Especial 20 anos do tri: Guga salva match-point em jogo histórico contra Russell e chega às quartas em Paris

Release enviado após a quarta partida do Guga na campanha do tricampeonato em Roland Garros, no dia 04 de junho de 2001.

Brasileiro teve a vitória do coração.

Gustavo “Guga” Kuerten está nas quartas-de-final de Roland Garros. Com uma vitória emocionante, à base de muita luta, Guga virou um jogo praticamente perdido e venceu o norte-americano Michael Russell, por 3 sets a 2, parciais de 3/6 4/6 7/6 (3) 6/3 6/1, em um espetáculo de 3h25min de duração, na quadra central de Roland Garros, que terminou com o brasileiro ajoelhado no meio de um coração, que ele mesmo desenhou. Na terça-feira, em horário ainda indefinido, Guga enfrenta o russo Yevgeny Kafelnikov, em busca de uma vaga na semifinal do Grand Slam.

Atual campeão do torneio, Guga acordou cedo neste domingo para enfrentar o norte-americano. Quando a partida começou o termômetro marcava 11o.C na quadra Philippe Chatrier e o vento fazia a temperatura parecer ainda mais fria. Guga saiu sacando, mas perdeu o seu serviço no terceiro e no quinto game, deixando Russell fazer 5/1. No 5/2, Guga devolveu uma quebra, mas não foi suficiente para reverter a situação do set e no game seguinte, no saque de Guga, com uma direita paralela, Russell fez um set a zero.

No segundo set, a partida seguiu equilibrada até o 3/4, quando Guga perdeu o seu saque. No game seguinte, o catarinense devolveu a quebra, mas no 4/5 não conseguiu manter o seu serviço novamente e com outra bola paralela, desta vez de esquerda, Russell fez 2 sets a 0.

Na terceira série, o norte-americano que veio do qualifying, parecia estar ainda mais no jogo, continuando a jogar bolas na linha e a estragar qualquer tipo de jogada que Guga tentava fazer. No 2/3 ele quebrou o serviço do número um do mundo e fez 2/4. Em seguida, sacou e fez 2/5 e no 3/5 sacou para ganhar a partida e esteve bem perto disso. Guga teve dois break points, não converteu e Russell chegou ao match point. Depois de um ponto muito disputado, com uma bola na linha, Guga escapou de deixar a quadra e aí sim conseguiu quebrar o saque do norte-americano e levar a decisão do set para o tie-break. Confiante depois de haver vencido um set no tie-break no jogo contra Alami, Guga não deixou dúvidas de que não queria entrar no avião e voltar para o Brasil. Entrou firme na hora do desempate e com uma devolução de saque para fora de Russell, fechou a série, com 7/3 no tie-break.

Um pouco mais aliviado no quarto set e jogando mais solto, Guga ficou adiante no placar do jogo pela primeira vez ao quebrar o serviço de Russell no segundo game e só precisou manter o seu saque para empatar o jogo em dois sets. Com um ace Guga fechou a série e entrou no quinto set, em que conseguiu três quebras de saque para vencer a partida, no primeiro, quinto e último game. No 5/1, no segundo match point, Guga cravou um smash na quadra e celebrou uma das maiores vitórias de sua carreira.

Emocionado, Guga desenhou um coração na quadra de saibro com a sua raquete, ajoelhou no meio dele e agradeceu a torcida que o apoiou durante toda a partida.

“Eu sou muito emotivo e hoje tive uma das melhores sensações da minha vida em uma quadra de tênis. Foi muito especial e talvez um dos dias mais felizes que eu já tive,” disse Guga, que não planejava desenhar o coração na quadra. “Foi uma coisa do momento. Eu estava com uma sensação incrível que eu não tenho muitas vezes e foi a maneira que eu encontrei de agradecer ao público, que influenciou muito a minha vitória de hoje.”

Sem nunca ter enfrentado Russell antes na carreira, Guga contou que encontrou dificuldades com o jogo do norte-americano no início do jogo. “Ele jogou o melhor tênis dele numa situação muito difícil. Eu nunca tinha jogado com ele e estava mais defensivo do que agressivo. Ele estava me frustrando e bloqueando todo o tipo de jogada que eu tentava fazer, até que chegou um momento em que eu fiquei mais tranquilo e saí de uma zona de segurança para uma de risco e as bolas na linha, a esquerda paralela, o saque, tudo começou a funcionar. Saí do fundo do poço para o paraíso. Na hora que estava tudo praticamente perdido, terminado a bola pegou na linha, entrou e quando o jogo terminou me senti o homem mais feliz do mundo por alguns minutos. Ganhei uma recompensa por todo o trabalho que eu venho fazendo. Muita gente me viu treinando aqui às 20h durante alguns dias e essas coisas de repente fazem a diferença e me fizeram acreditar que eu poderia ganhar.”

Feliz com a vitória, antes de iniciar as entrevistas para as televisões internacionais, Guga brincou, querendo saber se ninguem havia tido um ataque do coração no Brasil, por causa do seu jogo. “Em poucos segundos me tiraram e me colocaram de novo no torneio e agora estou aqui, nas quartas-de-final, em vez de estar arrumando as malas para entrar no avião. Já não tenho mais nada a perder e provavelmente vou jogara bem mais solto daqui pra frente.”

