Daniel Azulay era muito mais que um pintor e fã de tênis. Era gênio da arte e inspiração pra vida

Daniel Azulay nos deixou nesta sexta-feira, dia 27/03, aos 72 anos. Difícil encontrar alguém que hoje tenha pelo menos 30 anos de idade e não tenha tido a infância ou adolescência marcada por esse gênio das artes.

Criador de personagens simbólicos, Daniel também tinha uma ligação com o tênis já que, além de praticante, era presença constante nos torneios e ainda foi o responsável por desenhar pôster do Rio Open.

Diana Gabanyi, editora-chefe da Tennis View, teve a chance de participar de uma de suas obras recentes mais marcantes, quando fez a entrevista para o livro A Porta, lançado em 2011.

Confira a reedição dessa entrevista e algumas fotos, como nossa singela homenagem ao gigante Daniel Azulay:

Diana Gabanyi – Daniel, A Porta é um marco tão grande na sua carreira e na sua vida que virou nome de exposição e é o nome deste livro. Como você chegou a esta produção, de pintar uma porta em tamanho natural?

Daniel Azulay – Eu pintei A Porta como uma válvula de escape. Eu estava encostado num canto de parede, sem perspectiva pessoal, com problemas familiares, num momento de insatisfação com a parte comercial dos meus cursos de desenho. Minha mãe estava doente –  faleceu em 2006 –  e justo nesta época, não sei onde, li um ditado que diz: “se as oportunidades não baterem à sua porta, construa uma porta para você.” Foi aí que decidi pintar a porta. Só que eu não podia pintar uma portinha. Tinha que ser uma porta que eu pudesse passar por ela, uma porta do tamanho da porta que a gente tem que passar todos os dias.

 

DG – Imagino que você não tinha ideia de quantas portas A Porta te abriria.

DA – Eu não tinha me dado conta de como a porta é presente na vida de todo mundo. Quando você nasce, passa por uma porta. Quando você passa pela vida, passa por outra porta. Eu não tinha dimensão física e nem espiritual disso e fui pintando. É quase mágico. A porta abriu. Dela, surgiram várias exposições ao redor do mundo e aí eu vi que a porta é um redemoinho. Você pisa num vácuo e vai na direção do vento.

 

DG – Quando você começou a pintar essa obra, acabou pintando uma série de outros quadros neste período, que não diretamente são um reflexo da Porta.

DA – Fui produzindo tão aleatoriamente que as pessoas, especialmente o meu irmão JomTob Azulay, disse, quando montei a exposição A Porta, que parecia uma coletiva de artistas, de tantos estilos diferentes reunidos.

 

DG – Mas, de fato, A Porta é uma obra única, que foi vendida para um colecionador de São Paulo. Você não chegou a pensar sobre a criação de uma série de Portas?

DA –Até me sugeriram fazer uma série de portas.

A galeria Walter Wickiser, com mais de 40 anos de existência em Manhattan, queria uma exposição só de portas, em que as variações aconteceriam nas frestas. Foi uma grande ideia, mas uma fresta é muito pouco para mim. Sou muito mais do que uma fresta.

 

DG – Tão mais do que uma fresta, que você pintou uma porta em tamanho natural e praticamente em 3D. Como foi esse processo criativo?

DA – Eu queria que as pessoas pudessem admitir a possibilidade de passar pela porta. Para você fazer uma pessoa sentir isso, eu tinha que sentir. Se fizesse um retângulo em pé as pessoas não teriam a sensação de passagem, de ter a curiosidade de ver mais do que aquela fresta tinha para ver.

Para criá-la, eu sabia o que não queria. Não é um raciocínio lógico.  Não é uma esquadria. É uma visão poética. A poesia que existe em torno que me inspira. As pessoas me veem como uma pessoa de imagem, que eu sou, um artista, mas sou inteiramente movido à poesia, à ideia.

DG – A Porta é uma produção mais recente. Mas, a sua carreira de artista começou quando você era muito jovem, recém-formado em Direito.

DA – Meu pai é advogado de renome. Fortunato Azulay, autor de livros e conferencista, e queria que todos os filhos primeiro se formassem em direito.

Eu não fui uma criança que gostasse muito de ler, porque meu pai me obrigava a ler e era contra história em quadrinhos, me proibia de ler Fantasma, Mandrake. Ele achava que se fosse viciado em história em quadrinhos, não leria nenhum livro.

Eu ainda fui criado sem televisão, caminhando do gibi para os livros naturalmente e comecei a ler os que tinham imagem. Eu nasci com uma coisa magnética com figuras. Me lembro de ir para o colégio decorando os nomes dos edifícios e analisando o grafismo de como cada edifício enfeitava a sua fachada. Sou tão apaixonado por imagem, quanto por caligrafia, por fontes, por palavras, e cresci equilibrando isso. A imagem precisa de texto, o texto precisa de imagem.

 

DG – Foi isso que te levou a ser um desenhista de humor, como você gosta de falar?

DA – Eu sonhava em ser cartunista. Mas prefiro chamar de desenho de humor.

 

DG – E estes desenhos de humor te levaram a fazer uma exposição, “Jerusalém,” que mereceu destaque em uma coluna do Carlos Drummond de Andrade, no Jornal do Brasil, reverenciando a sua maneira singular da captar a essência do humano e remetendo às figuras das culturas judaicas e árabes que você pintou naquela época.

DA – Nem me passou pela cabeça que as figuras eram conflitantes, por pertencerem a credos diferentes, envolvendo questões sociais, de assentamento de terra, de dogmas religiosos.

Era 1969 e eu estava em Jerusalém para jogar tênis nas Macabíadas, os Jogos Mundiais Judaicos . Era a minha primeira vez em Jerusalém e me lembro mesmo da mancha andando na luz, que é muito mais forte lá. É como acender um refletorem umestúdio.

A sensação que eu tinha era que o meu olho brilhava tanto que aquela figura de negro, de batina, com túnicas e roupas pretas, me atraía. Peguei um vidrinho de nanquim, uma peninha de escrever, que não era nem de desenhar e fiz uma coisa que eu nunca tinha feito. Manchei várias folhas e depois comecei a construir os desenhos em torno das manchas.

 

DG – E não foi só do Drummond que você chamou a atenção. Do Uri Geller, também com “Jerusalém”.

DA – O Uri Geller, nos anos 70, ficou fascinado com as obras, por ser israelense e por ser um mágico ilusionista.

 

DG – E Jerusalém virou uma exposição. Podemos considerar então que foi a sua primeira Grande Porta. Quem te influenciou a desenhar daquele jeito?

DA – Foi uma influência direta do grande Saul Steinberg. Ele foi um inspirador daqueles rabinos e quem me apresentou o Steinberg foi o Ziraldo.

Ele tem um refinamento que faz a imagem se transformar em muito mais do que um desenho. É uma mensagem filosófica.

