Jogando e estudando nos EUA, Ingrid Martins quer ter boa formação sem largar o circuito profissional

ingrid-gamarra-martins-2-peqAos 20 anos de idade, a carioca Ingrid Gamarra Martins, que começou a jogar tênis com apenas 4 anos, é mais uma que se diz realizada com sua escolha profissional: ir para os Estados Unidos estudar e jogar o circuito de tênis universitário.

Estudando Tecnologia da Informação na University of South Carolina, em Columbia, desde o ano passado, ela nos contou como foi o processo de conhecer o que seria o circuito universitário dos EUA e a tomada de decisão:

“Decidi ir pros EUA em março de 2015. Eu estava jogando um Future, meu pai estava lá, meu psicólogo, que ficou dando exemplos de jogadores que foram, tiveram a carreira bem sucedida e ainda jogaram tênis profissional depois. Começamos a pesquisar muito pra ver como era lá, não entendia nada, nossa visão era diferente do que realmente é lá e começou por ali.”

Ingrid contou também que treinava com Ricardo Acioly, o Pardal – entre outras coisas, ex-capitão do Brasil na Copa Davis e diretor de relações institucionais do Rio Open – que se formou nos Estados Unidos e ajudou a abrir portas. Vale destacar que ela também teve apoio do Daquiprafora, umas das principais empresas no assessoramento de atletas e estudantes para universidades nos Estados Unidos:

Treinava com o Pardal e ele se formou nos EUA.  A primeira coisa foi conversar com ele que deu opções de universidades, ajudou muito. Foi tudo muito rápido, fiz todos os testes de idiomas. Tive que começar aulas de inglês, que eu sabia falar de viajar, de escola, mas não fluentemente. Foi a decisão mais difícil, mas a mais certa que eu fiz. É meio clichê, mas foi a melhor escolha que eu fiz na vida.” afirmou Ingrid.

Com a decisão, foi a vez de encarar o desafio de ir pra outro país, morar sozinha e em um ambiente muito diferente ao que estava acostumada. No começo, não foi fácil e muitas mudanças foram percebidas:

“Eu não conhecia nada. As meninas do time, o técnico, foi tudo novo pra mim. Indo morar em um país diferente, sozinha. A maior dificuldade foi o inglês e o lance de equipe. Eu estava acostumada a jogar torneios individuais, viajar sozinha. Cheguei lá e era um esporte individual que passou a ser coletivo. Individual só na quadra.” disse Ingrid, completando: “ Tive que saber lidar com as dificuldades, não pensar só em mim, ter que tomar decisões não só pra mim, mas visando o time e lidar com os técnicos de uma outra cultura, meninas de uma outra cultura. Foi difícil no início, mas eu sentia que estava crescendo como pessoa e como atleta também.”

Ingrid deixa claro que sua pretensão para depois de se formar é se dedicar ao circuito profissional, no qual chegou a ser nº 723 da WTA, com a diferença, é claro, de ter um diploma de muita qualidade em mãos. Por isso, a escolha da Universidade foi um diferencial:

“Fui lá conhecer um pouco (a Universidade), conversei com os técnicos, gostei da postura deles, o objetivo, como tratavam o tênis universitário, a equipe. Escolhi porque quero jogar tênis profissional, quero ter um treinamento intensivo e ter oportunidade de estudar lá. Então, foi a melhor opção pra ter esse treino, crescer no tênis e ao mesmo tempo, crescer na vida.” disse a carioca.

Essa sua intenção fica clara quando se observa que ela continua jogando alguns torneios profissionais durante o ano, como fez em Charleston, em outubro, ITF no qual ficou com o vice-campeonato:

“Esse ano não joguei muitos ITF, pois a carga de torneios é muito alta, o nível é muito alto. Nas férias, de junho a agosto, com certeza tento jogar o máximo de torneios por perto até pra continar jogando profissional. Não vou deixar de jogar quando posso, mas tenho que cumprir meu papel na universidade, dar meu máximo lá.”

Neste ano, Ingrid esteve em uma lista elaborada pelo Universal Tennis Ranking, um sistema de ranking que abarca jogadores de todo o mundo, em 16 níveis diferentes dos iniciantes ao profissionais, com base em resultados dos jogos reais sem levar em conta idade, sexo ou onde os jogos são disputados, um reconhecimento dos seus bons resultados defendendo sua Universidade:

“O processo de reconhecimento levo como consequência do trabalho. Sei que se trabalhar, vou ter resultados no futuro. Levo na boa, pego como motivação pra trabalhar mais firme e conseguir mais coisas, não só pra mim, mas pra universidade.”

Por fim, ela fez questão de recomendar a experiência que está vivendo para aqueles que estão em dúvida se optam ou não pelo circuito universitário norte-americano.

“Recomendo pra todo mundo o tênis universitário. É um processo da vida, muito importante pro crescimento da pessoa e do atleta. Nos EUA, tem muitas universidades, cada uma com seu tipo, umas mais focadas no estudo, outras mais no tênis, então é só ver o seu perfil, pesquisar bastante as universidades e ver o que é melhor pra você. Não tem como não gostar. A estrutura é incrível, eles dão todo suporte pra você crescer em todos os aspectos e com certeza é uma oportunidade. Pra todos os brasileiros que puderem ir pra lá, eu recomendaria, com certeza. Claro que não é fácil no começo, muito estudo no início pra passar nas provas, muitas dúvidas na cabeça, mas é só esse processo inicial, depois fica tudo mais fácil.” concluiu.