Eidy Igarashi teve oportunidades no tênis e nos estudos que a maioria dos jovens sonha em ter. Jogou na ATP durante um ano, conseguiu cursar uma universidade norte-americana, sem deixar o esporte de lado, e iniciou estágio em uma grande empresa logo após concluir a graduação. Apesar disso, escolheu voltar ao Brasil para trabalhar em sua área, administração, ao lado dos pais, no interior de São Paulo.
“Muitos falam que não deveria ter voltado, porque o desejo da maioria &é o caminho inverso, ir do Brasil para os Estados Unidos. Para ganhar dinheiro, pode ser melhor nos EUA. Mas a qualidade de vida e a proximidade da família são importantes. Os dois lados têm prós e contras, mas vi uma boa perspectiva de negócios aqui tamb&ém”, avalia.
A trajetória de Igarashi no tênis começou em sua cidade natal, São Jos&é do Rio Preto, e passou por São Paulo e Sorocaba durante os anos de juvenil. Em 2004, em seu primeiro ano como profissional, o tenista lembra que não obteve os resultados que esperava em Futures e, então, surgiu a chance de estudar no exterior. “Falei com alguns amigos que conheciam universidades nos EUA e o Daquiprafora me deu toda assistência. Na &época, tinha muito mais burocracia com documentos e eu não precisei me preocupar com nada. O Daquiprafora me deu todo o suporte nisso e me apresentou diversas opções de faculdade para que eu analisasse”.
Logo que chegou à sua nova casa, em 2005, o paulista sentiu grande dificuldade com o idioma, principalmente na área acadêmica. Antes de embarcar para a Old Dominion University, na Virgínia, Igarashi tinha experiência de quatro meses de treinamento na Academia Nick Bolletieri, Flórida, aos 15 anos, o que lhe proporcionou fluência para conversar em inglês. “No primeiro semestre, penei bem na parte escrita. Al&ém disso, senti dificuldade por não ter me dedicado muito ao ensino m&édio, porque estava no juvenil, cheio de viagens para torneios”, lamenta Igarashi. Mas não foi apenas nos estudos que o jovem sentiu as mudanças. Na &época, sua universidade era uma das 40 melhores dos EUA na Divisão 1 da NCAA e ele chegou a enfrentar jogadores que estiveram no top 100 da ATP, como o indiano Somdev Devvarman, finalista de 2 ATPs
“Fiquei realmente assustado com o nível do tênis universitário, não achava que seria tão forte. Quando cheguei na Old Dominion, o Izak Van der Merwe estava no último ano. Tivemos um pouco de contato nos treinos e depois ele foi para o profissional (ex-top 150). E at&é tive chances de ganhar do Devvarman”, conta, sorrindo. Mesmo consciente de que deveria treinar forte e se dedicar ao tênis, Igarashi lembra que, logo no início da faculdade, manteve a cabeça nos estudos, com o pensamento de retornar ao Brasil formado em Administração com foco em International Business.
O diploma veio em maio de 2009 e, nos cinco meses seguintes, Igarashi trabalhou na Farmers, grande seguradora norte-americana. Apesar da oportunidade, sua decisão de retornar ao Brasil foi mantida e at&é mesmo impulsionada pela crise econômica que os EUA atravessavam. “Eles não estavam contratando muito e a economia do Brasil estava em um bom momento. Passei em um programa de Trainee na Ernst & Young, voltei para São Paulo e trabalhei lá cerca de um ano e meio”.
O administrador destaca que teve uma experiência muito enriquecedora, passou de trainee para consultor, e ainda pôde conhecer muitas cidades do Brasil em viagens a trabalho. Mesmo assim, garante que a decisão de deixar a empresa, em março deste ano, foi a escolha certa. “Se eu pudesse mudar alguma coisa nesses anos, só teria me planejado melhor para o tênis universitário, desde o juvenil. Teria uma base melhor nos estudos, ainda seria novo quando me formasse nos EUA e poderia tentar o tênis profissional por alguns meses”.
Aos 26 anos, Igarashi voltou a morar em São Jos&é do Rio Preto, onde trabalha no setor administrativo das empresas da família, uma indústria de peças para motos e duas lojas de varejo. O tênis passou a ser apenas uma forma de relaxar nos momentos de folga, mas nem por isso ele se esquece da importância do esporte em sua formação. “O tênis proporcionou tudo na minha vida. Criou oportunidades que não imagino se teria fora do tênis”.
Old Dominion University – www.odu.edu
A Old Dominion está localizada em Norfolk, Virgínia, desde 1930, ainda como um col&égio. Passou a oferecer cursos universitários em 1969. Tem cerca de 24 mil estudantes, em áreas de artes, ciência, tecnologia e programas profissionais. Nos esportes, as equipes conhecidas como Monarchs contam com artes marciais, basquete, beisebol, futebol, futebol americano, golfe, hóquei na grama, lacrosse, natação, remo, tênis e vela.
Por Edgar Lepri
(foto: Arquivo Pessoal)