Nesta mesma linha do Steinberg, o Ziraldo me apresentou os desenhos refinados do Andre François e do Ralph Steadman.

Acho que em Jerusalém consegui fazer isso. Você olha os rabinos e vê a sutilieza, a transparência, a delicadeza, a atitude casual, sem precisar de explicação.

 

DG – Curiosamente, a técnica que você usou, o Dripping, você voltou a usar recentemente.

DA – Exatamente. Desde 2006 venho gotejando de novo. Não sabia na época, que existia o Dripping Art, o Jackson Pollock.Fiz por instinto. Achava o grafismo da mancha muito interessante.

De fato comecei em 1969 pintando com gotas de nanquim e os quadros todos tem esse gotejamento, que produz um efeito extraordinário.

 

DG – Da mesma maneira que Jerusalém abriu a sua primeira grande porta, ela fez você, depois da exposição, voltar as suas atenções para o mundo infantil.

DA – Depois de Jerusalém resolvi não fazer mais nada para adultos, me despedi e comecei a escrever e ilustrar livros para crianças, fui para a televisão, cheguei às oficinas de desenho onde fiquei mais de 20 anos.

 

DG – Você passou anos sem expor depois de Jerusalém, mas continuou ligado à arte.

DA – Fiz muita televisão e muitos retratos encomendados de pessoas.

Depois comecei a fazer paisagens do Rio de Janeiro, mas já era na época da Porta.

 

DG – Da série A porta, a bicicleta tem um papel muito importante na sua obra. Coincidiu com o seu momento. Na porta você estava sem perspectiva. A bicicleta é da mesma fase, em que você buscava o equilíbrio?

DA – É, veio tudo junto.Mas, antes disso tive um caminho muito complicado. Foi muito difícil fazer arte. Nunca estudei, sou auto-didata e formado em direito. A arte é uma percepção que nasce com você.

Para mim, desenho sempre foi como respirar.Surgiu naturalmente. O Dali – Salvador –fala algo muito interessante: “Desenhar é a integridade da arte, não há oportunidade de trapacear. Ou é bom, ou é ruim.”

 

DG – E isso é você?

DA – Acho que sim. Uma das coisas mais importantes da vida é você ser verdadeiro com você, e com os outros. Quem não me conhece pessoalmente, quando vê uma obra minha,pode ver uma parte de mim, um comprometimento, uma sinceridade.

Aquilo que está pronto é como você queria que fosse, não é aleatório e você constata isso no conjunto da obra.

 

DG – Mas, voltando à bicicleta, porque a bicicleta? De tantos objetos ou outras coisas ligadas a movimento, uma  moto?

DA – Porque a bicicleta é uma imagem perfeita da flexibilidade que a gente tem que ter na vida, do jogo de cintura, de ter maleabilidade para acompanhar as mudanças.

Eu não fiz outra coisa na vida a não ser acompanhar.
Tem um ditado que diz: “Pedra que rola, não cria limo.”

Se você fica preso, parado, é como criar ferrugem, pegar poeira.Se você está em constante movimento, acompanha o curso da vida.

E essa flexibilidadetem uma sequência, como uma história em quadrinhos, seguindo formas diferentes, até adquirir um equilíbrio pleno. Uma bicicleta começa torta e termina certa.

A escultura do múltiplo é a bicicleta torta, projetando uma sombra numa bicicleta certa.

 

DG – Assim como a mancha, dos ortodoxos em Jerusalém, a sombra é muito presente na bicicleta.

DA – Quando imagino uma bicicleta, não penso num veículo, num meio de transporte. Vejo a sombra projetada. É o reflexo do torto em busca do equilíbrio. A minha bicicleta pintada, esculpida, é um par de asas, um redemoinho, uma roda-gigante, um carrossel, em que estamos todos em órbita, dançando ao redor da luz.

 

DG – De todas estas obras do período da Porta, excluindo a Porta em si que tem cores sombrias, todas as outras são muito coloridas Esse colorido é uma influência do meio, do lugar onde você vive?
DA –É da nossa cultura moura, da nossa influência européia, do abadá. O Brasil é um país colorido e apesar de nunca ter querido fazer arte decorativa, o meu sentimento é tão vivo que não poderia deixar de usar isso, até porque sou uma pessoa alegre, não faria sentido fazer pinturas obscuras, sombrias.

Você conquista o mundo e as pessoas atraído pelas cores. Gosto de chamar a atenção das pessoas para a luz. A luz existe, brilhe com ela.

 

DG – Você já explicou, mas ainda assim é surpreendente que tudo isso tenha vindo nas mesma época. O Maracanã, a Natação, a Bicicleta.

DA – Uma jornalista do New York Times escreveu que achava que eu estava numa fase alucinada. Eu estava muito angustiado. É um alívio saber que pude dar vazão a isso tudo. Eu ia enlouquecer se não conseguisse fazer todos esses quadros, durante aquele ano e meio.

A arte é importante para o equilíbrio emocional e tem essa propriedade extraordinária.

Acho que passei  dez anos sendo testado como aqueles caras da NASA, só que num estúdio, desenhando, fazendo música, brinquedos. Passei por uma grande experiência biônica, de pensar e produzir. Quando o Cazuza, por exemplo, chegava para gravar o clip dele no programa de televisão com os músicos, eu criava com o diretor do programa, um clip em animação feito na hora. Eu desenhava, recortava com a tesoura, e não fazia duas vezes, porque não dava tempo de errar. Quando parei de fazer televisão não tinha como romper com esse ritmo frenético.

 

DG – Com essa sua relação especial com as crianças, as suas obras também tem um tom de brincadeira, como o caso do quadro “Três Macacos.”

DA  – Tem uma pessoa que fez graça e me disse: “Você está me devendo um macaco, só estou vendo dois.”

Eu pintei o quadro “Três Macacos,” fazendo um jogo de palavras, induzindo a pessoa a imaginar o terceiro. O terceiro está sempre em movimento, ele passa e você mal consegue ver.

 

DG – A sua obra toda tem muito ligação com esporte. É influência de ter jogado tênis, de jogar até hoje, ou  é uma influência do Rio?
DA – É uma mistura de tudo isso. Se eu nascesse em Rondônia, ou num outro ambiente, provavelmente não teria isso. O Rio é uma cidade de luz e movimento, espontânea, casual e por ser um balneário, tem uma geografia diferente. O fato é que as praias, o frescobol, a casualidade carioca que o João do Rio falava de flanar pelas ruas me levaram a descobrir o movimento e o corpo em movimento, retrata essa dinâmica.

 

DG – Mas, antes dessa inspiração esportiva e carioca, você teve a sua fase paisagens, muito bem representada pela sua obra “cookie jar.”

DA – Eu havia feito um programa para crianças contando a história da antiguidade, desde os povos egípicos e muito da história da antiguidade chegou através da cerâmica utilitária.

