Evento oficializa a entrada de Guga no ATP Heritage, por terminar um ano como nº 1 do mundo

Guga - placa peqUm ano após entrar para o Hall da Fama do Tênis Internacional, Gustavo Kuerten protagoniza mais um capítulo da história do esporte mundial. Hoje a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) anunciou oficialmente, em São Paulo, que o tricampeão de Roland Garros integra o ATP Heritage, programa que comemora os 40 anos do ranking, evidenciando as conquistas dos dezesseis tenistas profissionais que finalizaram o ano como número 1.

A coletiva reuniu no prédio histórico dos Correios, o diretor Eugênio Valentim da Silva, representando o presidente da instituição, Wagner Pinheiro de Oliveira, o chief player officer e diretor do Barclays ATP World Tour, Andre Silva, Gustavo Kuerten, convidados e jornalistas. Silva veio ao Brasil para lançar oficialmente a campanha ATP Heritage na América Latina que culmina com o jantar de gala que será realizado, em Nova York, no próximo dia 23, com a presença de todos os 16 tenistas homenageados (Gustavo Kuerten, Jimmy Connors; Ilie Nastase; Novak Djokovic, Rafael Nadal; Roger Federer, Andy Roddick; Lleyton Hewitt; Andre Agassi; Pete Sampras; Jim Courier; Stefan Edberg;
Mats Wilander;  Ivan Lendl; John Mcenroe e Bjorn Borg).

“É um grande prazer anunciar o nome do Guga como o único sul-americano a figurar entre as grandes lendas do tênis” declarou Andre Silva. O diretor de torneio da ATP também fez questão de relembrar que o fato de Hewitt ter sido número 1, em 2001, na Austrália, não se concretizaria caso o master tivesse sido realizado no Brasil. “Tenho certeza que você manteria a liderança do ranking se a disputada fosse no saibro brasileiro”, disse.  O tricampeão também recordou as lembranças de 2001. “Eu estava na frente do Lleyton Hewitt e vinha de um momento mais importante na minha carreira, depois de ter vencido, no ano anterior, Sampras e Agassi no mesmo torneio. Considero 2001 o meu melhor ano disparado no circuito”, explicou Guga, que também recebeu presentes da ATP, um quadro com a foto oficial logo após a vitória, em Lisboa que resultou na conquista do primeiro lugar do ranking mundial e um selo comemorativo criado pelos Correios.

Durante a entrevista Guga respondeu questões relacionadas ao desenvolvimento do tênis brasileiro. “Esse momento, pré-olímpico, é super propício para dar a virada no tênis. Talvez o país não tenha uma oportunidade como essa nos próximos 50 anos. A gente quer ver o tênis nacional florescer. Temos garotos muito bons, ainda são pouco para o nosso potencial, mas o Brasil pode ter jogadores entre os cem melhores, precisamos ter uma cultura do tênis”, afirmou Gustavo Kuerten. O ex-número 1 declarou estar disposto a contribuir com o tênis e citou as iniciativas que contam diretamente com o seu envolvimento, como a Semana Guga Kuerten, torneio internacional que acontece em outubro, em Florianópolis, e as Escolinhas Guga de iniciação ao tênis. “Atualmente nós temos oito unidades no Brasil, mas pretendemos nos próximos 10 a 20 anos contar com 150 a 200 unidades. As crianças precisam gostar do tênis. Essa foi a primeira lição que eu recebi do Larri (Passos)”, declarou Guga que já confirmou presença no evento de gala do ATP Heritage, em Nova York.

Foto: Patrícia Gaggegi

Brasil terá maior torneio de tênis da história, 14 anos depois da chegada de Guga ao topo do ranking mundial

Guga nº 1 peq

Catorze anos depois do Brasil comemorar a chegada de Gustavo Kuerten ao topo do ranking mundial e de viver a Era Guga, o país terá o maior torneio de tênis da sua história, o Rio Open. De 15 a 23 de fevereiro, o Jockey Club Brasileiro receberá simultaneamente um ATP 500 e um WTA International, com premiação total de R$ 3 milhões.

