A Eterna Maria, Maria Bueno, a Rainha, a Bailarina das Quadras…

Por Diana Gabanyi
Foto Cynthia Lum
 
A Maria, Maria Bueno, a Rainha, a Bailarina das Quadras…
 
Maria Esther para mim.
Maria Esher que hoje se foi.
Tive a honra de conviver com Maria Esther Bueno através desses meus anos no mundo do tênis, com a Tennis View, com o Guga e com o Rio Open.
Conheci a Maria Esther há mais de 20 anos, apresentada oficialmente pelo Nelson Aerts, meu então sócio na Tennis View.
Fizemos uma entrevista com ela para a terceira edição da revista, em 1997.
Por alguma razão que não sei explicar, ali naquele momento nos demos bem e desenvolvemos uma rara relação de confiança.
De lá para cá, até este último Rio Open, nos encontramos diversas vezes.
Cada encontro era a oportunidade de ouvir histórias de outros tempos, de suas conquistas, de suas viagens, de suas marcas no mundo do tênis e do esporte.
Alguns encontros mais marcantes, outros menos, mas sempre com uma sensação especial.
Afinal ter a chance de estar perto e conviver genuinamente com uma campeã de 19 Grand Slams (7 de simples e 11 de duplas onde completou Grand Slam), não acontece sempre.
Lembro de ver a inauguração de uma escultura em sua homenagem, na Praça em frente ao Clube Harmonia, em São Paulo, onde ela jogava diariamente. Fui lá registrar para a Tennis View, com câmera fotográfica na mão. Até hoje quando passo por lá, lembro desse dia.
Lembro quando fui pela primeira vez na quadra do Pacaembú e vi uma homenagem para a Maria.
Lembro de ter promovido, junto com o Carvalhinho (Paulo Carvalho), a primeira foto dela com Guga no Sauípe.
Lembro dela sempre vir nas salas de imprensa mundo afora me pedir um Media Guide.
Lembro de ter visto ela ser homenageada e reverenciada em Wimbledon, na inauguração da nova quadra 1, em 1997 e depois de vê-la aplaudida a cada entrada no Royal Box.
Lembro há bem pouco tempo de ter pedido para ela responder uma entrevista pra mim, por email e ela ter respondido à mão e me enviado por fax.
Lembro dela entrar na sala de imprensa do Rio Open, toda animada e falar “hoje tenho breaking news…” Ela passava horas contando histórias pra gente e de fato, de vez em quando tinha breaking news.
Lembro de vê-la ser homenageada novamente no US Open, pelo Hall of Fame.
Lembro de visitar o museu de Wimbledon todos os anos e ficar esperando a hora de ver Maria Esther no museu do templo sagrado do tênis.
Lembro de admirar a sua credencial nos Grand Slams com todos os títulos que ela tem.
Lembro de ouvir de muita gente que ela tinha rancor ou achava que não tinha reconhecimento. Acho que não tinha rancor, mas de fato, tinha clareza do que havia conquistado e pouca gente nesse país conquistou tanto quanto ela e numa era em que viajar e desbravar o mundo era bem mais complicado do que hoje, ainda mais sozinha.
Lembro de quando fiz o encontro e a foto dela com a Teliana…
Lembro de quando ela comentou a comentar os jogos no SporTV. Teve gente que criticou pela idade. Eu acho incrível o que ela trouxe de contribuição para as transmissões. Deu um impulso no reconhecimento dela no Brasil.
Lembro de como foi importante ter o estádio olímpico com o nome dela e como isso repercutiu mundialmente.
Agora lembro de muitos momentos… especialmente os dos últimos no Rio Open. Bate-bola com a Pennetta, bate-bola com os cadeirantes neste ano, de vê-la ser uma das primeiras a chegar no clube logo cedo para jogar, da homenagem no primeiro ano, dela ser aplaudida pelas tenistas top 100 na quadra Guga Kuerten, de vê-la reunida com Thomaz Koch, Guga, Meligeni, de fazer uma live no facebook com ela que talvez tenha sido a última entrevista que ela deu?… e até de se juntar a toda a equipe do torneio neste ano, na foto oficial – seria já uma despedida?
Mas o que eu mais lembro e me emociono é de ouvir, mundo afora, jornalistas e tenistas reverenciando a nossa Rainha; de ler sobre ela nos livros da história do nosso esporte internacionalmente. De conversar com jornalistas dos mais antigos, mas que ainda viajam o circuito e de ouvir histórias dele, especialmente dos italianos e ingleses.
Agora, na hora de se despedir da nossa bailarina das quadras, encontro matérias que escrevi, fotos, entre outros recordações encontro uma matéria com um intertítulo ETERNA. Já não é mais. Mas, que a nossa memória sobre Maria Esther Buena seja.
Foto home Joao Pires
Foto com Guga Cynthia Lum
outras fotos – arquivo pessoal

