10 anos atrás: O “Monumento” Guga se Despede do Tênis

Momento de relembrar a despedida do Guga em Paris. Texto publicado na nossa revista, direto de Paris, em 2008.

 

“Eu adorei o adeus de Guga em Roland Garros. Poderíamos esperar o pior, devido à sua condição física, mas ele não é estúpido e sabia muito bem o que estava fazendo ao solicitar um convite para jogar. Eu, particularmente, acho idiotas aqueles que puderam pensar, por um segundo, que ele não era digno de um convite. Kuerten é um monumento. Jamais, e eu repito, jamais, fora o Yannick (Noah), porque ele é francês, nenhum jogador foi tão adulado quanto o Guga em Roland Garros.

Guga tinha o direito de dizer adeus a Paris e assistindo a ele evoluir na quadra central, naquele domingo, eu percebi, a que ponto, na época do seu esplendor, ele podia parecer enorme perante seus adversários. Ele esteve enorme por vezes durante o jogo. Por instantes, mas ele esteve. Eu percebi também, quando ele dava uma de suas esquerdas, que tanto inspirou outros jogadores, a que ponto ele teve impacto no jogo moderno de hoje.

E isso tudo me fez lembrar de toda a magia da sua chegada ao circuito. Foi uma verdadeira história de Cinderela, que ninguém poderia imaginar que aconteceria, que naquela primavera de 1997, aquele então brasileiro de 20 anos, vindo do nada, se tornaria um tricampeão de Roland Garros e um número um do mundo.

De fato, num mundo do tênis que evolui sem parar, Guga faz parte daqueles jogadores, que quando jogam, como ele fez contra o Mathieu, depois de um pequeno eclipse, nos fazem lembrar a que ponto o jogo dele faz falta ao circuito, quando ele não está lá. É apenas através destes momentos que vivemos, com um misto de emoção e um pouco de tristeza, que a gente percebe toda a dimensão do que a gente acaba de perder.”

O autor destas palavras é outro tricampeão de Roland Garros, Mats Wilander. O sueco escreveu este texto, no Jornal L’Equipe, logo depois de Guga se despedir da sua quadra central, de como ele mesmo disse, “do seu amor, sua vida, sua paixão,” no domingo, 25 de maio de 2008.

Guga saiu de quadra emocionado e emocionando a todos, inclusive o seu adversário no dia, o francês Paul Henri Mathieu, discípulo de Wilander, que o derrotou por 6/4 6/3 6/2.

Como lembrança do torneio, que transformou a sua vida há 11 anos, Guga ganhou um troféu da Federação Francesa de Tênis, com um pedaço da quadra, que ergueu como se tivesse vencido um campeonato. E de fato, ele venceu.

É só parando para analisar, quando tudo termina, que às vezes os fatos vem à tona ou ganham mais importância.

Como seria o tênis brasileiro se Guga não tivesse ganhado aquele Roland Garros de 1997? Como seria o tênis moderno de hoje se ele não tivesse mostrado para todos que dá para jogar no saibro atacando?

O próprio Guga não gosta de ficar pensando no se, para não sentir muito mentalmente como seria a sua carreira, até onde ele teria chegado se não tivesse sofrido com as lesões no quadril.

O momento também não foi de se e sim de festa, alegria e de recordar tudo o que o catarinense fez pelo tênis mundial.

Não houve quem não se emocionasse nas tribunas da quadra Philippe Chatrier, no vestiário, em que foi ovacionado pelos jogadores ao entrar depois de deixar a quadra no seu último jogo como profissional, ou nas televisões de todo o mundo, quando a curtinha que tentou dar em Mathieu ficou na rede e Guga pegou o microfone para agradecer tudo o que viveu em Paris. “Mais importante do que os títulos que eu ganhei, foram vocês.”

SAMBA EM PARIS – E o público, talvez contagiado pela alegria de ser do brasileiro, pelo jeito sincero e guerreiro, pelo amor dele ao tênis, realmente se idenfiticou com Guga em Paris.

Entre os corredores das alamedas de Roland Garros, organizadores, fotógrafos, jornalistas e até mesmo fãs de longa data de Guga, se lembravam dos anos fantásticos em que as batucadas tomavam conta do complexo francês, depois das vitórias de Guga. “Quem poderia imaginar, samba em Paris,” falou um fotógrafo.

É mesmo, quem poderia imaginar alguém desenhando um coração na quadra central de Roland Garros e deitando em cima dele, para expressar todo o amor pelo torneio.

E quem poderia imaginar que a despedida de Guga fosse ser tão especial, que Mathieu chegou a declarar que o clima na quadra parecia de uma final?

COMO 1997 – Só mesmo Gustavo Kuerten, com alguns ingredientes especiais, como a roupa azul e amarela da Diadora, a mesma que apareceu para o mundo em 1997, os seus golpes únicos e o jeito de ser brasileiro, puderam conquistar Paris.

Em um ano, em que faltou emoção no maior torneio de saibro do mundo, a despedida de Guga, ganhou ainda maior importância e para os brasileiros, foi como assistir a uma conquista do seu ídolo maior.

Para completar, Guga ainda jogou uma animada partida de duplas, ao lado de Sebastian Grosjean. Perderam para Florin Mergea e Horia Tecau, da Romênia, por 5/7 6/3 6/1, mas o clima na quadra 2, foi o que mais importou. Brasileiros e os próprios jogadores se divertindo em uma rara tarde de sol na capital francesa.

