro etapas, participará de um sorteio, onde o vencedor ganhará uma viagem a Roland Garros com as despesas totalmente pagas durante uma semana.

A etapa inaugural será realizada no Iate Clube de Brasília, no Distrito Federal, entre 23 e 26 de agosto. O segundo torneio será disputado entre 4 e 7 de outubro em Belo Horizonte, no Minas Tênis Clube, que se tornou o primeiro clube do Brasil a receber o selo Roland Garros, neste sábado, em Paris. A terceira etapa ocorrerá em Porto Alegre, de 22 a 25 de novembro. As finais serão disputadas no Rio de Janeiro em março de 2019.

Esta será a primeira vez que a CBT terá um circuito de tênis amador que reunirá adolescentes e adultos no mesmo torneio. O Amateur Series é destinado a jogadores amadores, homens e mulheres, entre 13 e 80 anos, e contará com um sistema de pontos para o ranking nacional de classes. O objetivo é reunir jogadores de diferentes clubes, idades e níveis de jogo na mesma competição. Hoje, o Brasil tem aproximadamente 100 mil tenistas amadores adultos que jogam torneios de clubes organizados pelas Federações de cada estado.

Segundo uma pesquisa da Sports Marketing Surveys INC., 2,3 milhões de pessoas jogam tênis no Brasil, o equivalente a 1,3% da população nacional. A maioria destes praticantes está concentrada no amador. Ainda de acordo com o estudo, 28% do total de jogadores são homens com 35 anos ou mais, 47% preferem jogar em clubes, 20% em academias e 13% em condomínios, casas e quadras privadas.

“Não é uma parceria baseada apenas no alto rendimento, esse projeto é baseado no tênis do cotidiano, no tênis amador, que constitui a principal riqueza de uma federação. Todos os jogadores de alto nível vêm de um clube, eles aprenderam em um clube. Se eles aprenderam em um clube é porque tiveram estrutura para acolhê-los, dos treinadores e dos dirigentes”, afirmou Giudicelli.

“Obrigado, Peugeot, pela confiança. Quero agradecer ao Rafael Kuerten, que é membro do nosso conselho e irmão do Guga, que conhece profundamente essa quadra atrás de nós, ao Ernane Melo, que tem a confiança da Federação Francesa recebendo o selo Roland Garros para o Minas Tênis Clube”, destacou Westrupp.

“É uma parceria fantástica para a Confederação Brasileira de Tênis, pensando a médio prazo. O que podemos trocar com a Federação Francesa de Tênis é fantástico, eles têm um trabalho bastante estruturado aqui, tanto na gestão, quanto na parte técnica. Só temos a ganhar. Além disso, vem também um encantamento. A Federação Francesa está ligada a Roland Garros, que, por sua vez, para nós, brasileiros, tem a história do Guga. Tem esse encanto que podemos também levar para os jogadores e para os jovens. Estou muito convicto de que só vamos colher bons frutos”, ressaltou Rafael Kuerten.

“É um prazer estar aqui anunciando essa parceria para nós, estamos muito orgulhosos de fazer parte desse mundo, nos considere igualmente como amigos. Sou o irmão mais velho do Marcelo Melo, que venceu aqui em 2015. Roland Garros está no sangue da nossa família também. Muito obrigada, nossa parceria será muito importante para desenvolver o tênis brasileiro. No Minas Tênis Clube, que é o maior clube do Brasil, podemos desenvolver ótimos projetos. Obrigado novamente. O anúncio dessa parceria é muito positivo e estamos muito orgulhosos”, comemorou Ernani Melo.

Foto: Jean-Charles Caslot/FFT

Kids’ Day em Roland Garros teve mais de 25 mil pessoas com muita festa e presença de Nadal

Aconteceu neste sábado o anual Kids Day de Roland Garros, com um público de mais de 25 mil pessoas no evento de caridade.

Começou com a vitória dos brasileiros Ana Paula Melilo e Mateo Reyes no torneio entre Brasil, China e Índia, valendo convites pra chave juvenil de Roland Garros.

Depois, os torcedores ainda tiveram a chance de ir à quadra 8 e entrar no saibro parisiense, em ação da Engie e Babolat. Neste ano, os fãs puderam presenciar atividades diversas, com DJ’s ao vivo, apresentações e entrevistas em um palco especialmente criado pra isso. Das 13 às 14:40hs, a organização sem fins lucrativos Fête le Mur deu às crianças a oportunidade de descobrir o tênis em duas quadras em miniatura.

