Wimbledon &é um dos poucos torneios que o tenista não precisa vencê-lo para chegar diante das câmeras e dizer que ele &é o seu favorito no calendário. A tradição, o clima ao redor do complexo, tudo em Wimbledon representa a história do tênis.
Nesta segunda-feira, marcada pela interminável garoa que adiou mais da metade da programação, Kim Clijsters despediu-se para sempre de Wimbledon como profissional, um torneio que embora ela não tenha no seu extenso currículo – ganhou duplas, em 2003, &é verdade – existe uma relação muito próxima e particular com o All England Club.
“Tudo começou quando era bem jovem, assistia durante o verão na B&élgica da minha casa. Eu conseguia sentir a mágica de Wimbledon saindo pela TV, creio que esta foi minha primeira conexão com o torneio”, disse Clijsters.

A criança que sonhava conhecer Wimbledon vê-lo com os próprios olhos anos mais tarde, mais precisamente em 1998, quando viajou para Londres para jogar a chave juvenil pela primeira vez. Na verdade, jogar não era bem a principal expectativa de Clijsters na &época.
“Foi muito especial estar aqui pela primeira vez como juvenil. Na verdade, na minha cabeça, eu não estava aqui para jogar tênis, queria apenas abrir meus olhos e ver tudo o que estava a minha volta. Era tudo tão novo, uma sensação maravilhosa e parecia que eu estava na Disneylândia. No ano seguinte, acredito, fui finalista, outro momento marcante”.
Pai
Certa vez, quando estava entre as principais tenistas do mundo, apontada como uma das favoritas ao título, o pai de Kim, Leo Clijsters, falecido há três anos, foi assistí-la (ou tentou) jogar em Wimbledon, o mesmo torneio em que o ex-jogador do futebol belga acompanhava ao seu lado no sofá de casa.
“Meu pai não viria para assistir todos meus jogos, ele estava em Londres por três ou quatro dias. Acho que ele não conseguiu me ver sequer por um minuto em quadra porque justamente naquele ano choveu sem parar por três dias. Ele se sentou no canto da quadra (esperando a chuva passa) nos bancos de madeira porque queria aquele lugar, acreditando que aquilo me traria sorte. No dia seguinte, ele novamente correu para ficar no mesmo banco”, disse sorridente.
Nos 14 anos que passou no circuito, entre torneios juvenis e WTA, Enfrentar Steffi Graf em Wimbledon foi uma experiência prazerosa, mais uma da compilação de memórias prediletas de Clijsters em Wimbledon.
“Jogar contra ela foi definitivamente a realização de um sonho como uma jovem jogadora, ainda mais por aquele ter sido o último Wimbledon dela. Com certeza, um momento muito, muito especial”.
Por Renan Justi, em Londres
(foto: Divulgação/Wimbledon)