Com organização da IMX, joint venture de esportes e entretenimento do Grupo EBX e da IMG Worldwide, o Rio Open será realizado pela primeira vez, depois de uma verdadeira batalha dos organizadores para conseguirem a data. Afinal, são apenas 11 ATP 500s existentes no calendário mundial e somente 3 acontecem no saibro (os outros dois são Barcelona e Hamburgo). O Rio Open terá também a disputa de um WTA International, o primeiro da história no Rio de Janeiro, tornando o evento o maior da América do Sul.

“Agora o Brasil terá dois 2 ATPs, um ATP 500. Eu tive que ser um desbravador. Nem imagino como seria a minha carreira se eu tivesse tido essas oportunidades,” disse Guga, que nesta terça-feira foi homenageado pela ATP na campanha Heritage, que celebra os 16 únicos tenistas da história que terminaram uma temporada como número um do mundo.

Há 14 anos, quando Guga chegou ao topo do ranking mundial e terminou a temporada no topo, vencendo o ATP World Tour Finals, em Lisboa, o Brasil não tinha se quer um ATP e ainda perdeu a chance de realizar o Finals em solo brasileiro, no ano seguinte.

“Acreditamos que um evento com a dimensão do Rio Open vai contribuir e muito para o desenvolvimento do esporte no Brasil e certamente servirá de inspiração para a formação de novos talentos e de praticantes do tênis” disse Marcia Casz, VP de esportes da IMX. “O Rio Open veio para ficar e será o maior evento esportivo anual do calendário do Brasil, ao lado da Fórmula 1.”

O Rio Open terá estrutura dos grandes eventos do circuito mundial. Serão 9 dias de eventos, com jogos simultâneos da ATP e WTA, nas oito quadras de saibro do Jockey Club Brasileiro, que serão transformadas para receber as estrelas do tênis. Será construída uma quadra central com capacidade para 7 mil pessoas e a quadra 1 acolherá 1500 visitantes. As outras quadras de jogo, 2, 3 e 4 poderão receber 500 pessoas. As quadras 5, 6 e 7 serão usadas para treino. A expectativa é de que 60.000 pessoas compareçam ao Rio Open, nos 9 dias de evento.

O Rio Open, que já conta com os patrocínios do Itaú, Rolex,Corona, Asics, Estácio e Head terá muito mais do que jogos de tênis. Um Village, com stands, lojas, praça de alimentação e atividades interativas, estará pronto para tornar a experiência do visitante, única.

Como parte da estratégia de dar visibilidade internacional ao evento e ao Rio de Janeiro, o Rio Open não ficará apenas no Brasil. Com transmissão do SporTV, as semifinais e finais do ATP 500 serão exibidas em mais de 50 países, em formato HD.

Foto: Cynthia Lum

ATP lança livro comemorativo aos nos.1 e Guga, é claro, é destaque – com relato inédito

A ATP lançou oficialmente neste sábado, em Wimbledon, como parte da campanha Heritage, o livro comemorativo aos 40 anos da instituição do ranking e dos números um, com espaço apenas para aqueles que terminaram uma temporada no topo da listagem. E entre apenas os 16 anos, é claro, está Gustavo Kuerten.Gustavo Kuerten number 1

Guga, assim como os apenas outros 15 tenistas (Ilie Nastase, Jimmy Connors, Bjorn Borg, John McEnroe, Ivan Lendl, Mats Wilander, Stefan Edberg, Jim Courier, Pete Sampras, Andre Agassi, Guga, Lleyton Hewitt, Andy Roddick, Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic) que terminaram um ano (desde 1973 até hoje), no topo do ranking, ganhou 2 páginas no livro, com história e fotos marcantes.

O texto de Guga foi escrito por Peter Bodo – ele e Neil Harman se dividiram para fazer os 16 perfis – e para a minha surpresa, provavelmente mais mérito do Guga do que do repórter, li algo que durante os meus 15 anos de trabalho com o tricampeão de Roland Garros, nunca soube. E olha que isso é muito raro.