Na quadra Philippe-Chatrier Court, as festividades da tarde começaram às 14h, com apresentações de Rafael Nadal, Simona Halep, Novak Djokovic, Alexander Zverev, Pierre-Hugues Herbert, Myrtille Georges, Denis Shapovalov, Bethanie Mattek-Sands, Stefanos Tsitsipas, Elina Svitolina, Marin Cilic, Diego Schwartzman, Victoria Azarenka e Stéphane Houdet, acompanhados por Lisa Zimouche (campeã mundial feminina de futebol panna freestyle), Mathieu Madénian (ator) e a banda Fills Monkey.

Foto: Nicolas Gouhier/FFT

10 anos atrás: O “Monumento” Guga se Despede do Tênis

Momento de relembrar a despedida do Guga em Paris. Texto publicado na nossa revista, direto de Paris, em 2008.

 

“Eu adorei o adeus de Guga em Roland Garros. Poderíamos esperar o pior, devido à sua condição física, mas ele não é estúpido e sabia muito bem o que estava fazendo ao solicitar um convite para jogar. Eu, particularmente, acho idiotas aqueles que puderam pensar, por um segundo, que ele não era digno de um convite. Kuerten é um monumento. Jamais, e eu repito, jamais, fora o Yannick (Noah), porque ele é francês, nenhum jogador foi tão adulado quanto o Guga em Roland Garros.

Guga tinha o direito de dizer adeus a Paris e assistindo a ele evoluir na quadra central, naquele domingo, eu percebi, a que ponto, na época do seu esplendor, ele podia parecer enorme perante seus adversários. Ele esteve enorme por vezes durante o jogo. Por instantes, mas ele esteve. Eu percebi também, quando ele dava uma de suas esquerdas, que tanto inspirou outros jogadores, a que ponto ele teve impacto no jogo moderno de hoje.

E isso tudo me fez lembrar de toda a magia da sua chegada ao circuito. Foi uma verdadeira história de Cinderela, que ninguém poderia imaginar que aconteceria, que naquela primavera de 1997, aquele então brasileiro de 20 anos, vindo do nada, se tornaria um tricampeão de Roland Garros e um número um do mundo.

De fato, num mundo do tênis que evolui sem parar, Guga faz parte daqueles jogadores, que quando jogam, como ele fez contra o Mathieu, depois de um pequeno eclipse, nos fazem lembrar a que ponto o jogo dele faz falta ao circuito, quando ele não está lá. É apenas através destes momentos que vivemos, com um misto de emoção e um pouco de tristeza, que a gente percebe toda a dimensão do que a gente acaba de perder.”

O autor destas palavras é outro tricampeão de Roland Garros, Mats Wilander. O sueco escreveu este texto, no Jornal L’Equipe, logo depois de Guga se despedir da sua quadra central, de como ele mesmo disse, “do seu amor, sua vida, sua paixão,” no domingo, 25 de maio de 2008.

Guga saiu de quadra emocionado e emocionando a todos, inclusive o seu adversário no dia, o francês Paul Henri Mathieu, discípulo de Wilander, que o derrotou por 6/4 6/3 6/2.

Como lembrança do torneio, que transformou a sua vida há 11 anos, Guga ganhou um troféu da Federação Francesa de Tênis, com um pedaço da quadra, que ergueu como se tivesse vencido um campeonato. E de fato, ele venceu.

É só parando para analisar, quando tudo termina, que às vezes os fatos vem à tona ou ganham mais importância.

Como seria o tênis brasileiro se Guga não tivesse ganhado aquele Roland Garros de 1997? Como seria o tênis moderno de hoje se ele não tivesse mostrado para todos que dá para jogar no saibro atacando?

O próprio Guga não gosta de ficar pensando no se, para não sentir muito mentalmente como seria a sua carreira, até onde ele teria chegado se não tivesse sofrido com as lesões no quadril.

O momento também não foi de se e sim de festa, alegria e de recordar tudo o que o catarinense fez pelo tênis mundial.

Não houve quem não se emocionasse nas tribunas da quadra Philippe Chatrier, no vestiário, em que foi ovacionado pelos jogadores ao entrar depois de deixar a quadra no seu último jogo como profissional, ou nas televisões de todo o mundo, quando a curtinha que tentou dar em Mathieu ficou na rede e Guga pegou o microfone para agradecer tudo o que viveu em Paris. “Mais importante do que os títulos que eu ganhei, foram vocês.”