Esta é a quarta vez que Guga alcança as quartas-de-final em Roland Garros e a segunda consecutiva, tendo sido campeão em 1997, 2000 e quadrifinalista há dois anos. Com 11 vitórias seguidas no Grand Slam francês, Guga (Banco do Brasil/Diadora/Head/Globo.com/Motorola) voltará a competir na terça-feira, enfrentando um velho rival, campeão do torneio em 96, o russo Yevgeny Kafelnikov (7o. colocado no ranking mundial e 8o. na corrida dos campeões), de quem ganhou nas duas vezes em que ergueu o troféu de campeão em Paris, também nas quartas-de-final. “Já vou entrar na quadra com essa vantagem,” brincou ele, que no total, já enfrentou Kafelnikov oito vezes, vencendo cinco, inclusive a última, no Masters Cup de Lisboa.

Tenista número um do mundo e terceiro colocado na Corrida dos Campeões, Guga já garantiu 250 pontos no ranking mundial e outros 50 na Corrida. Se passar por Kafelnikov fica com 450 e 90, respectivamente.

TORCIDA ESPECIAL

Além do apoio da torcida francesa, do irmão Rafael, do técnico Larri Passos, Guga contou com uma força a mais neste domingo em Roland Garros. O cavaleiro Rodrigo Pessoa e o jogador de futebol Leonardo estavam acompanhando a partida do número um do mundo na Tribuna Internacional, ao lado também do cantor e compositor Marcelo.

Conhecido de Guga, Pessoa veio esta manhã de Bruxelas para prestigiar o catarinense e antes do jogo começar conversou bastante com Rafael.

Já Leonardo, conseguiu um convite com amigos e encontrou Guga depois do jogo. Os dois almoçaram juntos no restaurante dos jogadores, que fica embaixo da quadra Philippe Chatrier.

GUGA X KAFELNIKOV – Confrontos Diretos
1996 ATP Tour de Stuttgart / saibro Kafelnikov d. Guga 6/1 6/4
1997 Roland Garros / saibro Guga d. Kafelnikov 6/2 5/7 2/6 6/0 6/4
1998 New Haven / rápida Kafelnikov d. Guga 6/4 6/4
1999 Masters Series Indian Wells / rápida Guga d. Kafelnikov 0/6 7/6 6/3
1999 Masters Series Roma / saibro Guga d. Kafelnikov 7/5 6/1
2000 Roland Garros / saibro Guga d. Kafelnikov 6/3 3/6 4/6 6/4 6/2
2000 Olimpíadas Sydney / rápida – Kafelnikov d. Guga 6/4 7/5
2001 Masters Cup Lisboa / rápida coberta Guga d. Kafelnikov 6/3 6/4

Há 20 anos, Guga vencia Coria no início da campanha rumo ao tri de Roland Garros

Release enviado após a primeira partida do Guga na campanha do tricampeonato em Roland Garros, no dia 29 de maio de 2001.


GUGA ESTRÉIA BEM EM ROLAND GARROS

Gustavo “Guga” Kuerten fez uma estréia perfeita, nesta segunda-feira, no torneio de Roland Garros. Na quadra central onde duas vezes ergueu a taça de campeão em Paris, Guga derrotou o argentino Guillermo Coria, por 3 sets a 0, parciais de 6/1 7/5 6/4, em 1h46min de disputa. O próximo adversário do brasileiro é o também argentino, Agustin Calleri. Eles se enfrentam na quarta-feira.

Tenista número um do mundo e cabeça-de-chave um em Roland Garros, Guga fez o que quis em quadra diante de Coria e mostrou que todo o trabalho feito com o técnico Larri Passos, nos últimos dias, surtiu resultado.

Atual campeão do torneio, Guga abriu a partida com um ace e logo no segundo game quebrou o serviço de Coria. No quarto game, outra quebra a favor de Guga, que abriu cinco a zero no set, quase deixando os espectadores da quadra central vendo um triplo 6/0, já que na partida anterior, Jelena Dokic havia vencido Adriana Gersi por 6/0 6/0. Mas, depois de perder cinco games seguidos, Coria confirmou o seu serviço e Guga fechou a série em 6/1, com uma direita bem próxima à linha.

No segundo set, jogando mais solto ainda e se impondo diante de Coria, Guga conseguiu a quebra no 3/3 e sacou para o set no 5/4. No entanto, foi quebrado, mas sem permitir muita reação do campeão juvenil de Roland Garros. No game seguinte devolveu a quebra e sacou para o set no 6/5, fazendo 2/0, com outro winner de direita.

Na terceira série, dando sequência aos bons games de serviço e às profundas devoluções, Guga quebrou o serviço do argentino no 3/3 e no 5/4 sacou para o jogo e comemorou, com uma bola na rede de Coria, a sua 20a. vitória em Roland Garros, em 23 jogos que disputou. Foi também a oitava vitória consecutiva de Guga no torneio, já que foi campeão no ano passado, vencendo sete jogos.

Quem também comemorou bastante a primeira vitória do ano 2001 na quadra parisiense foi o técnico Larri Passos. “Fiquei muito satisfeito com o que o Guga apresentou em quadra, especialmente na parte tática. Ele fez tudo que a gente treinou,” disse Larri, apenas lamentando o fato de o seu pupilo ter jogado com Coria, logo na primeira rodada. “É uma pena mesmo. Eu até não aplaudi muito o Guga durante o jogo em respeito ao Coria, que é um cara que eu conheço já há um tempo e considero muito. Mas, ele vai ter muitos anos para disputar esse torneio.”

Pouco mais de uma hora depois da vitória, Guga, com a felicidade estampada no rosto, disse, na entrevista coletiva, que fez uma estréia perfeita. “Joguei consistente do primeiro ao último ponto e comandei a partida o jogo todo. Já na minha primeira partida encontrei a maneira de jogar aqui e agora não preciso mais buscar confiança nos outros jogos. Eu sabia que tinha que jogar forte do começo ao fim e hoje fiz tudo o que eu havia planejado. Joguei super bem, especialmente com o meu saque.”