Maria Esther Bueno dá nome à quadra central do Centro Olímpico de Tênis

Uma homenagem a Maria Esther Bueno, vencedora de 19 títulos de Grand Slam, marcou as atividades deste sábado no Aquece Rio – Correios Brasil Masters Cup, evento-teste do Centro Olímpico de Tênis da Barra que acontece em parceria do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 com a Confederação Brasileira de Tênis, com patrocínio dos Correios, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Claro.

Quadra Central do Centro Olímpico de Tênis ganha nome de Maria Esther Bueno

A quadra central do Centro Olímpico de Tênis foi batizada com o nome de Maria Esther Bueno e oficialmente inaugurada em cerimônia que contou com a presença de autoridades do mundo esportivo.

Oito vezes campeã de Wimbledon, Maria Esther não escondeu a emoção de receber uma das maiores homenagens de sua vida.

“Uma homenagem fantástica, uma homenagem grandiosa, acho que foi uma das maiores que eu recebi em toda a minha vida e eu tenho que dar os parabéns ao pessoal do Rio, aos responsáveis pela construção do estádio, pela Olimpíada toda, que mostraram uma força de vontade, um dinamismo que só o povo brasileiro tem mesmo”, afirmou.

“A gente pode esperar que a melhor Olimpíada de todos os tempos vai ser aqui no Brasil, principalmente por ser no Rio, uma cidade tão maravilhosa, vai ser o que há de bom”, acrescentou Maria Esther.

Ainda durante a cerimônia, o maior nome do tênis masculino brasileiro chegou para engrandecer a cerimônia. Gustavo Kuerten fez questão de comparecer na inauguração do complexo e comentou sobre a homenagem.

“Eu achei a homenagem formidável, porque o tênis precisa dessa continuidade, de sempre construir a nossa história. É fundamental dar continuidade, cultivar nossa história, realçar essas grandes conquistas dela, todos os méritos. Eu imagino a relação de como era naquela época para ela (Maria Esther) alcançar todos esses resultados e hoje a condição muito mais favorável, que é isso o que a gente busca para uma nova realidade do tênis, para que os atletas não precisem enfrentar as mesmas dificuldades que a gente viveu em outras épocas”, comentou o ex-número 1 do mundo.

“Então, acho que torna assim um presente e um legado formidável, a estrutura física aqui, eu me arrisco a dizer que encaixa com o momento oportuno do desenvolvimento do tênis do nosso país, nós já tivemos algumas lições que foram mal sucedidas, deixamos de aproveitar grandes oportunidades e através disso também houve um aprendizado. Acho que a gente hoje tem condições de receber uma quadra como essa, angariar projetos, empresas, atividades para que dê manutenção e continuidade no trabalho no dia a dia. É muito satisfatório poder vir aqui, ver de perto uma realidade que não teria como imaginar há 15, 20 anos atrás sendo realizado. Hoje é um Maracanã do tênis brasileiro e talvez propício a estender isso para penetrar em um nível internacional”, finalizou Guga.