SAMBA EM PARIS – E o público, talvez contagiado pela alegria de ser do brasileiro, pelo jeito sincero e guerreiro, pelo amor dele ao tênis, realmente se idenfiticou com Guga em Paris.

Entre os corredores das alamedas de Roland Garros, organizadores, fotógrafos, jornalistas e até mesmo fãs de longa data de Guga, se lembravam dos anos fantásticos em que as batucadas tomavam conta do complexo francês, depois das vitórias de Guga. “Quem poderia imaginar, samba em Paris,” falou um fotógrafo.

É mesmo, quem poderia imaginar alguém desenhando um coração na quadra central de Roland Garros e deitando em cima dele, para expressar todo o amor pelo torneio.

E quem poderia imaginar que a despedida de Guga fosse ser tão especial, que Mathieu chegou a declarar que o clima na quadra parecia de uma final?

COMO 1997 – Só mesmo Gustavo Kuerten, com alguns ingredientes especiais, como a roupa azul e amarela da Diadora, a mesma que apareceu para o mundo em 1997, os seus golpes únicos e o jeito de ser brasileiro, puderam conquistar Paris.

Em um ano, em que faltou emoção no maior torneio de saibro do mundo, a despedida de Guga, ganhou ainda maior importância e para os brasileiros, foi como assistir a uma conquista do seu ídolo maior.

Para completar, Guga ainda jogou uma animada partida de duplas, ao lado de Sebastian Grosjean. Perderam para Florin Mergea e Horia Tecau, da Romênia, por 5/7 6/3 6/1, mas o clima na quadra 2, foi o que mais importou. Brasileiros e os próprios jogadores se divertindo em uma rara tarde de sol na capital francesa.

Guga ganhou novamente o “Prêmio Laranja,” de desportividade e simpatia com a imprensa e fãs. Foi um prêmio especial, o prêmio pela década dedicada ao tênis, já que ele já tinha levado o troféu outras três vezes.

Para comemorar o fim de uma trajetória especial, chamou os amigos mais íntimos e companheiros de circuito para comparecerem ao VIP, uma boate na Champs Elysée e para Alex Corretja, Cedric Pioline, Grosjean, Mary Pierce, Tommy Robredo, Karim Alami, Hernan Gumy, Nicolas Lapentti, Andy Ram, Jonathan Erlich, entre muitos outros, incluindo os tenistas brasileiros, ele tocou baixo, violão, cantou ao lado dos músicos Kátia e Marcello, radicados na França e se foi.

Foi descansar a cabeça, o corpo e refletir em como pode ajudar o tênis brasileiro.

Mas, como o amor por Roland Garros sempre fala mais forte, ele voltou para assistir a final e participar da cerimônia de 80 anos do Stade Roland Garros, que levou à quadra central vários ex-campeões, incluindo Yannick Noah, que comemorava 25 anos da sua conquista, Wilander, Bjorn Borg, que há anos não pisava na “terra batida” da quadra central, Arantxa Sanchez-Vicário, Andres Gomez, Guillermo Vilas e muitos outros heróis do esporte.

IVANOVIC – Sem a sua heroína dos anos 2000, Justine Henin, que duas semanas antes de Roland Garros começar anunciara sua aposentadoria, dizendo ter perdido a vontade de lutar para ser a melhor o tempo todo, foi a sérvia Ana Ivanovic, quem levou o troféu de campeã.

Vice-campeã no ano passado, Ivanovic derrotou na final a grande surpresa do torneio, a russa Dinara Safina, irmã mais nova de Marat Safin, que disputava a sua primeira decisão de Grand Slam, depois de ter salvado match points, na oitavas-de-final, contra Maria Sharapova e nas quartas-de-final contra Elena Dementieva e derrotado Svetlana Kuznetsova, na semi, não chegou com toda sua força para superar a nova número um do mundo.

Ivanovic conquistou o torneio, derrotando Safina por 6/4 6/3.

Ao ouvir o Hino Nacional da Sérvia, uma novidade em Roland Garros, no pódio para receber o troféu das mãos de Henin, Ivanovic deixou lágrimas caírem e falou: “Nunca vou esquecer este dia.”

