João Ferreira e Nathalia Gasparin vencem o Rendez Vous a Roland Garros

O Rendez-Vous à Roland-Garros concluiu neste domingo a sua terceira edição com a paranaense Nathalia Gasparin e o mineiro João Ferreira conquistando o título e a ida a Paris para encarar nos dias 26 e 27 de maio os campeões de China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia e Japão em busca de uma vaga na chave principal do torneio juvenil de Roland-Garros.

João Ferreira e Nathalia Gasparin vencem o Rendez Vous a Roland Garros

Nathalia Gasparin garantiu o troféu do Rendez-Vous à Roland-Garros e a ida a Paris ao vencer a também paranaense Vitória Okuyama, sua parceira de duplas e companheira de treinos no Clube Curitibano, com parciais de 6/0 6/4.

Em um duelo que é frequentemente equilibrado, Nathalia conseguiu ter o controle da partida desde o primeiro set e aproveitou as chances que teve para levar vantagem. “Eu comecei super concentrada, focada já ponto a ponto, super determinada. Joguei super bem o primeiro set, não estava errando nada. O segundo foi mais duro, mas me mantive sempre focada e estou muito feliz pela minha vitória”, afirmou a campeã.

Depois de evitar até a final falar sobre a possibilidade de ir a Roland-Garros, com a vitória ela pôde finalmente comemorar a ida à França. “Agora posso falar que vou. É uma oportunidade única, vou tentar dar o meu máximo lá também igual eu fiz aqui e tomara que eu consiga ganhar lá também. Nunca fui e a expectativa para conhecer é grande!”, finalizou.

João Ferreira conseguiu o título ao vencer o brasiliense Gilbert Klier Junior, cabeça de chave número 2, por 2 sets a 1, com parciais de 7/6(6) 0/6 6/2. “Estou feliz em ganhar o Rendez-vous à Roland-Garros aqui em Floripa, foi uma semana incrível, consegui jogar muito bem, foi um jogo bem duro, comecei perdendo, mas estava com um jogo bem sólido e consegui virar. O terceiro set foi bem duro, meu físico prevaleceu durante o jogo também, estou muito feliz. Foi uma semana com gostinho diferente por ser RolandGarros, serve como um  motivo a mais para eu continuar treinando e chegar em Roland-Garros melhor do que eu estava aqui”, disse emocionado João Ferreira.

A decisão do terceiro lugar, que serve para definir a substituição em caso de o tenista não poder ir ou entrar diretamente na chave juvenil de Roland-Garros, foi vencida pelo carioca Christian Oliveira no masculino e pela paulista Alexandra Silva.

A cerimônia de premiação do torneio, logo após as finais, contou com a presença do  o tricampeão de Roland-Garros, Gustavo Kuerten. Guga destacou que a sua primeira conquista de Roland-Garros foi na chave juvenil do grand slam parisiense, em 1994, ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti. “Para essa garotada isso aqui é fundamental, pois o dia a dia deles é difícil, é duro. Tem toda a simbologia, o sonho de Roland-Garros, é um estímulo, mais gasolina para voltar para as quadras e uma esperança e tanto para quem vai, quem experimenta esse gostinho de saborear Roland-Garros. Os garotos precisam disso para sobreviver, para suportar os técnicos no dia a dia, ter empenho dentro da quadra, nos estudos, essa fase de 15, 16, 17 e 18 anos começa a afunilar, é difícil, pelo menos aqui é uma sobremesa que eles podem sentir o gostinho e levar para casa”, disse Guga Kuerten.

Rendez-Vous à Roland-Garros: Esta foi a terceira edição do torneio no Brasil. Foram quatro dias de jogos, com 32 tenistas juvenis dando o seu melhor em busca da conquista que premia o melhor menino e a melhor menina para jogar em Paris a “Final entre as Nações”. Nas duas primeiras edições foram dois brasileiros que ganharam a final entre as nações masculina, nas quadras de saibro de Paris e entraram na chave principal de Roland-Garros Junior: Rafael Wagner (2016) e Gabriel Decamps (2015). Este último, Gabriel, após a oportunidade de jogar Roland-Garros Junior obteve um crescimento em sua performance, chegando a Top 17 do mundo e neste ano de 2017 terá ranking para entrar diretamente da chave principal do grand slam juvenil parisiense.