Durante o jogo, Guga perdeu o seu serviço apenas uma vez e em todos os outros games não deixou o adversário fazer mais do que dois pontos no seu saque. No total, ele fez 14 aces, uma dupla-falta, teve 58% de aproveitamento do primeiro serviço, venceu 81% dos pontos com o primeiro saque, fez nove winners de direita, 10 de esquerda, teve 75% de aproveitamento na rede e cometeu 36 erros não forçados.

“Para mim é sempre muito especial toda vez que eu faço uma partida aqui. Eu sinto uma vibração legal e às vezes tento até fazer de mais, mas já aprendi a lidar com isso, com toda essa expectativa e hoje em dia, quando entro na quadra consigo encontrar o meu caminho normalmente,” disse o catarinense, que na próxima rodada enfrentará um companheiro dos tempos de juvenil.

Agustin Calleri, 74o. colocado no ranking mundial e 88o. na Corrida dos Campeões, teve um dos melhores momentos da sua carreira no ano passado, em Roland Garros, quando passou o qualifying e alcançou a terceira rodada. Motivado com a campanha obteve bons resultados até o final da temporada, terminando o ano na 62a. posição.

Ele e Guga se enfrentaram apenas uma vez, no ATP Tour de Santiago, no ano 2000, nas quartas-de-final e Guga ganhou por 6/4 6/1.

“Tem muito argentino jogando bem e vou ter que encarar essa próxima partida como a de hoje contra o Coria, como se fosse outra final,” finalizou Guga.

Por ter vencido a primeira rodada, Guga marcou 7 pontos na Corrida dos Campeões, em que é o terceiro colocado e outros 35 no ranking mundial. Se passar por Calleri, fica com 15 e 75, respectivamente.

Há 20 anos, Guga chegava ao topo do ranking com o título da Masters Cup, em Lisboa

Brasileiro é o primeiro vencedor da Corrida dos Campeões

Guga acabou com a hegemonia dos norte-americanos, que desde 92, terminavam o ano como número um do mundo

Gustavo “Guga” Kuerten entrou para história mais uma vez, neste domingo, ao conquistar a Copa do Mundo de Tênis, a Masters Cup, em Lisboa, derrotando o norte-americano Andre Agassi, por 3 sets a 0, parciais de 6/4 6/4 6/4, em 2h06min de jogo. Com a vitória, Guga tornou-se o primeiro brasileiro a terminar o ano como número um do mundo, e além disso é agora o primeiro jogador da história e vencer a Corrida dos Campeões.

Tranquilo, como acordou neste domingo, Guga entrou na quadra central do Pavilhão Atlântico, sem parecer que o jogo valia o título de campeão do mundo e de número um também. Logo no primeiro game quebrou o saque de Andre Agassi, ex-número um do mundo, campeão do Grand Slam e campeão deste torneio em 1990. A vantagem foi suficiente para Guga fechar o primeiro set em 6/4, lutando muito a cada game e salvando break points inúmeras vezes, com aces e jogadas fantásticas. Na segunda série, Guga manteve a mesma calma, vibrando com seus familiares e com a torcida luso-brasileira, que lotava as arquibancadas do Pavilhão. A quebra desta vez veio no quinto game e com um ace, no 5/4 Guga fez 2 sets a 0.

No terceiro e que veio a ser o set decisivo, Guga quase perdeu seu serviço no segundo game, mas conseguiu outra vez se sair de uma situação difícil e no quinto game veio a quebra, que deixaria Guga com vantagem somente precisando controlar os nervos para vencer a partida. Na hora de sacar para o campeonato, Guga não titubeou e com uma bola fora de Agassi comemorou o seu primeiro título em quadra rápida coberta, o seu primeiro título de Campeão do Mundo e a chegada ao topo do ranking.

“Nem posso acreditar no que está acontecendo,” dizia Guga, logo após a vitória. “Se me dissessem, quando o torneio começou e depois ainda de passar aquele aperto no início, que para ser campeão eu teria que vencer o Kafelnikov, o Sampras e o Agassi, em três dias seguidos, não acreditaria. Mas fui indo aos pouquinhos, ganhando jogo por jogo, crescendo na confiança e hoje entrei com tudo na quadra,” contou Guga. “Estou realmente muito feliz. Fechei o meu ano com chave de ouro e terminei, este domingo, uma semana de sonhos.”

O técnico de Guga, Larri Passos, muito emocionado, contou que minutos antes do jogo começar, decidiu com Guga, ir para o ataque. “Optamos por ir para o ataque. Foi uma estratégia de risco, mas que felizmente deu certo. Estou muito contente e emocionado. O Guga realmente mereceu esta vitória, porque ele trabalhou muito para chegar onde chegou. Além disso, tirei um peso das minhas costas, porque fui muito cobrado no início. Agora posso desfrutar e aprendi a aproveitar os bons momentos.”

Logo depois de deixar a quadra, ovacionado pela torcida, em que agradeceu a todos os fãs, familiares, técnico e dedicou o título à mãe Alice Kuerten, Guga se dirigiu ao vestiário, que em Lisboa é pessoal de cada jogador e foi recebido, por amigos mais próximos e familiares, com champagne, caipirinha e um bolo com formato de número 1. “É estranho, realmente não acreditava que poderia ser número um. Talvez isso tenha sido bom, porque não me pressionei e quando entrei em quadra, estava muito tranquilo, como se fosse um jogo estadual. Foi um ano de muito sucesso para mim, para a ATP, com todo mundo querendo ganhar e depois de vencer o Kafelnikov, o Sampras e o Agassi, acho que realmente mereci ganhar este título. Mas, também, se tivesse perdido e o Safin ficado com o número um, não teria me importado, sei que estaria em boas mãos. O Safin foi a grande estrela desta Corrida e “brigamos” até o último momento para isso acontecer.