O homem pôde compreender a sua história através de fragmentos de jarras. Fiquei muito interessado, em como uma jarra pode contar a nossa história.

 

DG – O estilo de pintura do “cookie jar,” é bem diferente das outras?

DA – Eu queria dar um cunho popular e me sinto muito à vontade de não sentir limitação técnica para expresser as minhas ideias.

Gosto da referência rastafari, da Jamaica, e gosto muito de frases de caminhão.Tem desenhos artísticos, ingênuos, primitivos e achei interessante fazer uma releitura disso.

 

DG – Outras obras suas que representam muito o Brasil, esporte, o Rio, são o Futebol e o Maracanã. Mas o Maracanã vai além de ser apenas uma pintura numa tela. É uma obra interativa.
DA – Ela podia ser uma tela só. Mas fiz uma tela que podeter 15variações. São 15 módulos magnéticos, telas de chassigrampeadas, com magnetos nas costas. É um quadro grande, com mini-telas, como se fosse um quebra-cabeça.

Foi pura inquietação.  Quando fiz a imagem do Maracaña, vi que ia ficar muito óbvio. Foium processo de investigação em que analisei as outras possiblidades que existiam de não repetir, afinal o Maracanã éum cliché tão grande.

 

DG – Nesta sua série múltipla, com uma explosão de ideias, você também fez reproduções do Catupiry e da Coca-Cola, duas de suas paixões, num momento Pop Art.

DA – Foi uma posiblidade extraordinária que eu nunca tinha experimentado. Quando você compra o produto, há uma embalagem. Quando você compra uma roupa, ela é a segunda pela da pessoa, há uma identidade.

Comecei a brincar com os símbolos e peguei marcas consagradas, com a intenção de transformá-las numa obra de arte, mas confesso que fiquei muito receoso, especialmente com o quadro do Catupiry.

Foi umaobra que deu muito trabalho. São duas telas grandes, uma escultura pintada, desforme e que você percebe o tempo todo a marca do Catupiry.
Quando pensei que iria expor, comecei a imaginar o que aconteceria se a Catupiry achasse queeu estava distorcendo o valor mais importante do produto, que é a identidade da marca.

Depois de quase seis meses fazendo o quadro, liguei para eles, me apresentei dizendo que tinha feito um quadro, que iria expô-lo e que tinha transformado o Catupiry em obra de arte equeria ver a possiblidade deles comprarem a obra. Fiz isso pisando em ovos, pois não sabia qual seria a reação deles.

Eles compraram o quadro, mas foi o processo mais ao contrário que fiz na vida.

 

DG – Você teve o receio do Catupiry, mas não teve receio de ser comparado ao Warhol?

DA – Tive mais receio de ser comparado com o Daniel Azulay da turma do lambe-lambe, do algodão doce.

Todo mundo passa um pouco pela Pop Art do Warhol, assim como muitos artistas foram influenciados pelo cubismo de Picasso. O que fica indelével, verdadeiro, é mostrar coerência no que você faz.

Se você trocar latas Campbell por latas de ervilha, não vai mudar muito. Vai continuar sendo uma cópia de Pop Art superficial e sem significado de maior expressão. Já tive muitas dúvidas. Mas, você tem que acreditar em você, no que você é, no que você quer fazer e no produto final. A obra fala por si. As pessoas e o tempo naturalmente vão corrigindo as curvas da indiferença.

A rejeição faz parte do processo. Até você  contornar as dificuldades, passa por muitas bicicletas tortas para encontrar o equilíbrio.

 

DG – De fato foi um momento de explosão criativa e isso fica bem claro na “Origem da Vida,” que deu nome à sua exposição na Suécia.

DA – A Porta tinha sido o nome da exposição em Helsinki e quis mudar quando fui para a Suécia e ficou A Origem da Vida. Depois que a porta abriu, não queria ficar só nela. A Origem da Vida eu comparo com uma porta que abre aquele horizonte, que diz o que aconteceu depois que a porta abriu, começou uma vida nova.  Com A Porta, naturalmente, foi vindo um convite atrás do outro e até 2014  vou para China e o Japão. A Porta me abriu uma nova vida, que era uma coisa que eu estava buscando.

Eu estava procurando uma saída.

 

DG – Apesar de você estar sempre em movimento e de ter obras dos mais variados temas, os animais presentes nas suas obras se restringem apenas ao Macaco, aos Cavalos e a um Cachorro especificamente. Inclusive, a obra do Cachorro você diz que é a única que não vende.

DA – Eu só fiz um ou dois quadros sobre cachorro e é o do Labrador de uma amiga, o único quadro que não vendo porque foi uma coisa muito estranha.

Fui encontrar essa amiga pensando que fosse fazer o retrato dela, mas ela não estava interessada e só falava nos cachorros e acabei fazendo o retrato do Labrador, pela expressão dele olhando para cima, no momento que fotografei.

Resolvi experimentar uma técnica de bico de pena e transpor isso para a tela.

Quando comecei a pintar o cachorro pensei:“esse cachorro está olhando para onde?”Resolvi então fazer os predios – sou fascinado pelos predios de Nova York.
e me lembrei do Rockfeller Center, porque aparece muito no filme do Batman, das histórias em quadrinhos.

Fiz várias torres e tinha que acontecer alguma coisa nelas, lá em cima.

Pensei numabola de fogo, mas fiz uma luz com uma borboleta voando perto das torres.

O quadro ficou pronto, está pintado assim como está aí e foi exposto no dia 26 de junho de 2001.

Poucos meses depois eu estava no escritório e veio o 11 de setembro. Era o ataque às torres e eu não parava de olhar, de baixo para cima que era de onde – você repara, 90% das imagens deste dia são – , as torres, explosões de fogo, aviões entrando nos predios, comecei a ver o enquadramento das torres, com uma bola de luz lá, e lembrei de uma pergunta que uma repórter da TV Bandeirantes fez no dia da abertura da exposição.

Ela perguntou:“Qual é a ideia do quadro, porque o cachorro está sozinho no meio desses predios?”

Eu respondi:“o preço da liberdade é a eterna vigilância.”Mas não sei porque que falei isso.

 

DG – Foi praticamente uma premonição.

DA – Eu disseaquilo para a repórter e você olha as guerras dos Estados Unidos e todas procuram salvaguardar a soberania do Império Americano. É uma coisa muito estranha que dois meses depois da exposição o mundo tenha mudado. Nunca se viu uma coisa dessas na história da humanidade.

Esse quadro, não vendo por nada.A ideia é doar para o museu do World Trade Center e já até falei com eles.

 

DG – Esse quadro realmente é uma história a parte, mas em relação aos animais, os cavalos são os que tem mais presença na sua obra.

DA – O cavalo assimo como o automóvel e a bicicleta, tem uma paixão que acompanha a necessidade do homem de se locomover. É um meio de locomoção, desde os tempos antigos.