“O torneio foi muito importante para a minha carreira. É um torneio justo e importante para achar novos talentos. Gostaria de agradecer e parabenizar a CBT e a FFT pela iniciativa”, fala Rafael Wagner, vencedor da final das nações em 2016.

Pela primeira vez em Florianópolis, ele comemorou a passagem dos 20 anos da primeira conquista de Gustavo Kuerten em Roland Garros. Foi na quadra 7 do Lagoa Iate Clube que Guga fez o seu último treino antes de embarcar para Paris, para se consagrar pela primeira vez o campeão de Roland-Garros, em 1997.

Neste ano foi criado, pela primeira vez, para a classificação, o “Road to Rendez-Vous à Roland-Garros”, com os rankings do Circuito Centro-Oeste, Circuito Paulista, Circuito Rota do Sul, Circuito Sudeste e Circuito Sul-Brasileiro.

O Circuito Regional aconteceu no mês de janeiro e a disputa foi equilibrada. Tenistas de vários estados participaram em busca da liderança no ranking da categoria 18 anos, sendo que no Centro-Oeste e Rota do Sol, a classificação feminina se deu pelo ranking de 16 anos. Os rankings contaram apenas os resultados de simples de cada torneio e no Sudeste foi usada a pontuação de duplas para desempate.

O Brasil em Roland-Garros Junior:

A tradição do tênis profissional brasileiro em Roland-Garros também se estende na chave juvenil do grand slam. Um levantamento feito pela Confederação Brasileira de Tênis mostra que desde Guga Kuerten, que foi campeão em duplas juntamente com o equatoriano Nicolas Lapentti em 1994 na chave juvenil do torneio, mais onze tenistas brasileiros chegaram às semifinais ou quartas-de-finais das disputas juvenis de Roland-Garros Junior: Flávio Saretta em 1998, a dupla Thiago Alves e Bruno Soares em 2000, Fernando Romboli em2007, Guilherme Clezar em 2009, Tiago Fernandes em 2010, Thiago Monteiro em 2012, Bia Haddad Maia em 2012 e 2013, Marcelo Zormann, Luiza Stefani, Orlando Luz e João Menezes em 2014 e Orlando Luz em 2016. Além disso, dois tenistas brasileiros da categoria de base foram campeões da Final entre as Nações do “Rendez-vous à Roland Garros”: Rafael Wagner (em 2016) e Gabriel Decamps (em 2015), sendo que Decamps agora em 2017 terá ranking para entrar diretamente na chave principal do grand slam francês.  Este torneio é promovido no Brasil pela Federação Francesa de Tênis e pela Confederação Brasileira de Tênis no Brasil, dando oportunidade dos vencedores disputarem em Paris, com tudo pago, a final entre as Nações, cujos campeões da categoria feminina e masculina garantem a entrada direta na chave principal de Roland Garros Juvenil.

Principais conquistas do Brasil em Roland Garros Junior:

2016 – Rafael Wagner ganhou a final entre as Nações do Rendez-vous à Roland Garros e entrou na chave principal do grand slam juvenil.

2016 – Orlando Luz/ Yunseong Chung (KOR) – Vice-campeões

2015 – Gabriel Decamps ganhou a final entre as Nações do Rendez-vous à Roland Garros e entrou na chave principal do grand slam juvenil. Após isso sua carreira deslanchou e chegou a Top 15 do ranking mundial juvenil (ITF)