É muito grande para mim, é uma sensação indescritível.”

Após comer o bolo, estourar champagne, abraçar os familiares, Guga passou horas na sala de entrevista, atendendo a imprensa do mundo todo, sempre sorridente e exibindo, com orgulho, os seus troféus de campeão do torneio e o de número um do mundo. “Sempre estive na frente, no jogo. Depois de conseguir o break, me soltei e fiquei super motivado. Todo mundo sabe que eu tive problemas físicos e que eu tinha que ganhar da maneira mais rápida possível. Minha cabeça estava funcionando perfeitamente hoje, tudo estava dando certo e eu fiz uma partida incrível. Acho que acordei hoje, realmente para fazer isso. Estou muito orgulhoso de mim mesmo e de ser brasileiro. Tenho certeza que fiz um domingo feliz para todos e para mim. É o dia mais feliz da minha vida,” disse Guga, na coletiva. O brasileiro continuou a entrevista, dizendo que admirava muito Pete Sampras e Andre Agassi, que eles realmente haviam dominado o tênis na última década e o jogador e que terminar o ano desta maneira é incrível, fantástico.

E o jogador, que no passado completou o Grand Slam, ao vencer Roland Garros e terminou 99 como número um do mundo, foi pessoalmente ao vestiário de Guga, cumprimentá-lo e felicitar o técnico Larri Passos, e a família do campeão. “Só queria dizer parabéns ao Guga, pelo excelente ano, pela conquista e nos vemos na Austrália,” despediu-se Agassi.

Guga (Banco do Brasi l/ Diadora/ Head/ Globo.com/ Motorola) agora entra de férias, volta a treinar dentro de duas ou três semanas e inicia a temporada 2001, no Australian Open. “Foi sem dúvida o melhor ano da minha vida. Quero agora comemorar muito com os meus amigos e a minha família. Foi muito importante ter os meus familiares comigo aqui, todos reunidos. Eles me deram muita força a semana toda.”

Foto: Marcelo Ruschel/Poa Press

Memórias do bicampeonato: Guga bate Norman e conquista o seu 2º título em Roland Garros

GUGA É CAMPEÃO EM ROLAND GARROS

Brasileiro conquista o bicampeonato em Paris e a liderança da Corrida dos Campeões

Com um tênis espetacular, digno de melhor jogador da temporada, Gustavo “Guga” Kuerten entrou mais uma vez para a história do tênis mundial, neste Domingo, ao conquistar pela segunda vez o campeonato de Roland Garros. Para garantir a vitória, Guga teve que salvar 11 match points, diante do sueco Magnus Norman e ao fim de 3h44min pôde erguer o troféu, tendo superado Norman, por 3 sets a 1, parciais de 6/2 6/3 2/6 7/6 (6).

Campeão do torneio em 97, Guga entrou na quadra central do complexo, solto e arrasador. Saiu quebrando o primeiro serviço do sueco, que antes de perder a partida ocupava a liderança da Corrida dos Campeões, e repetiu a quebra no 2×0, chegando a fazer 4×0 em Norman. No 5/2 sacou para o primeiro set e com uma curtinha de direita fechou o primeiro set. Na Segunda série, Guga repetiu a quebra no primeiro game e novamente no quarto, abrindo 5/1. No 5/2 o sueco quebrou o serviço de Guga, mas ele devolveu em seguida, fazendo 6/3 e ficando com dois sets a zero. Na terceira série, foi Norman quem quebrou os serviços de Guga, no 2×2 e no 4×2, fechando o set em 6/2, com um ace.

O quarto set foi uma verdadeira luta. Norman saiu quebrando o serviço de Guga. No game seguinte foi Guga quem quebrou o saque do sueco. No 2×2 outra quebra a favor de Guga. No 3×4, Guga devolveu e no 5/4, no saque de Norman começou o primeiro de uma série de 11 match points que levariam Guga ao topo novamente. Neste game foram três match points, que Norman salvou com bolas na linha, especialmente a primeira, em que Guga já comemorava a vitória. Mas, Guga manteve-se focado e voltou a Ter quatro match points no 6/5, no saque de Norman. Sem conseguir fechar a partida, a decisão foi para o tie-break.

O primeiro match point de Guga no tie-break veio no 6/3. Norman, no entanto não se entregou e foi só no 7/6, que Guga finalmente conseguiu selar a Segunda vitória em Roland Garros, com uma bola de Norman que ficou fora.

Emocionado, logo após erguer os braços em ar de consagração, Guga foi logo abraçar o técnico Larri Passos, que o acompanha há 10 anos e sempre acreditou que seu pupilo estaria entre os melhores do mundo e também ao amigo, Antônio Carlos de Almeida Braga.

Em seguida, recebeu o troféu das mãos de Boris Becker, e no discurso agradeceu ao técnico, ao irmão Rafael, a avó Olga Schlosser, que chegou ontem a Paris, a Braga, aos amigos, o público e também mandou um beijo à mãe Alice e ao irmão mais novo, Guilherme, que assistiram à vitória pela televisão, em Florianópolis.

“Aqui estou de novo. Feliz por este momento. Eu estava muito nervoso no final do jogo. Foi aqui que eu apareci pela primeira vez, para ganhar o meu primeiro torneio em 97. Foi aqui que meus sonhos começaram a se tornar realidade. Não achei que pudesse voltar aqui e vencer,” disse Guga com o microfone na mão. “Também gostaria de parabenizar o Norman. Nós dois merecíamos estar aqui hoje.”