Afinal, conquistar o título de Roland Garros, não foi assim tão fácil para ela, como foi para Rafael Nadal. Antes de Safina, ela teve que derrotar a compatriota Jelena Jankovic, por 6/4 3/6 6/4; Patty Schnyder, da Suíça, por 6/3 6/2; Petra Cetkovska, por dupo 6/0; Caroline Wozniacki por 6/4 6/1 e Lucie Safarova, por 6/1 6/2.

Ivanovic se tornou a primeira mulher sérvia a conquistar um título de Grand Slam.

TETRACAMPEÃO – Se entre as mulheres sobraram desafios e longas batalhas, entre os homens, Rafael Nadal não deixou ninguém se quer sonhar com o “Trophée des Mosquetaires.”

Ele não perdeu um set durante todo campeonato – continua invicto em Paris – e todos que antes do jogo começar acreditavam poder endurecer a partida contra ele, tiveram suas posições contrariadas, inclusive Roger Federer. O suíço, número um do mundo, na sua terceira tentativa seguida de reinar na terra batida de Roland Garros, de destronar o touro espanhol e conquistar o Grand Slam, tomou um verdadeiro olé, perdendo por 6/1 6/3 6/0, em menos de duas horas de jogo.

Antes disso, Nadal já tinha passado, sem dó, por Novak Djokovic, ganhando por 6/4 6/2 7/6(3), no jogo que ele classificou como um dos melhores de sua carreira; Nicolas Almagro, por 6/1 6/1 6/1; Fernando Verdasco, por 6/1 6/0 6/2; Nicolas Devilder, por 6/4 6/0 6/1 e pelo brasileiro Thomaz Bellucci, que impressionou o público e a imprensa mundial, ao enderucer o jogo contra o espanhol, mas perdeu por 7/5 6/3 6/1.

De tão fácil que foi a conquista do tetracampeonato consecutivo, Nadal mais se desculpou com Federer, pelo tênis que jogou, do que vibrou e comemorou ao receber o troféu das mãos do seis vezes campeão em Paris, Bjorn Borg.

MONFILS – A organização deve até ter chegado a pensar em ter Yannick Noah na quadra central para fazer a entrega do troféu ao campeão, mas os franceses terão que continuar tentando no ano seguinte, repetir o feito do tenista. Ele continua sendo o único francês campeão em Paris, nos últimos 25 anos. Desta vez, quem chegou mais perto foi Gael Monfils, que empolgou o público e chamou a atenção de quem inclusive não é fã de tênis, mas não conseguiu passar por Roger Federer na semifinal, depois de ter ganhado de Arnaud Clement, Luís Horna, Jurgen Melzer, Ivan Ljubicic e David Ferrer, num ano em que cinco franceses alcançaram as oitavas-de-final em Paris, mas só Monfils avançou.

GONZALEZ – Entre os sul-americanos, o destaque ficou para o chileno Fernando Gonzalez, que alcançou as quartas-de-final, perdendo para Federer.

SOARES – E os brasileiros, se contagiaram com a despedida de Guga e pela primeira vez, desde 2004, fizeram boa campanha em Roland Garros. Thomaz Bellucci passou o qualifying e encarou Nadal logo na estréia, mas se tornou o jogador que mais games ganhou do espanhol; Direto na chave principal, Marcos Daniel venceu Juan Carlos Ferrero na primeira rodada e esteve perto de chegar à terceira, perdendo em cinco sets para o austríaco Melzer.

Nas duplas, Bruno Soares surpreendeu chegando à semifinal (confira matéria na página XX), ao lado de Dusan Vemic, da Sérvia e André Sá, ao lado da eslovaca Janette Husarova, chegou às quartas-de-final de duplas mista.

O FUTURO – Por todas essas razões, em um ano em que o sol brilhou apenas no dia em que Gustavo Kuerten jogou em Roland Garros, no dia da sua despedida oficial e no jogo de duplas, num ano em que o samba se despediu do torneio e faltou emoção, o especial mesmo foi perceber a dimensão do que Guga proporcionou ao Brasil e ao mundo e notar, que o tênis brasileiro não terminou.

As palavras são do mestre maior de Guga, o técnico Larri Passos, que como presente para seu pupilo encheu uma garrafa com o “saibro sagrado,” de Roland Garros.

Atualmente são dois tenistas entre os top 100, o que não acontecia há algum tempo, três top 50 nas duplas e uma série de novos jogadores trabalhando no juvenil, para quem um dia novamente, o samba possa voltar a tocar nas alamedas de Roland Garros.