2014 – Orlando Luz – Semifinalista

– Orlando Luz/João Menezes – Semifinalistas

– Luiza Stefani/Renata Zaragua (MEX) – Semifinalistas

– Marcelo Zormann – Quadrifinalista

2013 – Bia Hadad Maia/Domenica Gonzalez (ECU) – Vice-Campeãs

2012 – Bia Hadad Maia/Montserrat Gonzalez (PAR) – Vice-campeãs

– Thiago Monteiro/Gianluigi (ITA) Semifinalista

2010 – Tiago Fernandes – Quadrifinalista

2009 – Guilherme Clezar/Liang-Chi Huang (CHI) – Vice-campeões

– Guilherme Clezar – Quadrifinalista

2007 – Fernando Romboli – Quadrifinalista

2000 – Thiago Alves/Bruno Soares – Semifinalistas

1998 –Flávio Saretta – Quadrifinalista

1994 – Gustavo Kuerten/Nicolas Lapentti (ECU) – Campeões

Sobre Roland-Garros

Os adeptos do desporto e do público em geral têm ido se deliciar em Roland-Garros. Cerca de 455 621 espectadores foram ao prestigiado Aberto da França em 2016, e o torneio também foi transmitido em mais de 220 territórios em todo o mundo, tornando-se um evento de importância verdadeiramente global. Roland-Garros é dirigido pela Federação Francesa de Tênis e realizado a cada ano no Porte d’Auteuil em Paris. É o único Grand Slam a ser jogado em saibro – uma das superfícies mais antigas e nobres da história do tênis.

Os “années Guga” serão inesquecíveis em Roland Garros

Os anos passam, Rafael Nadal ganha, ganha de novo e de novo, mas Gustavo Kuerten continua sendo o queridinho, o “chou chou” não só do público francês, mas também da Federação Francesa de Tênis.
Les Années Guga serão inesquecíveis em Roland Garros
Depois de ter sido recebido com um elegante coquetel e um chorinho no Le Club, um dos espaços Vips de Roland Garros, na noite de sexta-feira, com direito a bolo, abraços do Presidente da FFT, Jean Gachassin, vídeos dos momentos marcantes da carreira em Paris e a presença de amigos e jornalistas que fizeram parte da sua história, Guga concedeu uma longa entrevista coletiva no “Main Interview Room,” da área de imprensa do torneio.

Desde 2008, quando disputou o último joga da sua carreira, diante de Paul Henri Mathieu, Guga não se sentava na sala de entrevistas de Roland Garros.

Quando a entrevista começou, com apresentação do Guy Forget, veio um Flash Back.

Quantas vezes sentamos nesta mesma sala de entrevistas depois dos jogos, ou antes mesmo de Roland Garros começar, quando havia a entrevista do campeão (antigamente só os campeões  / defending champions – davam coletivas oficiais, não havia media day).
E como acontecia antigamente, Guga ficou horas falando, com respostas longas e em inglês primeiro, depois português / espanhol. Atendeu também as TVs ao fim da coletiva, especialmente o World Feed, que gera imagens e entrevistas para o mundo inteiro.
Atendeu todo mundo que pediu, deu até entrevista na área externa, com o público gritando o seu nome.

Durante a entrevista, mencionou o meu trabalho com ele. É foram muitos anos, do começo ao fim da carreira e assim como para ele, Roland Garros também faz parte da minha história.

Vim aqui pela primeira vez em 1997. Estava no meu último ano da faculdade e com pouquíssima experiência no trabalho de PR, assessora de imprensa, Publicist ou como queiram chamar. Vim no jogo contra o Kafelnikov e passei por tudo o que aconteceu com o Guga aqui.
Assim como ele cresceu em Roland Garros e se tornou quem é hoje, o torneio continua sendo a minha referência.

Aqui passei os momentos mais especiais da minha carreira. Não eram fáceis. A pressão era grande. Os pedidos de entrevistas nacionais e internacionais eram intermináveis, os de ingressos também e ainda tinha que escrever releases, muitas vezes em duas línguas, atualizar site, fazer fotos e passar informações que hoje são amplamente e imediatamente divulgadas, como horários de treinos, de jogos, resultados, head to head, entre outros.

Aqui construí a minha base de trabalho. Aprendi com jornalistas, com o torneio, com a Federação, com o Guga.