Após o discurso, Guga posou para fotos com o troféu, acenou para todos os lados da quadra, especialmente para o box onde estavam os amigos e familiares, estourou garrafa de champagne e saiu da quadra ovacionado pela torcida, que tanto o apoiou desde que começou a vencer os grandes jogos em 97.

Outro que estava emociona era o técnico Larri Passos, que conseguiu fazer de Guga o bicampeão de Roland Garros. “Ele estava forte física, psicológica e taticamente. Estava muito bem orientado,” afirmou.

Durante a partida final, Guga marcou nove aces, três duplas-faltas, teve 49% de aproveitamento do primeiro serviço, venceu 73% dos pontos com o primeiro saque, cometeu 69 erros não forçados, fez 17 winners de direita, 10 de esquerda, deu 8 passadas, fez 3 curtinhas e teve 58% de aproveitamento na rede.

“No primeiro ano que eu ganhei aqui, as coisas aconteceram, eu apareci e foi uma surpresa para todo mundo. Muita gente ficou na dúvida se eu iria chegar lá mesmo. Eu nunca duvidei, mas hoje, a vitória veio selar o fato de eu estar entre os melhores do mundo. Veio tudo no momento certo. Estou confiante e sei que posso jogar de igual para igual com todos os jogadores,” disse Guga.

Campeão em Roland Garros, Guga assumirá na Segunda-feira a liderança da Corrida dos Campeões, o ranking que conta os resultados da temporada, com 505 pontos. No ranking mundial, chamado de Entry System, Guga marcou 1000 pontos e deve melhorar a sua atual posição de número cinco.

“Estou feliz de estar em número um na corrida, mas para mim o que vale mesmo é o entry system. No começo do ano as pessoas comentavam que eu estava fora dos 100 e que nem era o número um do Brasil e eu sempre defendi o outro ranking. Esse ranking da corrida não avalia a carreira do jogador e sim reflete o atual momento. Provei, com os meus últimos resultados, que sou o cara que estou jogando melhor no momento.”

Para comemorar o bicampeonato, feito apenas conseguido por Jan Kodes, Ivan Lendl, Guillermo Vilas, Jim Courier, Mats Wilander e Sergi Bruguera, na Era Aberta, Guga sairia para jantar com os familiares e amigos mais íntimos. “Quero curtir esse momento com o meu técnico, meu irmão e os amigos. Quero fazer as coisas que gosto e ficar tranquilo,” comentou Guga, aproveitando para agradecer a compreensão e paciência da imprensa que o acompanhou desde a chegada em Paris até o ponto final da vitória sobre Norman, respeitando os momentos de tranquilidade do atleta. “Eu precisava do tempo para descansar e me concentrar. Foi um lado muito importante para mim e vocês me ajudaram muito desta maneira.”

Na segunda-feira, Guga (Banco do Brasil/Diadora/Head/ Pepsi/Rider/Globo.com) posará para fotos às 14h no Trocadero e à noite deverá regressar ao Brasil.

Memórias do bicampeonato: Guga luta por quase 4h, supera Ferrero e vai à final de Roland Garros

Gustavo “Guga” Kuerten superou outra longa batalha e está na final do torneio de saibro mais importante do mundo.

Nesta sexta-feira, na quadra central de Roland Garros ele derrotou o espanhol Juan Carlos Ferrero, por 3 sets a 2, parciais de 7/6 4/6 2/6 6/4 6/3, em 3h38min de muita luta.


“O Ferrero realmente surpreendeu pela maneira como jogou solto nesta semifinal. Mais uma vez superei e sobrevivi,” disse Guga, logo após deixar a quadra central do complexo.

Agora, no domingo, Guga, que marcou 17 aces e teve 50% de aproveitamento do primeiro serviço, enfrentará o sueco Magnus Norman, líder da Corrida dos Campeões, pelo bicampeonato em Paris e também pela liderança da Corrida, em que atualmente é o vice-líder.

Memórias do bicampeonato: Guga vira sobre Kafelnikov, vence em 5 sets e vai à semifinal de Roland Garros

GUGA VENCE PARTIDA EMOCIONANTE E ESTÁ NA SEMIFINAL EM ROLAND GARROS

Gustavo “Guga” Kuerten venceu uma verdadeira batalha nesta terça-feira em Roland Garros e está na semifinal do torneio de saibro mais importante do mundo. Ele derrotou, em três horas de disputa, o russo Yevgeny Kafelnikov, quarto colocado no ranking mundial e quarto na Corrida dos Campeões, por 3 sets a 2, parciais de 6/3 3/6 4/6 6/4 6/2 e agora, na sexta-feira, enfrentará o espanhol Juan Carlos Ferrero.

Sem perder uma partida desde 14 de junho (11 jogos), Guga entrou na quadra central de Roland Garros, para enfrentar o mesmo Kafelnikov que derrotara nas quartas-de-final de 97, quando foi campeão, cheio de confiança. No primeiro set, dominou o jogo. Quebrou o saque de Kafelnikov no 1×1, mas perdeu o seu em seguida. Depois, quebrou o serviço do russo no 3×3 e repetiu a quebra no 5×3, fechando o primeiro set com uma bola para fora de Kafelnikov. No segundo, tudo indicava que Guga venceria tranquilamente. Logo no segundo game teve break point a seu favor, mas não converteu. No 3×2, outros dois break points a seu favor, mas Kafelnikov reverteu a situação. Se salvou e no game seguinte foi Guga quem perdeu o serviço, assim como no 3×5, e uma esquerda na rede do brasileiro empatou o jogo em um set.

Na terceira série, Kafelnikov tomou conta da situação. Guga tentava de tudo, mas o russo ganhava os pontos com bolas na linha, subidas à rede e jogadas incríveis. No 4×5, conseguiu quebrar o serviço de Guga e fechou o set.