Do cachorro para o cavalo, do cavalo para a bicicleta, é uma evolução.

Além disso, o cavalo é uma imagem. Leonardo Da Vinci fez cavalo. Picasso fez nas touradas. O cavalo faz parte da história da arte. É muito bonita a representação e  um tema interessante, porque o cavalo tem uma anatomia distinta como animal. É um símbolo de força e muito rico de poder desenhar, mas não é uma especialidade minha.

 

DG – Mas o Toy Art se tornou uma especialidade sua, pelo menos durante um período. Foi uma inspiração dos seus tempos de programa de televisão ou da ligação com as crianças?

DA – Tudo começou com amigos pedindo para eu fazer quadros da turma do lambe-lambe. Eu não queria.

Era um período também em que a minha mãe, antes de falecer, estava com um problema na mácula de visão e não havia jeito de reverter isso. Levei-a a um oculista,  mas fiquei muito nervoso com isso tudo e estava com um lápis e papel que arranjei e comecei a desenhar essas figuras pulando em movimento.

 

DG – Chegaram até a brincar dizendo que você tinha alucinado, com tanto movimento e olhares que tem no quadro.

DA –  Parece mesmo uma coisa anos 60, quando as pessoas tomavam ácido e ficavam vendo essas coisas trocadas, fora de registro.

Depois de tanto pedirem para eu fazer quadros com as imagens dos personagens da turma do lambe-lambe e de me perguntarem se eu havia me despedido das crianças, fui pensar no tanto de infância que tem dentro de mim e escolhi fazer uns personagens do inconsciente de todos nós, que são os personagens dos bichinhos de pelúcia que todo mundo tem, dos bonecos que os meninos ganhavam.

E fiz um quadro de Toy Art com várias carinhas e olhinhos, de bichos, bonecos…

 

DG – E isso se tornou o Funny Faces?

DA –  Achei o nome tão alegre, parecido comigo, tem alegria  ecombinava com o tema criança.

 

DG – E você levou o Funny Faces para Nova York e para o Louvre também.

DA – Quando cheguei em Nova York em 2007 comecei a ver Toy Art como design nas galerias, sendo chamado de arte contemporânea.

O Toy Art é um brinquedo de adulto e oFunny Faces é realmente muito representativo, por ter ficado no Louvre e isso me levou a pesquisar a origem do Toy Art, que vem de um movimento muito legítimo que está nas ruas, nas roupas, com um contexto que influencia movimentos artísticos. Fiquei fascinado com o Takashi Murakami, de ver quea combinação do design, do estilo, do graffiti combinado com bonecos representam uma estética plural.

 

DG – Do Funny Faces você fez pinos, como o João Teimoso que balança e dos pinos você está nos manequins de vitrine, que tem uma coisa em comum com o Toy Art, que é o olhar inanimado de bonecos que viram gente. O olhar, especialmente no Toy Art, é muito representativo.

DA –Dar vida aos manequins, que quando conseguem chamar a atenção, são vistos como pessoas, é um passo mais recente.

A minha convivênciafrequente com bonecos de quadrinho, me levou para o Toy Art naturalmente.

Mas demorei um bom tempo para entender exatamente o significado daqueles olhos. Só depois percebi a frequência com que as pessoas diziam que estavam me vendo e vendo a infância delas na obra. Você tem um olhar, pinta,faz uma obra que as pessoas vão ver, mas são pessoas que te viram numa outra tela, a tela da televisão, numa interatividade multi-facetada e que percorre muitas direções.

 

DG – E isso foi uma característica sua sempre?

DA – Interatividade, multi-meios, sempre esteve presente, ainda mais no Toy Art, em que as pessoas podiam tocar e olhar em cada lado. A figura, com dobradiças,  não acaba. São múltiplos. Tem variações do mesmo tema, mas fui abandonando pelos manequins.

Toy Art entrou como uma estética e por isso afirmamos que o contemporâneo é diferente do modernismo.

É muito bom que haja linhas divisórias, que haja coisas autênticas, representativas de uma época.

 

DG – E o quadro Mocinhas já é um início dos Manequins?

DA – Esse quadro foi influenciado pelo fato de eu ter tido loja de roupa, boutique nos anos 60, por fazer estamparia e tamancos.

 

DG – Mas atualmente você está na fase Manequim. É a sua produção mais recente.

DA – É uma consequência muito ligada ao fato de ter pintado muitos retratos de pessoas.

Comecei a pesquisar manequins de lojas depois da exposição de Estocolmo.

Pintar essa expressão inanimada que parece viva é uma experiência fascinante.

Pintei muitas pessoas e fiquei encantado pela possibilidade de dar vida a elas, retratando manequins de loja como se fossem pessoas, mas numa expressão muito curiosa entre o verdadeiro e o inanimado, entre a pessoa de verdade e o manequim.

Existe coisa mais bonita do que representar pessoas na vida gente?

 

DG – Você coloca o Lucien Freud como grande referência para os manequins.

DA – Ele me  influenciou muito. Dedicou a vida inteira a isso.Gosto de outra influência neste campo de pintura, a do Francis Bacon. A técnica dele é fascinante, como tem composição e expressão.

 

DG – Você já se acha referência?

DA – Quando você se torna referência você passa a ser copiado, então não é muito fácil estar detectando isso.

Tem tanta cópia no mundo. É tão grande o limite quanto a própria imaginação.

Estou concentrado em produzir.Esse processo corre como o rio.Deixo isso por conta de cada um.

Faço arte para me expressar e viver é ousar. Sempre fui curioso, sou experimentador.

Foi tudo muito torto. Foi muito difícil preservar uma coisa que eu queria fazer, manter.

Poderia ter abandonado o direito e o desenho, mas

aprendi por experiência propria que não há nada de bom, nem de ruim na vida. Ela é feita de escolhas. E o melhor que a gente tem que fazer é escolher com sabedoria.

A atividade espontânea estimula a imaginação criadora. É aquela que permanece quando alguém esquece tudo que aprendeu no colégio. Mas, para ser inventivo não é possível cortar caminhos. Não existe atalho para o conhecimento pleno.

 

DG – A Porta te abriu tantos caminhos que te levou a fazer um livro. O que você busca que a pessoa sinta ao ver a sua obra completa?
DA – Que ela me conheça integralmente. Um conjunto reflete amadurecimento. Vou fazer 65 anos em 2012. Pretendo viajar mais ainda e fazer como o Ziraldo disse. Resumir tudo que eu aprendi na vida com as crianças, com as pessoas, com a própria vida e que eu possa refletir isso nas criações.

Tem um poeta pernambucano chamado Carlos Pena Filho que escreveu um belo soneto, A solidão e sua porta.

“Lembra-te que afinal te resta vida com tudo que é insolvente e provisório, e de que ainda tens uma saída. Entrar no acaso e amar o transitório.”

