Principal integrante da equipe da Fed Cup que representará o Brasil entre os dias 6 e 9 de fevereiro,Teliana Pereira &é um exemplo de perseverança em meio às inevitáveis mazelas que o tênis feminino nacional ainda proporciona à grande parcela das nossas jogadoras. Com histórico de lesões que lhe custaram quase duas temporadas inteiras fora das quadras, a pernambucana de 24 anos, irmã do tenista Jos&é Pereira, conseguiu retornar em 2012 ao circuito com força total, voltou a saborear a conquista de três títulos nesta temporada (Rosário, Sevilha e Buenos Aires, todos de U$ 25 mil, al&ém dos vices em Mont de Marsan, Caracas, Civitavecchia e Maribor ) e foi capaz de resgatar a confiança escalando mais de 150 posições no ranking.
Da mesma maneira que Thomaz Bellucci lidera o tênis masculino nacional sem enxergar nas simples um compatriota com o mesmo nível t&écnico, Teliana carrega a bandeira brasileira fora do País praticamente sozinha. Não foi à toa sua decisão de montar a maior parte seu calendário 2012 em cima de competições na Europa e Am&érica do Norte, onde ela avalia encontrar o nível mais competitivo de tênis, al&ém de considerar essa experiência obrigatória para quem planeja entrar no circuito. “As melhoras jogadoras do mundo são europeias. Para melhorarmos o nível de jogos, nós precisamos jogar e treinar com elas. Passar 2 ou 3 meses jogado torneios pela Europa com toda a certeza ajuda muito a crescer tecnicamente e principalmente a parte mental. Uma oportunidade dessas significa uma maior chance para que as jogadores consigam alcançar seu melhor nível de jogo”.
Das poucas vezes que Teliana cruzou com brasileiras no ano passado, a pernambucana provou que está tecnicamente acima: venceu os três jogos contra adversárias do top 5 nacional e, o principal destaque, cedendo em m&édia apenas 3 games nesses jogos
Mas nem mesmo o respaldo de carregar o status de número 1 do Brasil faz a carreira de Teliana apresentar barreiras menores. Durante boa parte desta temporada, ela viajou sozinha – algo que pessoalmente não lhe agrada – jogou sem o apoio de patrocínio de empresas ou mesmo de federações. É difícil de acreditar, mas a dura realidade &é que a ajuda financeira que de fato bancou a melhor tenista brasileira da atualidade saiu mensalmente do bolso de pessoas próximas a ela. “O tênis feminino não tem tanta credibilidade pelo seu histórico, e &é mais complicado tamb&ém pelo tênis não ser o primeiro esporte no Brasil, mas acredito e espero que mais patrocinadores surjam no País em função da proximidade das Olimpíadas”. A dificuldade diminuiu a partir de julho, quando o Governo do Estado do Paraná, onde Teliana treina quando está no País, se prontificou a apoiá-la e custear despesas com aporte financeiro. O alerta volta-se para melhora na estrutura e visão que as jovens tenistas têm em torno da carreira como tenistas. “Faltam torneios importantes, não só no Brasil como em toda a Am&érica do Sul. Acredito que as jogadoras não têm a estrutura e visão de que se pode jogar muito bem com 26 e 27 anos, muitas delas acabam desistindo cedo, o que deixa nosso tênis mais carente ainda de novos talentos”.
Aos trancos e barrancos, a promessa feita em janeiro do ano passado de ao menos colocar o tênis feminino brasileiro na disputa do qualifying em Grand Slams e alguns torneios WTA foram prontamente cumpridos, já que Teliana manteve seu ranking em ascensão. Ela mesma reconhece que em 2012 conseguiu jogar seu melhor tênis, e a prova mais fiel de sua declaração está na sua melhor colocação: 159ª posição, o melhor de sua carreira (hoje ela &é número 162), mais um exemplo de que o circuito feminino no momento tem destacado mais jogadoras acima dos 22 anos, formadas e mais experientes, do que em um passado não tão distante quando nomes como Martina Hingis, Monica Seles e at&é Maria Sharapova assombravam o circuito antes da maioridade.

Teliana &é a principal representante da equipe brasileira na Fed Cup (Cr&édito: Divulgação)
Dias melhores estão por vir
Diferente deste ano, a temporada 2013 promete ser melhor ainda para a número 1 brasileira, afinal, não há a necessidade de recuperar com urgência o tempo perdido em função das lesões, e, com esperança de entrar nos maiores torneios, as premiações serão mais do que fundamentais para que Teliana mantenha-se no circuito mais segura e sem deixar de cumprir todo o seu calendário.
Uma novidade para este ano &é a possibilidade de viajar com seu treinador nas competições, possivelmente durante toda a temporada ao lado do irmão e t&écnico Renato Pereira. A maior expectativa da tenista de 24 anos para a temporada que está por vir concentra-se no que pode ser o símbolo de um primeiro passo para uma nova cara dentro do tênis feminino nacional: a realização de um torneio da s&érie WTA em Florianópolis, em fevereiro, após longa espera. Teliana enxerga a oportunidade como um privil&égio. “É muito bom sabermos que o Brasil receberá um WTA, &é importante fazermos parte deste calendário. Sem dúvida, &é uma boa oportunidade para as jogadoras daqui. Precisamos dar continuidade a este nível de tênis, quem sabe esta não seja a porta de entrada para competições de US$ 100, 50 e 25 mil”.
Mas at&é onde Teliana pode chegar? Se depender dos seus objetivos, a meta &é só uma: ir al&ém, ser melhor do que hoje e, quem sabe, colocar novamente o País dentro dos principais torneios do circuito WTA e Grand Slams. Mesmo sem ter vencido jogos nos últimos qualifyings que disputou em torneios nesta categoria(Wimbledon, New Haven, US Open e Australian Open), ela está confiante: “Quero terminar o ano de 2013 entre as 100 melhores do mundo. Para chegar nesta meta, vou focar em torneios maiores e buscar com mais confiança e chances a chave principal de um Slam”, enfatiza aquela que pode ser a primeira brasileira desde Dadá Vieira a entrar para o top depois de 24 anos sem um expoente no circuito internacional.
No ano em que vimos a ex-número 1 do Brasil, Vivian Segnini, abandonar o circuito por falta de apoio, ter Teliana em um bom momento pode ser a injeção de ânimo extra na equipe brasileira que, no início de fevereiro, novamente disputará o Zonal Americano I da Fed Cup com o sonho de classificar-se para o Playoff do Grupo Mundial II. O Brasil, que, al&ém de Teliana, tamb&ém será representado pelas tenistas Laura Pigossi, Paula Gonçalves e Beatriz Haddad Maia, caiu em um grupo com as equipes do M&éxico, Chile e Paraguai. “É um grupo difícil. São equipes fortes, com jogadoras experientes. Todos essas tem pelo menos uma boa jogadora. Mas espero fazer bons jogos, classificar para a final e tentar levar esse título. Claro que não será facil, mas precisamos acreditar”, comentou Teliana, que vai trabalhar com a capitã, Carla Tiene e a treinadora, Roberta Buzargli, pela primeira vez. “Nunca trabalhei com elas, mas espero que a gente consiga fazer um bom trabalho durante a competição”, finalizou.
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Renan Justi