Já se passaram 18 anos do primeiro título. Este ano faz 15 do segundo e ainda parece que foi ontem.
Amizades duradouras foram construídas neste período, memórias foram se acumulando, dentro e fora de Roland Garros e ssão claras, como se tudo tivesse acontecido ontem.

E para o pessoal de Roland Garros também.
Ontem comentávámos isso no jantar e cada vez que entro aqui tenho essa sensação.
O efeito Guga em Paris ainda é vivo.

Ele mesmo lembrou de quando começou a ter essa conexão com o público francês, durante a sua coletiva que marcou o lançamento do seu livro Guga, um Brasileiro, paixão francesa, em francês, que a primeira vez que sentiu a conexão com o público francês foi durante a partida contra Thomas Muster, em 1997.
Eu estava perdendo de 3/0 no 5o. set. Comecei a virar o jogo e o público a gritar Allez Guga. Foi aí que senti essa conexão.
Conexão que nunca mais terminou.

Hoje não sento mais na mesa número 1. Mudaram todos os brasileiros para a Sale de Presse número 2, ao lado. Mas, a sensação de que o lugar é especial e de que Roland Garros faz parte da nossa história permanece.

Não há quem passe por mim ou pelo Chiquinho Leite Moreira, que este ano completa 30 anos de Roland Garros, e não conte ou relembre alguma história com o Guga aqui.

Les Annés Guga serão eternos.

Diana Gabanyi

Foto de Cynthia Lum

Roland Garros antes do Nadal

O qualifying de Roland Garros começa na semana que vem e a chave principal no dia 24. Até lá e durante todo o torneio a Tennis View fará uma cobertura especial, começando com uma pergunta. Você se lembra como era Roland Garros antes do Nadal?

Nadal Roland Garros 2005

Há 10 anos Rafael Nadal conquistou o seu primeiro Roland Garros. Era 2005 e ele venceu na final o argentino Mariano Puerta, por 6/7 6/3 6/1 7/5.

Naquela época ninguém imaginava que o espanhol, então com 18 anos, venceria 9 dos próximos 10 Roland Garros.

Nos últimos 10 anos o único nome a figurar entre os campeões de Roland Garros com um sobrenome diferente de Nadal é o de Roger Federer, em 2009, ano em que Rafael foi eliminado por Robin Soderlin, nas oitavas-de-final.

Ferrero campeão Roland GarrosNos acostumamos tanto a ver o nome de Rafael Nadal no Trophee des Mousquetaires, que é difícil lembrar que na década anterior outros espanhóis triunfaram em Paris – que o Guga ganhou 3 vezes a gente sempre lembra – que teve um Agassi campeão, um Kafelnikov, um Muster e até mesmo um Gaston Gaudio.

 

Veja como foram as 10 finais anteriores ao sucesso inicial e inigualável de Rafael Nadal

 

1995 – Thomas Muster (AUT) d. Michael Chang (USA) 75 62 64

1996 – Yevgeny Kafelnikov (RUS) d. Michael Stich (GER) 76 75 76

1997 – Gustavo Kuerten (BRA) d. Sergi Bruguera (SPA) 6/3 6/4 6/2

1998 – Carlos Moya (SPA) d. Alex Corretja (SPA) 73 75 63

1999 – Andre Agassi (USA) d. Andrei Medvedev (UKR) 16 26 64 63 64

2000 – Gustavo Kuerten (BRA) d. Mangus Norman (SWE) 62 63 26 76

2001 – Gustavo Kuerten (BRA) d. Alex Corretja (SPA) 67 75 62 60

2002 – Albert Costa (SPA) d. Juan Carlos Ferrero (SPA) 61 60 46 63

2003 – Juan Carlos Ferrero (SPA) d. Martin Verkerk (NED) 6/1 6/3 6/2

2004 – Gaston Gaudio (ARG) d. Guillermo Coria (ARG) 06 36 64 61 86

Guga campeão Roland Garros 2001

Fotos de Cynthia Lum