Sétima edição do Rio Open encerra com público de 50 mil pessoas

O Rio Open apresentado pela Claro reforçou sua importância para o calendário do tênis com grandes nomes do esporte em quadra, diversas atrações para o público fora dela e o incentivo para crianças e jovens de projetos sociais com o Rio Open Kids e o Torneio Winners. O chileno Cristian Garin foi o grande campeão neste domingo, dia 23, no Jockey Club Brasileiro, com o italiano Gianluca Mager com o vice-campeonato. Nas duplas, o espanhol Marcel Granollers e o argentino Horacio Zeballos ficaram com o título ao vencerem italianos Salvatore Caruso e Federico Gaio. Pela primeira vez as partidas do qualifying foram transmitidas no site do evento, com as disputas das quadras Guga Kuerten, 1, 2 e 4 do complexo.

Fora das quadras, o maior torneio de tênis da América do Sul e único da ATP no Brasil reuniu 50 mil pessoas no Jockey Club Brasileiro. Quem não pode estar no Jockey Club para acompanhar, teve a opção de assistir pelo SporTV mais de 60 horas de transmissão e cerca de 58 horas no Globoesporte.com. O sinal da TV foi enviado para mais de 190 países e o material produzido pelos 257 jornalistas credenciados levou todo o clima da competição para o mundo.

“O público compareceu em peso ao Jockey. Essa sétima edição foi bastante positiva e nos mostrou como fomos abraçados pelo Rio de Janeiro. O Rio Open está consolidado como um evento obrigatório no calendário da cidade nesta época do ano. Cariocas e turistas de outras regiões e países lotaram o espaço desde o início, transformando o Leblon Boulevard em uma verdadeira mistura de sotaques e idiomas”, afirma Marcia Casz, diretora geral do Rio Open. “Vamos manter a evolução e a inovação características do torneio para manter acesa a experiência do Rio Open ao longo do ano”, completa.

“Tivemos grandes partidas, principalmente dos brasileiros, que mostraram uma nova geração chegando para dar um novo gás para o tênis do país. A gente teve uma crescente do evento desde o seu início até quinta-feira, com dias incríveis de sol. Tivemos o desafio das chuvas, mas conseguimos controlar bem e oferecer uma experiência completa para todo mundo, com uma reta final muito bacana e com os jogos lotados desde o início. As pessoas vieram neste domingo e encheram as quadras. O público respondeu bem e a gente espera que as pessoas terminem a memória desta sétima edição desta forma”, afirma Luiz Carvalho, diretor do Rio Open.

Uma das grandes novidades dessa edição foi o revolucionário sistema espanhol FoxTenn. O sistema de revisão eletrônica foi utilizado pela primeira vez no saibro em um evento da ATP no Rio Open. Os jogadores puderam pedir o desafio de forma ilimitada e os árbitros de cadeira não precisaram deixar a cadeira para verificar a marca da bola na quadra, valendo a chamada do sistema. Ao todo, o FoxTenn foi utilizado 109 vezes durante o Rio Open 2020.

A sustentabilidade também foi um ponto fundamental no torneio que, para a sétima edição, criou o inédito plano Rio Open Green marcando um novo ciclo do torneio. Em uma iniciativa da ENGIE, as emissões de CO2 do Rio Open, serão compensadas com créditos de carbono cedidos pela Usina Hidrelétrica Jirau – Sociedade de Propósito Específico que tem como acionistas a ENGIE (40%), Eletrobras Eletrosul (20%), Eletrobras Chesf (20%) e Mizha Participações S.A. (20%). Neste número constam todas as fontes relativas ao torneio em si, desde a montagem até a desmontagem, além de emissões com deslocamento de atletas e equipe técnica, bem como o consumo adicional da energia elétrica pelo Jockey Club Brasileiro durante o Rio Open.

A La Boutique, loja oficial do evento, teve recorde de vendas e vários produtos esgotados, como os bonés, pin raquete, copo dos campeões e ímãs de acrílico. Os chaveiros de raquete tiveram que ser repostos. As pulseiras feitas com cordas de raquetes foram um sucesso, com sua produção realizada durante o evento. Os bodies para bebês foram novamente os queridinhos do público, com alguns modelos esgotados. As toalhas também tiveram muita procura.

O Leblon Boulevard, área interativa de aproximadamente 10 mil m², foi totalmente coberto neste ano, garantindo mais conforto para o visitante nos intervalos dos jogos. A estrutura é comparável à de grandes eventos do circuito mundial e ofereceu muito entretenimento e gastronomia, com diversas ativações dos patrocinadores e a presença de chef renomado, restaurantes premiados, bares e foodtrucks. O estrelado restaurante Lasai foi um dos destaques do espaço, que também contou com produtos específicos para o evento de marcas já consagradas no torneio, como o suco Match Point do Greenpeople e a Empanada Rio Open da Las Empanadas.

Um dos locais mais disputados do torneio foi a Praça Rio Open, que contou com o Bar Petra, com cervejas geladas e a opção de copos reutilizáveis, telão gigante para não perder um ponto sequer e uma belíssima vista para o Cristo. Já o Espaço Pedra da Gávea, novidade este ano, reuniu o Bar Grey Goose e os caixas do evento, que pela primeira vez utilizou pulseiras de pagamento com o sistema cashless, trazendo mais tecnologia e comodidade para o público.

Confira alguns números e curiosidades do Rio Open 2020:

– Quadras de saibro: 09

– Capacidade da quadra central: 6.200

– Capacidade da quadra 1: 1.000

– Empregos gerados: 1.300

– Projetos sociais: 05 (que ajudam em torno de 600 crianças)

– Parceiros de mídia: 05

– Tamanho Leblon Boulevard: 10.000m²

– Atletas: 61, incluindo duplas e qualifying

– Países: 21 (Brasil, Áustria, Argentina, Croácia, Chile, Sérvia, Espanha, Uruguai, Itália, Noruega, Bolívia, França, Polônia, Bélgica, Holanda, República Tcheca, Eslováquia, Equador, Hungria, Portugal e Colômbia)

– Partidas disputadas: 62 contando o Qualifying (43 simples e 17 duplas, além de uma de exibição de duplas de cadeirantes com seus técnicos)

– Premiação: U$ 1.915,485

– Membros da ATP: 57 (Juízes de linha: 45, Juízes de cadeira: 7, Referee: 01, Supervisores: 02, Chefe de Juiz: 01, Assistente de Chefe de Juiz: 01)

– Jornalistas credenciados: 257

– Países alcançados com a transmissão: Mais de 190

– Horas de transmissão: mais de 60 horas no SporTV 3 com as partidas da Quadra Central e cerca de 58 horas no Globoesporte.com com os jogos da Quadra 1.