 

Diana Gabanyi, de Paris

 

Fotos: Cynthia Lum

Jovens brasileiros decidem torneio Future em Curitiba

Os jovens Thiago Wild e João Menezes decidirão neste domingo o título do torneio Future de Curitiba,  evento no saibro com premiação de US$ 25 mil.

Número 526 do mundo, WIld derrotou p  tenista americano Ulisses Blanch, número 514 do ranking e sexto favorito, por 6/3 6/4. O tenista de apenas 18 anos joga sua quarta final na carreira, segunda na temporada onde foi campeão há pouco mais de duas semanas em São José do Rio Preto (SP). Campeão também em Antalya, na Turquia, ano passado, ele disputa sua quarta decisão na carreira e tenta a maior conquista que lhe daria 27 pontos no ranking mundial.

Wild encara na final o pernambucano João Lucas Reis, 1007º e da mesma idade.

Convidado pela organização João Reis da Silva não se intimidou com a torcida a favor do tenista radicado em Curitiba, José Pereira. Após duas horas e três minutos, Silva conquistou a vaga para a sua primeira final em um torneio profissional de nível Future, da Federação Internacional de Tênis (ITF), com o placar de 6/2, 3/6 e 6/3.

Nadal encara Zverev por oitavo título em Roma

Rafael Nadal pode erguer neste domingo o seu oitava título no Masters 1000 de Roma. Números como esse se tornaram comum na carreira do espanhol, no entanto, ainda são um recorde fora do comum no esporte, em que tenistas estão acostumados a ganhar um torneio, uma, duas, três vezes… Muitos ganham uma vez, outros nem chegam a ganhar.

Mas, no saibro, parece não haver limites para Rafael Nadal, que em breve tentará ganhar o seu 11o. Roland Garros.

Para avançar à final no Foro Itálico romano, Nadal derrotou um ressurgente Novak Djokovic, por 7/6(4) 6/3 e vai encarar a sensação do momento, o número um da temporada, o jovem alemão Alexander Zverev.
Campeão em Madri na semana passada e antes em Munique, Zverev precisou derrotar Marin Cilic, por 7/6(13) 7/5, tendo que salvar set points e saindo de break atrás no segundo set.

Nadal, se vencer, voltará ao posto de número um do mundo. Mas, sabe que não será fácil vencer o jovem Zverev. “Ele vem de muitas vitórias seguidas. Preciso estar no meu melhor.”

Diana Gabanyi

Halep vence Sharapova e decide título de Roma com Svitolina

A tenista número um do mundo, a romena Simona Halep está na decisão do WTA Premier de Roma, depois de vencer a russa Maria Sharapova, em uma verdadeira batalha na quadra central do Foro Itálico. Ela ganhou por 4/6 6/1 6/3 e enfrentará, na mesma decisão do ano passado a ucraniana Elina Svitolina, que passou pela estoniana Anett Kontaveit, por 6/4 6/3.

No ano passado, o título ficou com Svitolina, mas desta vez Halep, que vibrou muito na vitória diante de Sharapova, espera não estar lesionada para enfrentar a ucraniana.

“Foi um jogo dificílimo. Eu vibrei porque foi como eu me senti depois de ganhar uma partida dessas. Para a final, espero não me lesionar. No ano passado eu comecei muito bem e sei bem como tenho que jogar,” disse Halep, que manterá a posição de número um do mundo na próxima semana.

Diana Gabanyi

Bruno e Murray perdem na semi em Roma

Bruno Soares e Jamie Murray foram superados neste sábado, a um jogo da final do Masters 1000 de Roma, na Itália. Eles perderam para os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah, por 7/6(4) 3/6 10-8, em 01h49min de jogo. Agora a dupla do brasileiro e do britânico parte para Roland Garros.

“Esse jogo resume bem a nossa temporada de saibro até agora. Estamos jogando bem, mas está extremamente frustrante,” analisou Bruno. “Hoje fizemos mais um jogo que dominamos, com todas as estatísticas para o nosso lado. Ganhamos 12 pontos a mais do que eles. Sacamos para o primeiro set, vencemos fácil o segundo e acabamos perdendo o jogo.”

No entanto, Bruno prefere não reclamar e seguir firme no propósito. “É bola pra frente e se preparar para Roland Garros. Pelo menos, o nosso nível está lá. Precisamos encaixar os detalhes para continuar ganhando jogos.”

 

Diana Gabanyi