Guga relata no livro que quando tinha 15 anos de idade e foi a Roland Garros pela primeira vez, foi ao museu do Louvre. Lá viu um quadro, comprou o cartão postal da pintura e mandou para a mãe Alice, com o seguinte recado: “Esse não é um quadro normal e eu não sou um jogador normal; sou um tipo diferente e um dia eu serei número do mundo.”

Guga depois conta que não esperava ser número um, não pensava nisso, mas mesmo assim escreveu o postal. Claro que Dna. Alice ainda guarda o cartão até hoje.

kuerten number one

O texto segue contando um pouco a história de Guga, enaltece Larri Passos, passa por Roland Garros e claro que chega a Lisboa para contar o que todos nós já sabemos, mas que é sempre especial relembrar. Fico aqui pensando hoje, que se Safin tivesse vencido mais um jogo (era o que ele precisava) e Guga perdido qualquer uma das suas partidas depois da derrota para o Agassi, não estaríamos aqui falando sobre isso hoje e teríamos o nome de Marat Safin ao lado do ano 2000 no trofeu. Mas ele venceu e ganhou de Sampras e Agassi na sequência para chegar ao topo do ranking mundial e se tornar o primeiro tenista sul-americano a terminar uma temporada como número um do mundo.trofeu numero um do mundo atp

Aliás, a imagem do trofeu de número um do mundo, que passou agora a ser chamado de trofeu Brad Drewett, em homenagem ao CEO da ATP que faleceu neste ano, é de arrepiar, com os nomes de todos os tenistas que terminaram a temporada no auge.

Para quem quiser ter uma ideia do que encontrar no livro, além de Guga, é claro, aqui estão as páginas do Djokovic e do Sampras.

No 1 SamprasNo 1 Djokovic

Por enquanto ele está sendo vendido na Tennis Warehouse, por U$ 29,90.

Diana Gabanyi

Os trofeus de Roland Garros também tem história e grife

Os trofeus que começam a ser entregues nesta quinta-feira em Roland Garros também tem história. Expostos no museu de Roland Garros, eles foram criados pelo famoso joalheiro Mellerio, que neste ano completa 400 anos.

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Quem pediu para Mellerio desenhar o trofeu de Roland Garros foi o ex-Presidente da Federação Francesa de Tênis, Philippe Chatrier, o mesmo que dá o nome à quadra central do complexo.

Todos os trofeus são feitos de prata, com uma base de mármore e tem os nomes dos campeões gravados nele.

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O primeiro trofeu a ser criado foi a Coupe Suzanne Lenglen, em 1989, baseado no trofeu que a dama do tênis francês recebeu, na época, da cidade de Nice e está exposto no “Museé du Sport”.

Depois veio a Coupe des Mousquetaires, o trofeu masculino e que pesa 14kg. Sabia que era pesado, mas não imaginava que fosse tanto.

O trofeu de duplas masculino, O Jacques Brugnon, tem as alças maiores, para se diferenciar dos outros e também é pesadinho -10kg. Foi criado em 1989.

O de duplas feminina, Simonne Mathieu Cup, tem um formato completamente diferente e foi criado em 1990. É mais arredondado e  menor em altura e as alças terminam com um formato de cisne. Criação de 1990. Peso 6.5kg.

O último a ser desenhado foi a Marcel Bernard Cup, o trofeu de duplas mistas, também em 1990. Tem formato oval e alças pequeninas. Peso 5.4kg.

Os campeões só pegam no trofeu para tirar fotos no dia final e no dia seguinte, para fazer a famosa foto cartão postal de Paris. O trofeu fica guardado em Roland Garros e é levado por um segurança, em um carro separado, para o local da foto.

O que os campeões levam para casa é apenas uma réplica. O livro de Roland Garros diz que o tamanho é a metade do original, mas já vi bem de perto três destes trofeus. Não medi, mas pareciam bem menores do que apenas a metade.

Diana Gabanyi

Larri, encontro de Bia e Sharapova, Robredo e Federer

O tempo passa mas algumas coisas não mudam em Roland Garros. Há 28 anos Larri Passos está aqui com juvenis, profissionais, com Guga, claro, sendo tricampeão e agora com Bia Haddad Maia. A mesma careca, raspada em 1999, quando Guga chegou às 4as de Wimbledon e muitos dos mesmos hábitos.