Guga ganhou novamente o “Prêmio Laranja,” de desportividade e simpatia com a imprensa e fãs. Foi um prêmio especial, o prêmio pela década dedicada ao tênis, já que ele já tinha levado o troféu outras três vezes.

Para comemorar o fim de uma trajetória especial, chamou os amigos mais íntimos e companheiros de circuito para comparecerem ao VIP, uma boate na Champs Elysée e para Alex Corretja, Cedric Pioline, Grosjean, Mary Pierce, Tommy Robredo, Karim Alami, Hernan Gumy, Nicolas Lapentti, Andy Ram, Jonathan Erlich, entre muitos outros, incluindo os tenistas brasileiros, ele tocou baixo, violão, cantou ao lado dos músicos Kátia e Marcello, radicados na França e se foi.

Foi descansar a cabeça, o corpo e refletir em como pode ajudar o tênis brasileiro.

Mas, como o amor por Roland Garros sempre fala mais forte, ele voltou para assistir a final e participar da cerimônia de 80 anos do Stade Roland Garros, que levou à quadra central vários ex-campeões, incluindo Yannick Noah, que comemorava 25 anos da sua conquista, Wilander, Bjorn Borg, que há anos não pisava na “terra batida” da quadra central, Arantxa Sanchez-Vicário, Andres Gomez, Guillermo Vilas e muitos outros heróis do esporte.

IVANOVIC – Sem a sua heroína dos anos 2000, Justine Henin, que duas semanas antes de Roland Garros começar anunciara sua aposentadoria, dizendo ter perdido a vontade de lutar para ser a melhor o tempo todo, foi a sérvia Ana Ivanovic, quem levou o troféu de campeã.

Vice-campeã no ano passado, Ivanovic derrotou na final a grande surpresa do torneio, a russa Dinara Safina, irmã mais nova de Marat Safin, que disputava a sua primeira decisão de Grand Slam, depois de ter salvado match points, na oitavas-de-final, contra Maria Sharapova e nas quartas-de-final contra Elena Dementieva e derrotado Svetlana Kuznetsova, na semi, não chegou com toda sua força para superar a nova número um do mundo.

Ivanovic conquistou o torneio, derrotando Safina por 6/4 6/3.

Ao ouvir o Hino Nacional da Sérvia, uma novidade em Roland Garros, no pódio para receber o troféu das mãos de Henin, Ivanovic deixou lágrimas caírem e falou: “Nunca vou esquecer este dia.”

Afinal, conquistar o título de Roland Garros, não foi assim tão fácil para ela, como foi para Rafael Nadal. Antes de Safina, ela teve que derrotar a compatriota Jelena Jankovic, por 6/4 3/6 6/4; Patty Schnyder, da Suíça, por 6/3 6/2; Petra Cetkovska, por dupo 6/0; Caroline Wozniacki por 6/4 6/1 e Lucie Safarova, por 6/1 6/2.

Ivanovic se tornou a primeira mulher sérvia a conquistar um título de Grand Slam.

TETRACAMPEÃO – Se entre as mulheres sobraram desafios e longas batalhas, entre os homens, Rafael Nadal não deixou ninguém se quer sonhar com o “Trophée des Mosquetaires.”

Ele não perdeu um set durante todo campeonato – continua invicto em Paris – e todos que antes do jogo começar acreditavam poder endurecer a partida contra ele, tiveram suas posições contrariadas, inclusive Roger Federer. O suíço, número um do mundo, na sua terceira tentativa seguida de reinar na terra batida de Roland Garros, de destronar o touro espanhol e conquistar o Grand Slam, tomou um verdadeiro olé, perdendo por 6/1 6/3 6/0, em menos de duas horas de jogo.

Antes disso, Nadal já tinha passado, sem dó, por Novak Djokovic, ganhando por 6/4 6/2 7/6(3), no jogo que ele classificou como um dos melhores de sua carreira; Nicolas Almagro, por 6/1 6/1 6/1; Fernando Verdasco, por 6/1 6/0 6/2; Nicolas Devilder, por 6/4 6/0 6/1 e pelo brasileiro Thomaz Bellucci, que impressionou o público e a imprensa mundial, ao enderucer o jogo contra o espanhol, mas perdeu por 7/5 6/3 6/1.

De tão fácil que foi a conquista do tetracampeonato consecutivo, Nadal mais se desculpou com Federer, pelo tênis que jogou, do que vibrou e comemorou ao receber o troféu das mãos do seis vezes campeão em Paris, Bjorn Borg.

MONFILS – A organização deve até ter chegado a pensar em ter Yannick Noah na quadra central para fazer a entrega do troféu ao campeão, mas os franceses terão que continuar tentando no ano seguinte, repetir o feito do tenista. Ele continua sendo o único francês campeão em Paris, nos últimos 25 anos. Desta vez, quem chegou mais perto foi Gael Monfils, que empolgou o público e chamou a atenção de quem inclusive não é fã de tênis, mas não conseguiu passar por Roger Federer na semifinal, depois de ter ganhado de Arnaud Clement, Luís Horna, Jurgen Melzer, Ivan Ljubicic e David Ferrer, num ano em que cinco franceses alcançaram as oitavas-de-final em Paris, mas só Monfils avançou.