O quarto set estava praticamente nas mãos de Kafelnikov. Guga teve seu serviço quebrado no 2×3 e o russo chegou a fazer 2×4 e tinha 40×15 no seu saque para ficar com 2×5. Mas, Guga conseguiu quebrá-lo e empatar a partida em 4. No game seguinte, quebrou o serviço de Kafelnikov e conseguiu levar a partida para o quinto set.

Logo no começo da série decisiva, no 1×1, Guga quebrou o serviço do russo, mas perdeu o seu em seguida. Sem entregar os pontos, voltou a quebrar o serviço de Kafelnikov e daí por diante, não perdeu mais o seu e só dominou o jogo. No 4×2 ainda conseguiu outra quebra e no 5×2 sacou para a vitória, fechando o jogo no terceiro match point, com uma bola para fora de Kafelnikov.

Durante o jogo Guga marcou 14 aces, fez 3 duplas-faltas, teve 49% de aproveitamento do primeiro serviço, venceu 73% dos pontos com o primeiro saque, cometeu 56 erros não forçados, deu 9 winners de direita, 9 de esquerda, 8 passadas, 7 curtinhas certeiras, teve 63% de aproveitamento na rede e ganhou 8 games de zero.

“Ainda não consegui entender o que aconteceu e como as coisas mudaram tanto depois do 4×2 no quarto set. Naquela hora não tinha um plano de jogo, nada estava funcionando. Ele estava pronto para ganhar. Alguém me ajudou a vencer. Estava 4×2 para ele no quarto set e 15 minudos depois o jogo ficou 4×2 para mim,” disse Guga, em entrevista coletiva após a partida, completamente lotada por jornalistas de todo o mundo.

Guga também contou que no meio do jogo começou a pensar muito na partida do ano passado, em que foi eliminado nas quartas-de-final e no jogo contra Kafelnikov em 97 e que isso o atrapalhou um pouco. “Foi duro para mim. No ano passado perdi nas quartas-de-final em três Grand Slams e comecei a pensar nisso na quadra. Perdi a concentração. É difícil escapar disso. Era o mesmo cara de 97 e o mesmo jogo. Não dá pra ficar pensando nisso no meio da partida, mas aconteceu. Acho que no próximo jogo vou estar mais relaxado. Sei que já poderia estar no Brasil amanhã então tudo o que vier é lucro. Ganhei um presente e vou aproveitar. Não é sempre que se está na semifinal de um Grand Slam. Agora não tenho mais nada a perder.”

Na entrevista coletiva o brasileiro aproveitou para fazer uma comparação da partida desta terça com a de 97. “São dois jogos completamente diferentes. Naquele ano entrei sem nada a perder e joguei melhor do que ele. Hoje comecei bem, mas tive que sair do sufoco. O jogo estava muito pra ele só que ele não soube definir. Já eu aproveitei a única chance que tive e agora a diferença é que vou estar na semifinal na sexta-feira e com chances de ganhar o título.”

SEMIFINAL – Esta é a segunda vez que Guga alcança a semifinal de um Grand Slam, tendo sido campeão em Roland Garros em 97. Na temporada esta será a sexta semifinal do brasileiro, que foi campeão em Hamburgo e Santiago, vice em Roma e Miami e semifinalista em Bogotá. No total, Guga está com um recorde de 32 vitórias e 10 derrotas na temporada 2000. No saibro, são 26 vitórias e seis derrotas.

“Estou tendo o melhor ano da minha carreira. Espero continuar assim,” comentou Guga, que enfrentará uma das mais novas revelações do circuito mundial, pela vaga na final.

Juan Carlos Ferrero começou a aparecer no circuito no ano passado, quando foi campeão do ATP Tour de Mallorca. Nesta temporada já foi finalista dos ATP Tours de Dubai e Barcelona e agora ocupa a 16ª posição no ranking mundial e a 11ª na Corrida dos Campeões.

“Vou encarar esse jogo como uma coisa que poderia não estar acontecendo. Vou entrar solto em quadra, dando tudo de mim. Vai ser um jogo bem diferente de hoje,” antecipou Guga, que nunca enfrentou Ferrero.

Até agora Guga (Banco do Brasil/Diadora/Head/Pepsi/Rider) já garantiu 450 pontos no ranking mundial, em que é o quinto colocado e outros 90 na Corrida dos Campeões, em que é o segundo. Se avançar à final, passará a ter 700 e 140, no total.

Memórias do bicampeonato: Guga passa por amigo Lapentti pra ir às quartas de Roland Garros

O confronto que decidira a vaga nas quartas-de-final, que Guga havia atingido também no ano passado, seria entre dois grandes amigos.

Guga e o equatoriano Nicolas Lapentti se conhecem desde os tempos de juvenil e, juntos, foram campeões de Roland Garros de duplas júnior em 94. No circuito profissional, andam juntos, são parceiros de duplas e já haviam se enfrentado várias vezes, com mais vitórias de Guga.

Como o catarinense já havia dito, uma partida com um amigo sempre é diferente, e quem esteve na quadra central de Roland Garros pôde notar isso. Mas Guga foi mais forte psicologicamente, não se atrapalhou com o fato de estar encarando Lapentti e venceu por 6/4 6/3 7/6(4).

Estava novamente nas quartas-de-final de um torneio do Grand Slam. “A nossa amizade mexeu um pouco com o jogo, mas acho que levei vantagem porque cheguei com mais confiança, o que acabou determinando o resultado do jogo.” explicou Guga.