Cheguei cedo para assistir o jogo da Bia Maia. De longe, nas escadinhas da quadra 5 avistei o Larri sentado no canto, com a mão no rosto, perna cruzada, assistindo a tenista fazer uma excelente estreia em Roland Garros. Sentei com ele para assistir a vitória diante de Theo Gravouil por 6/1 6/2 e Larri foi me contando da evolução da Bia, das vitórias nos Challengers na Itália, dos planos e do trabalho de construção de uma carreira. Com os pontos conquistados nos torneios profissionais na Itália ficará entre as 330 do mundo e começará a jogar Challengers maiores, de U$ 50 mil e qualifyings de U$ 100 mil. Os torneios Futures de U$ 10 mil já ficaram para trás, assim como praticamente os torneios juvenis.

Depois do jogo fomos tomar um café na Suzanne Lenglen, como sempre fazíamos. Encontramos conhecidos, amigos, jogadores, técnicos, jornalistas, fomos lembrando de anos de história em Paris e Larri me contando do que já fez aqui com a Bia, que a apresentou para a Sharapova, onde já treinaram, comeram, enfim, tudo que a experiência dele proporciona para a tenista de recém-completados 17 anos.

Nenhum treinador no Brasil tem o conhecimento de Larri do circuito, a confiança e principalmente, mesmo anos depois de já ter se consagrado, o sonho de querer ver mais um tenista erguendo uma taça em Roland Garros, a vontade e um embasamento profundo. Pode ter gente que discorde dos métodos, da dureza do técnico, da maneira de levar as coisas, mas sempre disse e continuo dizendo, em quadra ele é indiscutível. Os resultados da Bia mostram.

Ainda assediado pelo público, brasileiro e estrangeiro, depois do nosso longo cafezinho, Larri foi dar entrevistas, posou para fotos, deu autógrafos e não cansou de ouvir “Merci Pour Guga.”

Com a Bia conversei um pouco depois. Ela falou do encontro com a Sharapova (no Brasil, já cansaram de escrever que ela é a Sharapova brasileira). Disse que Larri as apresentou e depois ficaram medindo para ver quem era a mais alta. Sharapova ganhou por 3cm, com 1,87m. A brasileira falou que apesar de não ser a primeira vez que joga em Roland Garros – foi vice de duplas no ano passado -, ainda sente um certo nervosismo jogando em um lugar tão especial como o complexo francês, mas que está confiante, especialmente depois dos resultados dos Challengers na Itália (foi vice-campeã de um e alcançou as oitavas em outro).

Os outros juvenis brasileiros, Marcelo Zorman, Rafael Matos e Carolina Meligeni Alves perderam na estreia neste domingo.

Depois da manhã e do início da tarde acompanhando os juvenis, consegui ver o 4º e o 5º set da vitória de Tommy Robredo, de virada, sobre Nicolas Almagro e lembrar do jogo que ele ganhou do Guga aqui em 2003, nas oitavas-de-final. O tricampeão já tinha feito cirurgia no quadril e sofreu com as curtinhas do espanhol. Neste domingo, Robredo, que há um ano não estava nem entre os top 400, se recuperando de lesão no adutor e mal conseguia correr, venceu o 3º jogo seguido depois de estar perdendo por 2 sets a 0 e está nas quartas em Paris. Só que desta vez com muito mais emoção do que das outras 4 vezes, quando vencer e ainda mais no saibro, era normal.

A ideia era, depois da entrevista do Robredo, ir para a degustação de queijos e vinhos no salão da Suzanne Lenglen. Mas, com o jogo do Federer e Simon emocionante, indo até quase 21h, vou ter que torcer para fazerem outra nos próximos dias.

Federer, como ele mesmo disse, “quase foi para casa mais cedo.”O francês chegou a ter 2 sets a 1, mas o suíço saiu vencedor.

Fim especial da primeira semana em Roland Garros. Mais um jogo de cinco sets, de altíssimo nível e com um público participativo, torcendo para os dois jogadores, gritando “Rodgeur Rodgeur”e Ällez Gillou” até o último ponto.

Diana Gabanyi