GONZALEZ – Entre os sul-americanos, o destaque ficou para o chileno Fernando Gonzalez, que alcançou as quartas-de-final, perdendo para Federer.

SOARES – E os brasileiros, se contagiaram com a despedida de Guga e pela primeira vez, desde 2004, fizeram boa campanha em Roland Garros. Thomaz Bellucci passou o qualifying e encarou Nadal logo na estréia, mas se tornou o jogador que mais games ganhou do espanhol; Direto na chave principal, Marcos Daniel venceu Juan Carlos Ferrero na primeira rodada e esteve perto de chegar à terceira, perdendo em cinco sets para o austríaco Melzer.

Nas duplas, Bruno Soares surpreendeu chegando à semifinal (confira matéria na página XX), ao lado de Dusan Vemic, da Sérvia e André Sá, ao lado da eslovaca Janette Husarova, chegou às quartas-de-final de duplas mista.

O FUTURO – Por todas essas razões, em um ano em que o sol brilhou apenas no dia em que Gustavo Kuerten jogou em Roland Garros, no dia da sua despedida oficial e no jogo de duplas, num ano em que o samba se despediu do torneio e faltou emoção, o especial mesmo foi perceber a dimensão do que Guga proporcionou ao Brasil e ao mundo e notar, que o tênis brasileiro não terminou.

As palavras são do mestre maior de Guga, o técnico Larri Passos, que como presente para seu pupilo encheu uma garrafa com o “saibro sagrado,” de Roland Garros.

Atualmente são dois tenistas entre os top 100, o que não acontecia há algum tempo, três top 50 nas duplas e uma série de novos jogadores trabalhando no juvenil, para quem um dia novamente, o samba possa voltar a tocar nas alamedas de Roland Garros.

 

Diana Gabanyi, de Paris

 

Fotos: Cynthia Lum

Guga recebe anel do Hall of Fame e é homenageado em Roland Garros

Gustavo Kuerten foi mais uma vez homenageado em Roland Garros. Neste domingo, dia histórico para o tênis, Guga recebeu o anel do Hall of Fame, das mãos do Presidente da entidade, Stan Smith e ao lado de outras lendas do esporte: Ion Tiriac, Manolo Santana, Nicola Pietrangeli, Kim Clijsters, Todd Martin, Guillermo Vilas, entre outros.

Além de receber o Anel do Hall of Fame, a Federação Francesa de Tênis e o Hall preparam um vídeo emocionante, com os melhores momentos da carreira de Guga, não só em Paris, mas como no circuito mundial.

Após o vídeo, mais uma surpresa em plena quadra Philippe Chatrier. Os boleiros entraram em quadra e fizeram um coração com 24 bolas, como parte da campanha para Paris2024. Guga cumprimentou cada um dos boleiros, entrou no coração e ainda fez o símbolo da campanha francesa.

“Cada vez que eu venho aqui é muito especial. É um sentimento indescritível. Sou muito agradecido por tudo o que vocês fizeram e ainda fazem. Para sempre, Roland Garros será especial no meu coração,” disse o brasileiro.

Para completar a cerimônia que antecedeu o início da final histórica entre Rafa Nadal e Stan Wawrinka, Guga ainda contou com a presença dos filhos Maria Augusta e Luis Felipe em quadra para marcar os 20 anos da primeira conquista em Paris.

Diana Gabanyi

Fotos de Cynthia Lum

Guga e Roland Garros – um caso de amor eterno

O caso é de amor mesmo. Entra ano e sai ano, e Guga continua sendo homenageado, lembrado, festejado em Roland Garros.
O dia 08 de junho marca os 20 anos da primeira conquista do brasileiro em Paris. As outras vieram no ano 2000 e 2001.
A cada ano a Federação Francesa de Tênis encontra um motivo para celebrar o brasileiro, o surfista do saibro que mudou para sempre o jeito de se jogar tênis no saibro e acima de tudo, de se conectar com o público.
Com cabelos encaracolados – desengonçados, andar leve, roupas coloridas, bandanas, uma serenidade fora do comum e um sorriso contagiante conquistou o público com sua simplicidade e garra natural.

Guga e Stan Smith, na coletiva de imprensa

A conexão estabelecida com o público o transformou em estrela na França. Até hoje tem patrocinadores franceses – Lacoste e Peugeot, vem frequentemente ao país e é celebrado até mais do que outros campeões com mais títulos do que ele.

Hoje em Paris não foi diferente.
Começou o dia com uma coletiva na sala de imprensa principal de Roland Garros. Que outro ex-campeão faz coletiva e encontra uma sala lotada às 11h, 4 horas antes dos jogos principais começarem?

E depois é levado para o Village, a área VIP de Roland Garros e é parado por Boris Becker, John McEnroe e Mats Wilander e homenageado dentro do “stand” da FFT.

Guga ganhou uma nova réplica da quadra com o desenho de um coração no vidro, ouviu um belo discurso de Guy Forget, recebeu os cumprimentos do Presidente da FFT atual, Bernard Giudiccelli e do antigo, Jean Gachassin, lembrou da sua equipe, da mãe que está com ele em Paris, do técnico Larri Passos e foi ainda agraciado com a presença do Braguinha (Antônio Carlos de Almeida Braga), com mobilidade bem limitada, que fez questão de passar por Roland Garros para cumprimentar o amigo.
Thomaz Koch também passou por lá para abraçar o compatriota.