– Boleiros: 71 + 2 coordenadores, sendo 17 boleiros oriundos dos projetos sociais apoiados pelo Rio Open

– Toneladas de pó de saibro: 14

– Tratadores de quadra: 24

– Assistentes de quadra: 8

– Bolas: 5.040

– Raquetes encordoadas: 475 – totalizando 5,7km de corda

– Pulseiras produzidas com cordas de raquetes: 475

– Toalhas: 900

– Água: 20 mil litros

– Isotônico: 5 mil unidades. Sabor mais consumido foi Tangerina, com quase 1.500 unidades.

– Gelo: 1000 sacos

– Suco Green People: 400 de água de coco e 400 sucos Match Point exclusivos para os atletas

– Desafios FoxTenn: 109

– Itens mais vendidos na La Boutique:

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Garin vence Mager na decisão do Rio Open, conquista maior título da carreira e entra no top-20 do ranking

O chileno Cristian Garin confirmou o favoritismo na decisão e conquistou o título do Rio Open, maior torneio de tênis da América do Sul.

Neste domingo, o chileno entrou em quadra cedo pra completar a vitória diante do croata Borna Coric, jogando apenas quatro games.

Depois, encarou o surpreendente qualifier italiano Gianluca Mager, que mais cedo precisou ir ao tiebreak do terceiro set pra superar o húngaro Attila Balazs.

Na final, Mager não parecia nas suas melhores condições físicas, mas mesmo assim foi muito aguerrido e arriscou mais, com golpes pesados do fundo de quadra.

Mais consistente, Garin levou a melhor por 7/6(3) 7/5 e conquistou seu maior título da carreira até o momento.

Com o resultado, Garin vai ocupar pela primeira vez carreira um lugar no top-20 do ranking da ATP.

Foto: Fotojump

 

Melo/Kubot e Meligeni/Monteiro perdem na semi e Rio Open segue sem campeão brasileiro

Acabou no começo da tarde deste domingo o Rio Open para os tenistas brasileiros, com a eliminação das duas duplas da casa.

Em jogos interrompidos pela chuva deste sábado, Thiago Monteiro e Felipe Meligeni foram superados pela dupla formada pelo espanhol Marcel Granollers e o argentino Federico Zeballos, com parciais de 7/6(6) e 6/4.

Depois, Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot lutaram muito na quadra 1, chegaram a levar pro match-tiebreak, mas perderam para os italianos Salvatore Caruso e Federico Gaio por 6/3 3/6 e 10/4.

Com isso, o Brasil segue com o jejum de nunca ter feito um campeão do Rio Open. Quem sabem em 2021?

 

Coric e Thiem vencem e buscam vaga na semifinal do Rio Open nesta sexta

O austríaco Dominic Thiem e o croata Borna Coric tiveram trabalho, mas venceram seus jogos nesta quinta-feira e estão nas quartas de final do Rio Open apresentado pela Claro. O número 4 do ranking mundial derrotou o espanhol Jaume Munar, de virada, por 6/7 (5), 6/3 e 6/4, em 2h41. Já Coric, um dos destaques da nova geração, eliminou o brasileiro Thiago Wild por 6/3, 1/6, 7/6 (5), em 2h19. Os dois voltam a jogar nesta sexta, pelas quartas de final. Thiem enfrentará o italiano Gianluca Mager, no terceiro jogo da quadra central. Coric pega outro italiano, Lorenzo Sonego, no segundo jogo da rodada, que começa às 15h, com a partida entre o chileno Cristian Garin e o argentino Federico Coria. Os ingressos do Rio Open podem ser adquiridos no site www.tudus.com.br/rioopen. Restam poucas unidades.

O público que vier ao Rio Open nesta sexta terá boa oferta de música dentro e fora das quadras. A recepção ficará por conta do duo Digga Digga Duo, com um resgate de canções das décadas de 20 e 30. A quadra central irá receber o saxofonista Rodrigo Sha nos intervalos das partidas, além de participações fora de quadra.

Thiem, vice-campeão do Australian Open em janeiro e campeão no Rio em 2017, tinha duas vitórias sobre Munar, que treina na academia de Rafael Nadal. Mesmo com o bom retrospecto encontrou dificuldades para superar o rival. “Jaume fez uma boa partida e não me deu pontos de graça. Não estou na mesma forma que estava na Austrália, o que é normal. Não jogava no saibro desde agosto passado. O que importa é que ganhei, e que lutei do primeiro ao último ponto”, disse o jogador, que está perto de ultrapassar o suíço Roger Federer no ranking mundial.

Será a primeira vez que Thiem enfrentará o adversário desta sexta, o italiano Mager, que venceu o português João Domingues por 6/3 e 7/6 (5). “A campanha aqui no Rio está sendo um sonho para mim. Não joguei bem na semana passada, mas cheguei no Rio e estou jogando o melhor tênis da minha vida”, disse Mager. “Enfrentar o Thiem será a realização de um sonho, vou aproveitar ao máximo essa oportunidade”.

Coric elimina Wild no tiebreak do terceiro set

Na partida entre Coric e Wild, o croata venceu o primeiro set, viu o brasileiro empatar e ganhou a partida no tiebreak. Foi a vitória de número 50 da carreira dele no piso de saibro em torneios ATP. “Sabia que seria difícil, que ele teria toda torcida a seu favor. Mesmo sem ainda ter jogado contra ele, assisti sua estreia e esperava por dificuldades”, disse o tenista de 23 anos, ex-número 12 do ranking e que disputa o Rio Open pela primeira vez.

O próximo adversário de Coric, o italiano Sonego, eliminou o sérvio Dusan Lajovic, cabeça de chave número 2, por 7/6 (5) e 7/6 (5). Sonego, de 25 anos e atual número 52 do mundo, disputa sua primeira quartas de final de um ATP 500. O italiano tem um título na carreira, em Antalya 2019. “Coric é um ótimo jogador, tem vitória sobre Federer, tenho que tentar fazer o meu melhor em quadra”, disse Sonego, que quando chegou no Rio vinha de uma sequência de 11 derrotas.

Convidado pela organização para jogar a chave principal, Wild saiu contente por ter alcançando a segunda rodada. “Foi uma boa partida, tive minhas chances, mas não aproveitei. De qualquer maneira saio daqui vendo o lado positivo da minha participação. Acho que estou mais maduro, que meu jogo evoluiu, e tive uma melhora na parte física bem grande”, disse o jogador de 19 anos, que fez o jogo mais longo da história do Rio Open, com 3h50, na estreia contra o espanhol Alejandro Davidovich Fokina.

Foto: Fotojump

Monteiro é eliminado na 2ª rodada do Rio Open por húngaro Balazs, mas vence nas duplas com Meligeni

 

O brasileiro Thiago Monteiro foi eliminado na segunda rodada pelo húngaro Attila Balazs por 1/6, 6/1 e 6/4. O tenista número 1 do Brasil lamentou o resultado. “É uma derrota dura, mas tenho que tentar olhar pelo lado de mais um aprendizado. Comecei o jogo bem, mas dei uma desconcentrada no segundo set e cedi vários pontos de graça. Isso não pode acontecer, e me custou o jogo”, disse.