 

Memória: Guga vencia Charpentier em sets diretos e se preparava para enfrentar Chang na 3ª rodada de Roland Garros

GUGA VENCE CHARPENTIER E JÁ ESTÁ NA TERCEIRA RODADA EM ROLAND GARROS

Brasileiro fala da nova geração do tênis e da rivalidade com Magnus Norman

Gustavo “Guga” Kuerten já está na terceira rodada do torneio de Roland Garros. Nesta quarta-feira ele derrotou o argentino Marcelo Charpentier, por 3 sets a 0, parciais de 7/6 (5) 6/2 6/2, em 1h58min de disputa e na sexta-feira, enfrentará o norte-americano Michael Chang, por uma vaga nas oitavas-de-final.

Na quadra 2 do complexo, completamente lotada de fãs brasileiros e franceses, Guga precisou de um tie-break para vencer a primeira série. Nenhum dos jogadores perdeu o seu serviço até o 5/5, quando Charpentier, 230º colocado no ranking mundial, quebrou o saque de Guga. No game seguinte, Guga devolveu a quebra e a decisão foi para o tie-break, em que Guga venceu por 7/5. Na segunda série, Guga conseguiu quebrar o saque de Charpentier no 1×1, repetiu a quebra no 3×1 e só precisou manter o seu serviço para fechar o segundo set em 6/2. Ainda mais solto e confiante no terceiro set, com lindas jogadas, lobbies e subidas à rede, Guga quebrou o saque do argentino no primeiro game, depois no terceiro e abriu 4/0. No 4×1 Charpentier quebrou o saque de Guga, mas o brasileiro logo devolveu a quebra e no game seguinte, no primeiro match point, selou a terceira vitória sobre Charpentier, em cinco confrontos, e a passagem à terceira rodada do torneio de saibro mais importante do mundo.

“O primeiro set poderia ter sido de qualquer um de nós. Na verdade eu perdi algumas oportunidades no começo e quem sabe o primeiro teria sido igual aos outros dois. Mas, o importante é que eu estava tranquilo, sabia que ia começar a jogar bem e que o cara estava perto do limite dele. Depois do primeiro set passei a jogar bem melhor. Fiquei mais relaxado, encontrei meu ritmo, passei a gastar menos energia e a usar a força dele também. O jogo não começou muito da maneira que eu gostaria, mas terminou como eu queria,” analisou Guga.

Durante o jogo Guga marcou 10 aces, fez apenas uma dupla-falta, teve 52% de aproveitamento do primeiro serviço, venceu 81% dos pontos com o primeiro saque, deu 32 winners, fez 49 erros não forçados e teve 76% de aproveitamento na rede.

Durante a entrevista coletiva, tão relaxado e tranquilo quanto tem estado na quadra, Guga aproveitou para falar sobre a rivalidade que está surgindo entre ele e o sueco Magnus Norman. “Nós dois estamos jogando muito bem, motivados e com excelente condição física. Nos últimos meses jogamos várias vezes e tomara que surja uma rivalidade como a do Agassi e do Sampras entre nós. Acho que eu, ele, o Lapentti, o Moya, o Rios estamos aí para dominar o tênis nos próximos anos. Se não fizermos a final nesse ano, acredito que vamos nos encontrar em muitas outras finais daqui pra frente. Mas, ainda estamos longe de ser como o Sampras e o Agassi. Eles têm uma história no tênis e já fizeram muita coisa. Seria muito para mim, nem dá para comparar, mas tomara que um dia eu chegue lá.”Mas, antes de pensar numa possível com Norman, o líder da Corrida dos Campeões, Guga terá que passar, na próxima rodada, pelo norte-americano Michael Chang. Campeão em Roland Garros em 1989, aos 17 anos, ele chegou a ser o número dois do mundo em 96. Atualmente ele ocupa a 33ª posição no ranking mundial e a 43ª na Corrida dos Campeões. Guga e Chang já se enfrentaram três vezes, todas em quadras rápida e Chang lidera por 2×1 nos confrontos diretos, ganhando o último confronto, em 98, na semifinal do ATP Tour de Memphis, por 7/6 7/6.

Até agora, por estar na terceira rodada de Roland Garros, Guga (Banco do Brasil/ Diadora/ Head/ Pepsi/ Head) já garantiu 75 pontos no ranking mundial, em que é o 5º colocado e outros 15 na Corrida dos Campeões, em que ocupa a vice-liderança. Se passar por Chang ficará com 150 e 30, respectivamente.

Memória: Há 20 anos, Guga vencia com tranquilidade na estreia da campanha do bicampeonato em Roland Garros

BRASILEIRO DERROTOU SUECO POR 3 SETS A 0

Gustavo “Guga” Kuerten arrasou na sua estréia em Roland Garros, nesta segunda-feira. Em apenas 1h13min de jogo, na quadra Suzanne Lenglen, ele derrotou o sueco Andreas Vinciguerra, por 3 sets a 0, parciais de 6/0 6/0 6/3 e enfrentará, na próxima rodada, na quarta-feira, o argentino Marcelo Charpentier.

Confiante e praticamente sem cometer erros, Guga chegou a fazer 15 games a zero no sueco, 53º colocado no ranking mundial e 40º na Corrida dos Campeões considerado uma das novas revelações do circuito. O sueco só foi conseguir fazer um game em Guga, quando o placar marcava 6/0 6/0 3/0. Vinciguerra manteve o seu serviço, mas em seguida foi quebrado por Guga, que fez 5/1 e sacou para o jogo. Mas, não conseguiu fechar e Vinciguerra fez mais dois games. No 5/3, na primeira oportunidade que teve, Guga não titubeou e confirmou a sua grande fase.