Durante a tarde as aparições continuariam e no domingo, dia da final, antes da grande decisão masculina começar ele receberá o Anel do Hall of Fame, na Philippe Chatrier, acompanhado de outros grandes da história do esporte.

Veja abaixo alguns trechos da entrevista do brasileiro em Roland Garros, ao lado do também embaixador do Hall of Fame, Stan Smith:

As more the time goes away, after 20 years, I believe it’s a proper timing to analyze more deeply. You can see clear that is not one human being title or triumph. It’s many life involved. It’s a lot of efforts and
achievements that’s today I believe we celebrating the happening.

You know, it’s not only Guga that’s amazing guy. I’m sure it’s not coincidence that Diana is here. She was together with us and Larri and my mother that’s around here. What’s different now that I have two
sons? They can enjoy? I make sure they come over so they will be around today, too, for flavoring.
I believe what stick to us is the feelings, you know. The shots, they are there. We can see at the video. But the feelings, they remain with us forever

Actually, we come here to win one match, ’97.

One match was enough. I never had passed the second round in any Grand Slams. I had played three in all my life. So this was a kind of run you normally don’t see.
Still these days I can tell how it happens, just seeing the matches, analyze a little, but you cannot explain, you know, deeply.
But we were somehow prepared. We came here with a lot of desire on this way and very young. So we just, so funny. Was the happiest Roland Garros I played in my life. Also, because I didn’t know what all
this meaning.

’97, I start to discover new worlds or galaxy every single day.
Every match I face, from Bjorkman to Muster, then Medvedev, Kafelnikov, the semifinal against Dewulf, and finally getting Bruguera at the end, it’s like, Oh, man, this exists. I can be part of it.
Because as Brazilian, also sometimes for us it’s a different approach. Because tennis, now it’s more universal. But before it used to be more local successful, acquired by the United States or Europe,
Australia.
So for us as Brazilian, we dream of bigger ball. We have also believe we have success much more in soccer, but tennis was very hard to imagine.
And certainly getting here was trying also to prove myself that could happen to us. Nobody expects, even Larri that was the most optimist from all of us, expect us to go farther than the second week or fourth round, something like this, and it would be already celebrating time.
But at the same way, we were celebrating hard, very satisfied, but not accommodate every single round, which, why we don’t try a little bit more and see what happen?
Sometimes I told was perhaps my last chance. I didn’t have the truly, deeply belief that I was part of this great players. I just said — and even today, to listen, the players that we are there, the Hall of Fame,
that already received the ring, it’s very emotional to hear these words and to think like we are able to get to this select and privilege players to flavor this had happened.
So we, as it happened ’97, we came here to our playground to have fun, to discover
My grandmother arrive on the semifinal. She look around, she say,
Oh, it’s nice here. That’s how we dialogue with the French Open.
It’s the only chance I had, because if I knew a little bit deeper, it’s scary, as you know. First time I went to Court No. 1 and then Suzanne Lenglen and finally to the central court, it’s a world to try to control.
And the kids, 20-year-olds coming, you know, hair all around and the clothes. Now it’s better. Lacostehelped me a lot in this yellow and blue shirt, and this tennis player, Brazil, is no-sense story. But with a lot
of belief, I think this was the difference.
We really believe it was possible. That’s the only way
you are able to do it.

Diana Gabanyi

Foto de Cynthia Lum

Especial Guga97 – Na era do Fax

Difícil de imaginar neste mundo completamente digital que 20 anos atrás a nossa comunicação era feita por fax, por telefonemas de telefone fixo – ninguém viajava com celular e uma ligação internacional era caríssima.

Nestes tempos de comemoração dos 20 anos do primeiro título do Guga em Roland Garros, foram várias entrevistas que acabaram fazendo a gente refletir, lembrar momentos marcantes e pensar como era a vida naquela época.

Outro dia me perguntaram como eu acompanhava os resultados, já que não se transmitia Grand Slam como hoje em dia, desde a primeira rodada e um dia todo de jogos, de manhã até de noite, com direito a programa especial no fim da jornada, como o Ace BandSports ou o Pelas Quadras da ESPN.

E eu não soube responder. Depois fui perguntar em casa e para o Paulo Carvalho, empresário do Guga praticamente até o fim da carreira. E chegamos a conclusão que esperávamos o Larri ou o Guga ligar; ou entrar algum flash na televisão – das quartas-de-final pra frente todos os jogos foram transmitidos ao vivo. Lembro até do Chiquinho Leite Moreira me ligando empolgadíssimo de Paris para me contar as novidades.

Das quartas em diante eu já estava lá.

Mesmo assim, até chegar o contato com o Guga e o Larri era feito via telefone do Hotel Mont Blanc. Depois eu escrevia o release e distribuía por fax para as redações de jornais. Os jornalistas que queriam falar comigo, enquanto estava no Brasil, me ligavam. Depois que eu cheguei em Paris praticamente virei a telefonista do Hotel Mont Blanc, atendendo todos os telefonemas (99% era de gente atrás do Guga), ou falavam comigo em Roland Garros.

Era uma era diferente. Para dar alguma informação eu tinha que passar um fax ou atender o telefone. E eram  umas 200 ligações por dia, sem exageros. Só depois passamos a viajar com internet discada e a distribuir releases por email.