Balazs, de 31 anos, entrou na chave como lucky looser. O tenista da Hungria chegou a se retirar das quadras em 2014, mas voltou a jogar dois anos depois. “Comecei a me sentir entediado em casa e achei que era cedo para tentar ser treinador, então decidi jogar alguns torneios próximos de onde moro. Ganhei a maioria deles e meus amigos e familiares me incentivaram a retomar a carreira profissional. Fiz isso e aqui estou”, disse o húngaro, feliz por estar em sua primeira quartas de final da carreira. “Eu tive muitos altos e baixos na minha vida, tive que lidar com algumas lesões, e talvez agora eu esteja merecendo ter um pouco de sorte. Quero curtir esse momento”, disse o jogador, que enfrentará na próxima rodada o espanhol Pedro Martinez, responsável por eliminar seu compatriota Pablo Andujar por 6/1 e 6/4.

Em outra partida, o jovem espanhol Carlos Alcaraz foi eliminado pelo argentino Federico Coria por 6/4, 4/6 e 6/4. O garoto de 16 anos  e oito meses deixa o Rio Open com a marca de ser o mais jovem a vencer uma partida de ATP 500 desde que a série foi criada em 2009. “Foi uma grande experiência jogar com tenistas desse nível, aprendi muito jogando aqui e, mesmo perdendo, vou levar esse aprendizado para os próximos torneios”, disse Alcaraz.

O adversário de Coria nas quartas será o chileno Cristian Garin, cabeça de chave número 3, que passou pelo argentino Federico Delbonis por 6/4 e 6/3. O chileno vive a melhor fase da carreira, ocupando o 25º lugar no ranking, com três títulos conquistados nós últimos 11 meses.

Derrotado nas simples, Monteiro venceu nas duplas em parceria com Felipe Meligeni. Eles venceram os belgas Sander Gille e Joran Vliegen por 7/6 (6), 4/6 e 10/3 e farão um duelo brasileiro nesta quinta contra Orlando Luz e Rafael Matos, no segundo jogo da quadra 2.  “Difícil jogar depois de ter perdido, mas era um jogo importante para mim e para ele, e estou feliz de ter feito uma boa partida. Tira um pouco a sensação ruim da derrota nas simples”, disse Monteiro. “Foi a primeira vez que jogamos juntos, entramos muito bem e estou feliz de conquistar essa vitória no dia do meu aniversário”, disse Meligeni, que completou 22 anos nesta quarta.

Marcelo Melo e seu parceiro, o polonês Lukasz Kubot, também jogam nesta quinta. Eles enfrentam nas quartas de final, no segundo jogo da quadra 1, o tcheco Roman Jebavy e o eslovaco Igor Zelenay, que derrotaram o brasileiro Marcelo Demoliner e o holandês Matwe Middelkoop por 5/7, 6/3 e 10/8.

Foto: Fotojump

Meligeni joga bem, vence um set, mas Thiem estreia com vitória no Rio Open. Monteiro bate Pella de virada

O austríaco Dominic Thiem teve trabalho, mas confirmou o favoritismo e estreou com vitória sobre o brasileiro Felipe Meligeni no Rio Open apresentado pela Claro, por 2 sets a 1, com parciais de 6/2, 4/6 e 6/1, nesta terça-feira. O próximo adversário do número 4 do mundo será o espanhol Jaume Munar, que passou pelo  italiano Salvatore Caruso por 7/5 e 6/4. O Brasil garantiu mais um tenista na segunda rodada com a vitória de Thiago Monteiro sobre o argentino Guido Pella, de virada, por 5/7, 6/4 e 7/6 (3). Nesta quarta, às 19h, na quadra central, ele enfrentará o húngaro Attila Balazs, que eliminou o uruguaio Pablo Cuevas por 6/4 e 6/3. Os ingressos do Rio Open podem ser adquiridos no site www.tudus.com.br/rioopen. Restam poucas unidades.

Quem também começou o torneio com vitória foi o croata Borna Coric. Pela primeira vez na disputa do ATP 500 do Rio, um dos grandes nomes da nova geração eliminou o argentino Juan Ignacio Londero por 7/6 (5) e 7/5. Valendo vaga nas quartas de final, enfrentará o brasileiro Thiago Wild, em data a ser definida.

Com a quadra central cheia – os ingressos da sessão noturna se esgotaram -, Thiem dominou o primeiro set contra Meligeni, de 21 anos, que recebeu convite da organização. Na segunda parcial, o austríaco recebeu atendimento no joelho esquerdo duas vezes, e viu o brasileiro empatar. No set decisivo, valeu mais a experiência de Thiem.  “Fiquei feliz com a vitória, joguei bem no primeiro e no terceiro sets, e ele fez um segundo set incrível. A atmosfera na quadra estava demais, com a arquibancada cheia, normal que a torcida estivesse do lado dele, mas também sinto que tenho uma relação especial com o público brasileiro desde que venci aqui (em 2017)”, disse Thiem, que contou sobre as dores no joelho. “Bati o joelho numa porta quando cheguei no Jockey. Na hora não me incomodou, mas durante a partida comecei a sentir dores e fiquei preocupado. Depois do atendimento melhorou”.

Mesmo com a derrota, Meligeni saiu satisfeito com a experiência que viveu no Rio Open. “Estava nervoso antes da partida, mas deixei tudo em quadra, ganhei um set do número 4 do mundo, tive o apoio da torcida, vivi momentos maravilhosos”, disse.

Monteiro também saiu de quadra feliz após a vitória de virada sobre Pella, com direito a tiebreak no terceiro set. “Foi um jogo nervoso, cada um tentando uma estratégia, mas estou contente por ter sido superior no tiebreak e vencer essa estreia difícil para seguir no torneio”, disse o tenista número um do Brasil, que também jogará duplas nesta quarta. Ele e Meligeni enfrentaram os belgas Sander Gille e Joran Vliegen.

Thiago Wild levanta a torcida com vitória em jogo mais longo do Rio Open

O Brasil garantiu um representante na segunda rodada do Rio Open apresentado pela Claro. Em jogo emocionante na quadra central, na noite desta segunda-feira, Thiago Wild salvou três match points para vencer o espanhol Alejandro Davidovich Fokina, de virada, por 5/7, 7/6 (3) e 7/5, em 3h50, no jogo mais longo da história do torneio. Foi a primeira vitória do brasileiro de 19 anos em um torneio ATP 500. Ele comemorou com a torcida, que encheu as arquibancadas, em uma partida que teve clima quente.