“Foi um dia perfeito para mim, uma estréia que não esperava. É difícil você jogar a primeira partida de um torneio e apresentar o seu melhor tênis. Vou aproveitar, porque daqui pra frente só deve vir pedreira,” disse Guga, que fez dois aces, uma dupla-falta, teve 54% de aproveitamento do primeiro serviço, 65% dos pontos vencidos com o primeiro saque, cometeu 25 erros não-forçados e marcou 21 winners. No total, Guga venceu 90 pontos no jogo e ganhou seis games de zero, em que o sueco não marcou um ponto.

“Comecei muito forte e já entrei no mesmo ritmo que venho jogando nos últimos torneios. Ele ficou um pouco frustrado e não encontrou a maneira de vencer os pontos. Eu estava muito relaxado, por ter saído na frente. Não fiz muitos erros, estava sólido e colocando pressão no cara o tempo todo,” contou Guga.

Por ter vencido Vinciguerra, a quem enfrentou pela primeira vez na carreira, Guga (Banco do Brasil/Diadora/Head/Pepsi/Rider) marcou 35 pontos no ranking mundial, em que é o quinto colocado e outros sete na Corrida dos Campeões, em que ocupa o segundo posto.

Na próxima rodada, na quarta-feira, Guga enfrentará o argentino Marcelo Charpentier, que veio do qualifying, ocupa a 230ª posição no ranking mundial e não está listado na Corrida dos Campeões, e hoje derrotou o marroquino Karim Alami, por 3 sets a 2.

Guga e Charpentier se enfrentaram quatro vezes, no início da carreira do brasileiro na ATP. Eles estão empatados em dois nos confrontos diretos e a última vez que jogaram, no ATP Tour de Bolonha, em 97, Guga venceu. “Estou mais preocupado comigo e não com o adversário. Estou confiante e acho que posso passar desta rodada,” disse Guga, que aproveitou para comentar a sua boa fase, mais madura. “Estou muito mais focado, tranquilo e confiante. Às vezes, em um jogo, perco a tranquilidade, mas o foco e a concentração estão me ajudando a ganhar partidas. Estou mais forte mentalmente.”

LÍDER DE ACES– Nas estatísticas divulgadas pela ATP, nesta segunda-feira, Guga permaneceu na primeira posição no ranking de aces, somando 321 em 33 partidas. Com os dois aces de hoje, tem agora 323 em 35 jogos no ano. Guga também está bem classificado nas estatísticas de pontos vencidos com o primeiro serviço. Ele está em quinto, com 78%. No ranking de games de saque vencidos, Guga aparece em 7o, com aproveitamento de 84%.

Nas listagem de vitórias e derrotas da temporada, Guga é o 3º atrás somente de Magnus Norman e Lleyton Hewiit, com 27 (agora 28) vitórias e 10 derrotas. Neste ranking no saibro, Guga é o segundo, depois de Mariano Puerta, tendo vencido 21 (agora 22) jogos e perdido seis.

Guga reúne alunos e professores de escolas de tênis de 6 países em evento inédito

Numa grande ação inédita, o tricampeão de Roland Garros participou ontem (07) do Encontro Internacional de Escolas de Tênis, promovido pela Escola Guga, reunindo virtualmente professores e alunos de onze instituições do Brasil, Argentina, Equador, Estados Unidos, Espanha e Escócia, além de representante da ITF e um dos principais protagonistas da trajetória de Guga no tênis, Larri Passos.

As escolas de tênis convidadas tiveram a oportunidade de enviar perguntas ao Guga em três blocos do evento, dividido por idiomas. Pela primeira vez Guga respondeu perguntas de atletas e técnicos ao redor do mundo. Foram 12 questões que versaram sobre a história do tenista que conquistou a liderança do ranking mundial da ATP, em 2000.

Relembrando sua iniciação no tênis, Guga destacou o poder visionário do pai que em conjunto com Larri Passos enxergou nele o potencial de um campeão mundial. “Eles acreditaram nas minhas conquistas muito antes de eu começar a sonhar”, afirmou Guga, esclarecendo que o técnico tem que ter convicção no sucesso do atleta. “O Larri acreditava 100% a mais do que eu mesmo que seria possível chegar onde a gente chegou”, declarou.

Entre as várias questões a grande maioria teve o mesmo objetivo: entender como se constrói um campeão nas quadras. Guga e Larri foram categóricos nas respostas: muito trabalho e simplicidade. “O melhor do mundo também precisa melhorar. Todo o tenista, todo atleta, precisa fazer o melhor possível diariamente. Assim se constrói uma rotina saudável, e o desenvolvimento, o sucesso se torna uma consequência”.

Falando especificamente para os professores que participaram do evento Larri Passos declarou que o tênis é o esporte mais difícil do mundo. “Se uma criança bate bem, aprende a passar a bola de direita, de esquerda, sabe sacar, essa criança já é excepcional. É isso que o professor precisa ensinar, porque quem chega ao Top 10 é gênio”.

Sobre a relação técnico/tenista/família Guga afirmou: “É preciso respeito e confiança! E isso envolve toda a família do atleta. A partir do momento que eu estou convencido que o meu filho vai seguir esse caminho (no tênis) e eu tenho convicção que essa é a pessoa certa, eu tenho que confiar. A base dessa relação precisa ser a confiança. E o caminho envolve honestidade, clareza e muito trabalho. A família precisa torcer muito também pelo técnico. Saber respeitar o tempo também é importante!”

Guga também respondeu perguntas das 54 unidades franqueadas da Escola Guga no país, reiterando que a proposta de ensino do tênis e beach tennis na Escola Guga vai além do ganhar ou perder. E finalizou o evento encorajando a nova geração do tênis. “No pior cenário possível é preciso se sentir encantado dentro de uma quadra de tênis. Vocês têm todas as condições de fazer igual e até melhor do que a gente fez”.