Nesta entrevista em vídeo para a Revista Veja dá para ter uma boa noção como 20 anos tecnologicamente falando fizeram uma revolução no método de se comunicar.

Diana Gabanyi

 

João Ferreira e Nathalia Gasparin vencem o Rendez Vous a Roland Garros

O Rendez-Vous à Roland-Garros concluiu neste domingo a sua terceira edição com a paranaense Nathalia Gasparin e o mineiro João Ferreira conquistando o título e a ida a Paris para encarar nos dias 26 e 27 de maio os campeões de China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia e Japão em busca de uma vaga na chave principal do torneio juvenil de Roland-Garros.

João Ferreira e Nathalia Gasparin vencem o Rendez Vous a Roland Garros

Nathalia Gasparin garantiu o troféu do Rendez-Vous à Roland-Garros e a ida a Paris ao vencer a também paranaense Vitória Okuyama, sua parceira de duplas e companheira de treinos no Clube Curitibano, com parciais de 6/0 6/4.

Em um duelo que é frequentemente equilibrado, Nathalia conseguiu ter o controle da partida desde o primeiro set e aproveitou as chances que teve para levar vantagem. “Eu comecei super concentrada, focada já ponto a ponto, super determinada. Joguei super bem o primeiro set, não estava errando nada. O segundo foi mais duro, mas me mantive sempre focada e estou muito feliz pela minha vitória”, afirmou a campeã.

Depois de evitar até a final falar sobre a possibilidade de ir a Roland-Garros, com a vitória ela pôde finalmente comemorar a ida à França. “Agora posso falar que vou. É uma oportunidade única, vou tentar dar o meu máximo lá também igual eu fiz aqui e tomara que eu consiga ganhar lá também. Nunca fui e a expectativa para conhecer é grande!”, finalizou.

João Ferreira conseguiu o título ao vencer o brasiliense Gilbert Klier Junior, cabeça de chave número 2, por 2 sets a 1, com parciais de 7/6(6) 0/6 6/2. “Estou feliz em ganhar o Rendez-vous à Roland-Garros aqui em Floripa, foi uma semana incrível, consegui jogar muito bem, foi um jogo bem duro, comecei perdendo, mas estava com um jogo bem sólido e consegui virar. O terceiro set foi bem duro, meu físico prevaleceu durante o jogo também, estou muito feliz. Foi uma semana com gostinho diferente por ser RolandGarros, serve como um  motivo a mais para eu continuar treinando e chegar em Roland-Garros melhor do que eu estava aqui”, disse emocionado João Ferreira.

A decisão do terceiro lugar, que serve para definir a substituição em caso de o tenista não poder ir ou entrar diretamente na chave juvenil de Roland-Garros, foi vencida pelo carioca Christian Oliveira no masculino e pela paulista Alexandra Silva.

A cerimônia de premiação do torneio, logo após as finais, contou com a presença do  o tricampeão de Roland-Garros, Gustavo Kuerten. Guga destacou que a sua primeira conquista de Roland-Garros foi na chave juvenil do grand slam parisiense, em 1994, ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti. “Para essa garotada isso aqui é fundamental, pois o dia a dia deles é difícil, é duro. Tem toda a simbologia, o sonho de Roland-Garros, é um estímulo, mais gasolina para voltar para as quadras e uma esperança e tanto para quem vai, quem experimenta esse gostinho de saborear Roland-Garros. Os garotos precisam disso para sobreviver, para suportar os técnicos no dia a dia, ter empenho dentro da quadra, nos estudos, essa fase de 15, 16, 17 e 18 anos começa a afunilar, é difícil, pelo menos aqui é uma sobremesa que eles podem sentir o gostinho e levar para casa”, disse Guga Kuerten.

Rendez-Vous à Roland-Garros: Esta foi a terceira edição do torneio no Brasil. Foram quatro dias de jogos, com 32 tenistas juvenis dando o seu melhor em busca da conquista que premia o melhor menino e a melhor menina para jogar em Paris a “Final entre as Nações”. Nas duas primeiras edições foram dois brasileiros que ganharam a final entre as nações masculina, nas quadras de saibro de Paris e entraram na chave principal de Roland-Garros Junior: Rafael Wagner (2016) e Gabriel Decamps (2015). Este último, Gabriel, após a oportunidade de jogar Roland-Garros Junior obteve um crescimento em sua performance, chegando a Top 17 do mundo e neste ano de 2017 terá ranking para entrar diretamente da chave principal do grand slam juvenil parisiense.

“O torneio foi muito importante para a minha carreira. É um torneio justo e importante para achar novos talentos. Gostaria de agradecer e parabenizar a CBT e a FFT pela iniciativa”, fala Rafael Wagner, vencedor da final das nações em 2016.

Pela primeira vez em Florianópolis, ele comemorou a passagem dos 20 anos da primeira conquista de Gustavo Kuerten em Roland Garros. Foi na quadra 7 do Lagoa Iate Clube que Guga fez o seu último treino antes de embarcar para Paris, para se consagrar pela primeira vez o campeão de Roland-Garros, em 1997.

Neste ano foi criado, pela primeira vez, para a classificação, o “Road to Rendez-Vous à Roland-Garros”, com os rankings do Circuito Centro-Oeste, Circuito Paulista, Circuito Rota do Sul, Circuito Sudeste e Circuito Sul-Brasileiro.