O Rio Open segue nesta terça, com a esperada estreia do favorito ao título, o austríaco Dominic Thiem, contra o brasileiro Felipe Meligeni, às 19h, na quadra Guga Kuerten. A torcida brasileira também verá a estreia do tenista da casa Thiago Monteiro, que pega o argentino Guido Pella, após a partida de Thiem. Pela chave de duplas, Marcelo Melo e seu parceiro, o polonês Lukasz Kubot, estreiam contra o uruguaio Pablo Cuevas e o espanhol Fernando Verdasco, no último jogo da quadra 1. Os ingressos podem ser adquiridos no site www.tudus.com.br/rioopen. Restam poucas unidades.

Na partida de Wild, depois de perder o primeiro set, o brasileiro viu o rival ter três match points no segundo. O paranaense se recuperou e levou a série para o tiebreak. Fokina ficou nervoso com o barulho da  torcida, reclamou com o juiz, e Wild acabou levando por 7 a 3. No set decisivo, o jogo continuou equilibrado, com quebras dos dois lados, mas Wild foi firme para fechar no saque do espanhol. O antigo recorde de partida mais longa no torneio era do ano passado: 3h19, no jogo entre o espanhol Jaume Munar contra o britânico Cameron Norrie.

“Foi minha maior vitória da carreira, por ser em um ATP 500, fiquei muito feliz e vou levar para meus próximos dias de trabalho. Independentemente do que acontecer na próxima rodada, é algo que ficará guardado, que me mostrou que estou no caminho certo”, disse o 206º do ranking.

Na próxima rodada, Wild, que recebeu convite da organização, enfrentará o vencedor da partida entre o croata Borna Coric e o argentino Juan Ignacio Londero, que jogam nesta terça, na abertura da quadra central, às 16h30.

Thiem é atração principal nesta terça-feira

Grande atração da sétima edição do maior torneio de tênis da América do Sul, Thiem fará seu retorno às quadras após o vice-campeonato do Australian Open. Uma boa campanha no ATP 500 do Rio pode levá-lo a ultrapassar o suíço Roger Federer no ranking mundial. Thiem, duas vezes vice em Roland Garros, é o quatro colocado na lista e joga no piso onde obteve suas maiores conquistas.  “É um grande objetivo e, se for bem aqui, vai me ajudar a ir atrás do terceiro lugar no ranking”, disse o jogador de 26 anos. Meligeni, adversário da estreia, recebeu convite da organização.

Felipe Meligeni terá dura estreia contra Dominic Thiem no Rio Open. Monteiro encara argentino Pella

Foi sorteada a chave principal do Rio Open, ATP 500 disputado no saibro do Jockey Club Brasileiro e maior torneio de tênis da América do Sul.

Neste sábado, Felipe Meligeni estava presente ao sorteio e não escondeu sua reação ao ver que seu nome foi o primeiro sorteado depois dos cabeças de chave. O brasileiro vai enfrentar nada mais, nada menos, que Dominic Thiem, principal cabeça de chave do evento e nº 4 do mundo, que já foi campeão do torneio e que foi eliminado na primeira rodada no ano passado.

Depois, perguntado sobre o que sentiu ao perceber sua estreia, ele não escondeu que não é o que sonhava, mas vai tentar tirar o melhor da ocasião:

“Foi o primeiro nome tirado no sorteio. Não é uma rodada que todo mundo deseja, mas estreia é sempre um jogo nervoso. Pode ser um jogo nervoso pra mim e pra ele. É o cabeça 1 do torneio, muita expectativa nele. Vou tentar entrar, fazer meu melhor. Óbvio que vou ficar um pouco nervoso, quadra central provavelmente, vai ser um jogo bem grande, minha primeira vez jogando contra um top-10. To bem ansioso. Quero entrar na quadra, dar meu melhor, aproveitar a atmosfera.”

Outro primeiro jogo interessante de primeira rodada será entre Thiago Monteiro e o argentino Guido Pella, enquanto Thiago Wild fará um confronto de jovens talentos diante do espanhol Alejandro Davidovich Fokina.

 

 

Dominic Thiem chega animado no Rio Open em busca de conquistas maiores na carreira

O campeão do Rio Open 2017, o austríaco Dominic Thiem, chega para sua quinta participação no maior torneio de tênis da América do Sul animado. Vice-campeão do Australian Open, em janeiro, o número 4 do mundo pode sair do Rio na terceira colocação, desbancando o suíço Roger Federer. A chave principal do Rio Open começa na segunda-feira, no Jockey Club Brasileiro. Os ingressos podem ser adquiridos no site www.tudus.com.br/rioopen com preços a partir de R$ 30.

Com três vice-campeonatos em Grand Slams – além do AUS Open, perdeu a final de Roland Garros duas vezes para Nadal – Thiem acredita que pode cada vez mais se aproximar dos tops Djokovic, Nadal e Federer. “É um grande objetivo e, se for bem aqui, vai me ajudar a ir atrás do terceiro lugar no ranking”, disse o jogador de 26 anos.

Acostumado com o torneio e ambientado na cidade, Thiem espera ter uma boa semana no Jockey. “Adoro jogar aqui, a energia da cidade é especial, e tem muito a oferecer. Gosto muito da América no Sul e é a única semana que venho ao Brasil no ano. Saibro é o piso que mais gosto, me sinto como se estivesse em casa”, disse o jogador,  que visitou o Arpoador no final da tarde de sexta, na hora do pôr do sol. “Acho bonito as praias daqui, por ficarem próximas dos prédios, da cidade o que não é muito comum na Europa”.

O austríaco caiu na primeira rodada do Rio Open no ano passado. Nesse período fez mudanças na sua equipe. Trouxe o ex-jogador chileno Nicolas Massu para ser seu treinador, e terminou a temporada com cinco títulos. “Foi uma grande mudança e foi acertada. Massu trouxe coisas novas para meu jogo, me deixando mais agressivo, mas também tendo liberdade para definir algumas jogadas em quadra”.

Além de Thiem, o croata Borna Coric, um dos grandes nomes da nova geração da ATP, também concedeu entrevista coletiva. Aos 23 anos, Coric já foi o 12º do ranking, em 2018, mas sofreu com uma série de lesões nos últimos anos. Atual 31º, espera fazer uma boa campanha em sua primeira participação no Rio Open. “Estou adorando a cidade, viver essa nova experiência no circuito. Me programei para jogar aqui desde outubro. Não gosto de jogar indoor e optei pelo saibro, no Rio. Não joguei tão bem nos últimos torneios, por isso chego aqui sem expectativas. Quero pensar jogo a jogo e tentar fazer o melhor”, disse.

Schwartzman sente lesão e desiste do Rio Open

O argentino Diego Schwartzman sofreu uma lesão na perna esquerda, em sua partida no ATP de Buenos Aires, na noite de sexta-feira, e precisou desistir do Rio Open.

O sorteio da chave principal será realizado neste sábado às 18h.