O Circuito Regional aconteceu no mês de janeiro e a disputa foi equilibrada. Tenistas de vários estados participaram em busca da liderança no ranking da categoria 18 anos, sendo que no Centro-Oeste e Rota do Sol, a classificação feminina se deu pelo ranking de 16 anos. Os rankings contaram apenas os resultados de simples de cada torneio e no Sudeste foi usada a pontuação de duplas para desempate.

O Brasil em Roland-Garros Junior:

A tradição do tênis profissional brasileiro em Roland-Garros também se estende na chave juvenil do grand slam. Um levantamento feito pela Confederação Brasileira de Tênis mostra que desde Guga Kuerten, que foi campeão em duplas juntamente com o equatoriano Nicolas Lapentti em 1994 na chave juvenil do torneio, mais onze tenistas brasileiros chegaram às semifinais ou quartas-de-finais das disputas juvenis de Roland-Garros Junior: Flávio Saretta em 1998, a dupla Thiago Alves e Bruno Soares em 2000, Fernando Romboli em2007, Guilherme Clezar em 2009, Tiago Fernandes em 2010, Thiago Monteiro em 2012, Bia Haddad Maia em 2012 e 2013, Marcelo Zormann, Luiza Stefani, Orlando Luz e João Menezes em 2014 e Orlando Luz em 2016. Além disso, dois tenistas brasileiros da categoria de base foram campeões da Final entre as Nações do “Rendez-vous à Roland Garros”: Rafael Wagner (em 2016) e Gabriel Decamps (em 2015), sendo que Decamps agora em 2017 terá ranking para entrar diretamente na chave principal do grand slam francês.  Este torneio é promovido no Brasil pela Federação Francesa de Tênis e pela Confederação Brasileira de Tênis no Brasil, dando oportunidade dos vencedores disputarem em Paris, com tudo pago, a final entre as Nações, cujos campeões da categoria feminina e masculina garantem a entrada direta na chave principal de Roland Garros Juvenil.

Principais conquistas do Brasil em Roland Garros Junior:

2016 – Rafael Wagner ganhou a final entre as Nações do Rendez-vous à Roland Garros e entrou na chave principal do grand slam juvenil.

2016 – Orlando Luz/ Yunseong Chung (KOR) – Vice-campeões

2015 – Gabriel Decamps ganhou a final entre as Nações do Rendez-vous à Roland Garros e entrou na chave principal do grand slam juvenil. Após isso sua carreira deslanchou e chegou a Top 15 do ranking mundial juvenil (ITF)

2014 – Orlando Luz – Semifinalista

– Orlando Luz/João Menezes – Semifinalistas

– Luiza Stefani/Renata Zaragua (MEX) – Semifinalistas

– Marcelo Zormann – Quadrifinalista

2013 – Bia Hadad Maia/Domenica Gonzalez (ECU) – Vice-Campeãs

2012 – Bia Hadad Maia/Montserrat Gonzalez (PAR) – Vice-campeãs

– Thiago Monteiro/Gianluigi (ITA) Semifinalista

2010 – Tiago Fernandes – Quadrifinalista

2009 – Guilherme Clezar/Liang-Chi Huang (CHI) – Vice-campeões

– Guilherme Clezar – Quadrifinalista

2007 – Fernando Romboli – Quadrifinalista

2000 – Thiago Alves/Bruno Soares – Semifinalistas

1998 –Flávio Saretta – Quadrifinalista

1994 – Gustavo Kuerten/Nicolas Lapentti (ECU) – Campeões

Sobre Roland-Garros

Os adeptos do desporto e do público em geral têm ido se deliciar em Roland-Garros. Cerca de 455 621 espectadores foram ao prestigiado Aberto da França em 2016, e o torneio também foi transmitido em mais de 220 territórios em todo o mundo, tornando-se um evento de importância verdadeiramente global. Roland-Garros é dirigido pela Federação Francesa de Tênis e realizado a cada ano no Porte d’Auteuil em Paris. É o único Grand Slam a ser jogado em saibro – uma das superfícies mais antigas e nobres da história do tênis.

Guga será embaixador do Hall of Fame

No próximo dia 02 de junho, Guga participará de um anúncio sobre o novo papel que o tricampeão de Roland Garros irá desempenhar no Hall da Fama Internacional do Tênis, como embaixador. O anúncio oficial será realizado durante uma coletiva de imprensa, no Village, na suíte da Lacoste, em Roland Garros, com a presença do CEO da instituição, Todd Martin e outros convidados do Hall.

Guga será embaixador do Hall of Fame

Em 2012, Guga foi eternizado no Hall da Fama Internacional do Tênis, num evento realizado na sede da organização (Newport-EUA), que preserva e celebra a história do tênis, homenageando os grandes campeões.

Wawrinka surpreende e é campeão de Roland Garros

Djokovic esperou um ano para ter uma nova chance de ganhar Roland Garros. Há semana e semanas ele era tido como o favorito para erguer o Trophee des Mousquetaires. Mas, ele terá que aguardar mais 12 meses para tentar completar o Grand Slam. A vitória ficou com o suíço Stan Wawrinka. Em quinzena inspirada, ganhou de Federer nas quartas, de Tsonga na semi e do quase imbatível sérvio na final, por 4/6 6/3 6/4 6/4.Wawrinka é campeão de Roland Garros
Treinado por Magnus Norman, Wawrinka recebeu o trofeu das mãos de Gustavo Kuerten, que foi recebido com gritos de “Guga, Guga, Guga.”

O brasileiro, curiosamente derrotou Norman na final 15 anos atrás. “Esse trofeu também é para você,” dedicou Wawrinka na cerimônia de premiação.
Este foi o segundo título de Grand Slam do suíço, campeão do Australian Open no ano passado.
Número um do mundo, Djokovic não perdia desde fevereiro, quando foi derrotado por outro suíço, Roger Federer na final de Dubai.

“Perdi para um jogador que foi melhor, jogou um tênis corajoso e que mereceu vencer,” disse Djokovic, que foi às lágrimas na cerimônia de premiação com a ovação de 2 minutos do público na Philippe Chatrier.
Desde 2005, quando a Era Nadal começou em Paris, Wawrinka é apenas o segundo jogador diferente a erguer o Trophee des Mousquetaires. O outro foi o compatriota Federer em 2009.

Wawrinka campeão de Roland Garros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dias atrás Wawrinka, que venceu o torneio juvenil em Paris em 2003, chegou a afirmar que ganhar Roland Garros para ele era algo bem distante “Eu via os outros jogadores ganhando e achava que eram todos mutantes.”

Hoje, com o Trophee des Mousquetaires na mesa da sala de entrevistas de Roland Garros, junto a seu shorts que deu o que falar, Wawrinka confessou que não achou que fosse vencer outro Grand Slam e que não esperava jogar tão bem a final. “Está difícil de acreditar. Não imaginava ir tão longe na minha carreira e jogar uma final desta maneira. Não demonstrei, mas estava bem nervoso.”

Diana Gabanyi

Fotos de Cynthia Lum

Os “années Guga” serão inesquecíveis em Roland Garros

Os anos passam, Rafael Nadal ganha, ganha de novo e de novo, mas Gustavo Kuerten continua sendo o queridinho, o “chou chou” não só do público francês, mas também da Federação Francesa de Tênis.
Les Années Guga serão inesquecíveis em Roland Garros
Depois de ter sido recebido com um elegante coquetel e um chorinho no Le Club, um dos espaços Vips de Roland Garros, na noite de sexta-feira, com direito a bolo, abraços do Presidente da FFT, Jean Gachassin, vídeos dos momentos marcantes da carreira em Paris e a presença de amigos e jornalistas que fizeram parte da sua história, Guga concedeu uma longa entrevista coletiva no “Main Interview Room,” da área de imprensa do torneio.

Desde 2008, quando disputou o último joga da sua carreira, diante de Paul Henri Mathieu, Guga não se sentava na sala de entrevistas de Roland Garros.

Quando a entrevista começou, com apresentação do Guy Forget, veio um Flash Back.

Quantas vezes sentamos nesta mesma sala de entrevistas depois dos jogos, ou antes mesmo de Roland Garros começar, quando havia a entrevista do campeão (antigamente só os campeões  / defending champions – davam coletivas oficiais, não havia media day).
E como acontecia antigamente, Guga ficou horas falando, com respostas longas e em inglês primeiro, depois português / espanhol. Atendeu também as TVs ao fim da coletiva, especialmente o World Feed, que gera imagens e entrevistas para o mundo inteiro.
Atendeu todo mundo que pediu, deu até entrevista na área externa, com o público gritando o seu nome.

Durante a entrevista, mencionou o meu trabalho com ele. É foram muitos anos, do começo ao fim da carreira e assim como para ele, Roland Garros também faz parte da minha história.

Vim aqui pela primeira vez em 1997. Estava no meu último ano da faculdade e com pouquíssima experiência no trabalho de PR, assessora de imprensa, Publicist ou como queiram chamar. Vim no jogo contra o Kafelnikov e passei por tudo o que aconteceu com o Guga aqui.
Assim como ele cresceu em Roland Garros e se tornou quem é hoje, o torneio continua sendo a minha referência.

Aqui passei os momentos mais especiais da minha carreira. Não eram fáceis. A pressão era grande. Os pedidos de entrevistas nacionais e internacionais eram intermináveis, os de ingressos também e ainda tinha que escrever releases, muitas vezes em duas línguas, atualizar site, fazer fotos e passar informações que hoje são amplamente e imediatamente divulgadas, como horários de treinos, de jogos, resultados, head to head, entre outros.

Aqui construí a minha base de trabalho. Aprendi com jornalistas, com o torneio, com a Federação, com o Guga.

Já se passaram 18 anos do primeiro título. Este ano faz 15 do segundo e ainda parece que foi ontem.
Amizades duradouras foram construídas neste período, memórias foram se acumulando, dentro e fora de Roland Garros e ssão claras, como se tudo tivesse acontecido ontem.

E para o pessoal de Roland Garros também.
Ontem comentávámos isso no jantar e cada vez que entro aqui tenho essa sensação.
O efeito Guga em Paris ainda é vivo.

Ele mesmo lembrou de quando começou a ter essa conexão com o público francês, durante a sua coletiva que marcou o lançamento do seu livro Guga, um Brasileiro, paixão francesa, em francês, que a primeira vez que sentiu a conexão com o público francês foi durante a partida contra Thomas Muster, em 1997.
Eu estava perdendo de 3/0 no 5o. set. Comecei a virar o jogo e o público a gritar Allez Guga. Foi aí que senti essa conexão.
Conexão que nunca mais terminou.

Hoje não sento mais na mesa número 1. Mudaram todos os brasileiros para a Sale de Presse número 2, ao lado. Mas, a sensação de que o lugar é especial e de que Roland Garros faz parte da nossa história permanece.

Não há quem passe por mim ou pelo Chiquinho Leite Moreira, que este ano completa 30 anos de Roland Garros, e não conte ou relembre alguma história com o Guga aqui.

Les Annés Guga serão eternos.

Diana Gabanyi

Foto de Cynthia Lum

No dia do aniversário, Guga lança autobiografia em SP

Guga lança autobiografia

Gustavo Kuerten comemorou o 38º aniversário de maneira especial, lançando o seu livro Guga, Um Brasileiro (Editora Sextante), ao lado da família e amigos do tênis, na Livraria Cultura na Avenida Paulista.

Com prefácio da mãe, Alice Kuerten, o livro de 383 páginas divididas em 40 capítulos conta a trajetória de Guga desde a infância até os dias de hoje, passando claro pelos principais momentos da carreira, as três conquistas de Roland Garros e a Masters Cup em Lisboa.

Durante entrevista coletiva, nesta quarta, Guga explicou o porquê do nome do livro “Eu sou um brasileiro como todos esses que nascem todos os dias aqui no nosso país. Alcançar o que alcancei não dependeu só de mim, mas de muita gente e de um monte de coisas. Sei que é bem mais difícil para nós, brasileiros, do que para alguém de fora. Mas é possível.” Guga espera que o livro sirva de inspiração para muita gente.

Um brasileiro que conquistou o mundo, se tornou o melhor do planeta, entrou para o Hall da Fama do tênis, virou o queridinho dos parisienses, posto que até hoje nem mesmo o nove vezes campeão, Rafael Nadal, conseguiu tirar.

Guga fala da parceira com Larri, o segundo pai, dos momentos difíceis na carreira, da família, lembra as amizades especiais com Carlos Moyá e Nicolas Lapentti e entre muitas outras coisas, fala também do nosso trabalho, na época uma inovação no circuito ter uma assessora de imprensa viajando com um jogador.

Momento especial para o tênis brasileiro ter tudo o que o Guga conquistou agora registrado em um livro, com tiragem inicial de 100 mil exemplares.

O livro será vendido a R$ 39,00 e na versão e-book a R$ 24,00

Diana Gabanyi

US Open – Brasil vive momento único nas duplas

Não vamos nos acostumar mal e achar que é normal. Vamos aproveitar este momento único na história do esporte brasileiro, com os tenistas de duplas disputando finais de Grand Slam, como faz o mineiro Bruno Soares, ao lado do austríaco Alexander Peya, no US Open, neste domingo, contra Leander Paes e Radek Stepanek.

bruno soares us open

O tênis brasileiro está vivendo um momento mágico nas duplas. É o segundo Grand Slam seguido que temos um tenista do Brasil na final. A 2ª melhor parceria do mundo tem um brasileiro – Bruno Soares – e a 10ª – Marcelo Melo – também. Temos 6 jogadores entre os top 100: Soares (4º), Melo (14º), Sá (68º), Demoliner (76º) e Souza (93º). E Melo ainda deve subir de posição quando os novos rankings forem divulgados na segunda à noite. Temos enormes chances de contar com dois brasileiros no ATP Finals, em Londres.

Bruno Soares, 31 anos, está vivendo essa fase de resultados espetaculares desde que conquistou o primeiro Grand Slam da carreira, há um ano, neste mesmo US Open, nas duplas mistas.

De lá para cá foram quatro títulos no fim de 2012 e mais cinco este ano, incluindo o primeiro trofeu de Masters 1000 (Canadá) e outras três finais. Esses bons resultados incluem ainda a semifinal de Roland Garros nas duplas e o vice-campeonato nas duplas mistas.

Sim, esta será a terceira final de Grand Slam de Bruno Soares e a primeira nas duplas. A segunda final seguida no US Open.

Marcelo Melo, que perdeu a semifinal em New York, com Ivan Dodig, para Bruno Soares, já disputou duas finais de Grand Slam. Foi vice-campeão de duplas mistas, em 2009, em Roland Garros e vice de Wimbledon, neste ano.

É tão difícil chegar à uma final de Grand Slam, que o Brasil demorou 08 anos, entre o título de Gustavo Kuerten em 2001, em Roland Garros e o vice de Melo, nas mistas, em 2009.

É tão raro vencer um Grand Slam, que até hoje, entre os brasileiros, apenas Maria Esther Bueno, Thomaz Koch, Guga e Soares ergueram o tão cobiçado trofeu.

Por isso, não vamos nos acostumar mal, achando que é normal assistir jogo de duplas na televisão e ver brasileiro na cerimônia de premiação. É raríssimo e eles devem ser festejados e reverenciados.

Nos acostumamos tão mal com Guga como número um do mundo e beijando o Tropheé des Mousquetaires, em Paris, que hoje parecemos apreciar – inclusive ele – muito mais o que ele fez, do que na época. Parecia normal, mas não é.

O que essa turma de duplistas está jogando de tênis é que é fora do normal.

Diana Gabanyi