Djokovic, “pela honra da primeira treinadora”

Roland Garros é o único torneio que falta para Novak Djokovic completar o Grand Slam e se até dois dias atrás esse era o principal motivo para ele lutar pelo Trophee des Mousquetaires, hoje ele declarou abertamente que  “pela honra de Jelena Gencic, preciso ir até o fim.”

Com o cancelamento da entrevista coletiva pós-vitória sobre o Dimitrov, dois dias atrás, quando soube da morte de Jelena Gencic, a treinadora que o descobriu nas montanhas de Kapaonik e ënsinou tudo que ele sabe,”a sala estava lotada hoje.

Com um colete fashion vermelho, grosso, meio brilhante, de nylon (procurei a foto, mas não encontrei – não podemos fotografar na sala de imprensa), nem reparei que ele já estava sentado quando entrei na Sale de Interview.

A primeira pergunta foi sobre o jogo e as condições difíceis, com o vento. Mas, em seguida, o assunto mudou para o da treinadora sérvia. De coração aberto, Djokovic falou da importância de Jelena para a sua formação, do caráter, do amor dela ao tênis e como muitas vezes nos esquecemos como esses treinadores, professores de crianças, são fundamentais para o desenvolvimento do esporte.

Ele falou muito mais do que eu esperava sobre um assunto tão delicado. Só em um momento, quando um jornalista do USA Today insistiu para ele contar como foi o último encontro com Jelena, em detalhes, ele pediu para não falar mais no assunto.

Abaixo os trechos da entrevista em que ele fala dela e principalmente o que menciona que agora é questão de honra vencer.

É justo dizer que as últimas 24 horas foram difíceis?

Djokovic: “Sim. Não está fácil, mas é a vida. A vida te dá coisas, tira pessoas próximas de você e Jelena foi a minha primeira técnica, era a minha segunda mãe. A gente sempre foi muito próximo, a vida toda. Ela me ensinou muitas coisas que são parte de mim, parte do meu caráter e eu tenho as melhores lembranças dela.

Isso vai ficar comigo para sempre. Espero que possa continuar onde ela parou, com o legado. Ela deixou tanto conhecimento para mim e para as pessoas que eram próximas dela.

Sinto a responsabilidade de continuar a fazer algo no futuro, porque ela trabalhou com crianças de 5, 6 anos até os 12, 13 anos. Ela dedicou a vida dela ao tênis. Nunca se casou. Nunca teve filhos. O tênis era tudo que ela tinha na vida.

Ela tinha 77 anos e antes de morrer 2 dias atrás, na semana passada, ela estava dando aulas. Ela não estava preocupada com a natureza da doença. Ela teve câncer de mama. Sobreviveu a isso. Ela é uma das pessoas mais incríveis que eu conheci.

Você acha que a sua equipe fez o certo em te contar apenas depois do jogo?

Sim, mas mesmo assim foi um choque.

Tive a sorte de encontrar a Jelena 5 anos atrás. Ela parecia muito calma. Falava devagar. Você concorda? Ela não era uma típica sérvia?

Nós somos muito emotivos, mas também temos um lado calmo.

Ela sabia exatamente o que tinha que faze rem quadra. E também na vida particular.  Ela nunca mostrava as fraquezas. Acho que é algo que todo mundo próximo dela aprendeu. Porque mesmo com lesões – ela jogava handball, tênis, dava treinos, e nunca mostrava quando estava lesionada ou triste. Ela sempre estava tentando ser positiva e sorrindo. Transcendia isso para todo mundo.

Ela também era uma mulher muito inteligente. Ela não treinava com todo mundo. Ela sabia reconhecer o potencial dos jogadores de tênis. Por isso ela é a melhor técnica para aquela geração jovem que eu já encontrei na vida.

As pessoas subestimam a importância do início, da infância dos jogadores de tênis, aquela idade entre 05 e 14 anos. É nessa idade que você desenvolve todas as suas habilidades e é importante ter alguém com conhecimento. Ela era ótima.

Faz um tempinho você dividiu conosco memórias do seu falecido avô. Qual é a sua melhor lembrança dela?

Foram muitos, muitos grandes momentos. De uma certa forma a experiência de ter perdido o meu avô no ano passado me ajudou um pouco, a ficar forte desta vez. Eu demorei para me recuperar. Esse ano, de novo, uma pessoa muito próxima, outro choque para mim. Mas estou lidando melhor, tentando me concentrar nas melhores lembranças dela e no tempo que passamos juntos.

É o melhor que você pode fazer quando alguém próximo falece, porque o espírito deles sempre vai estar com você, está na sua mente.

Eu sei que o espírito dela estará sempre comigo na quadra de tênis, porque era o que ela amava, o lugar favorito dela no mundo e vou me assegurar de que o legado dela continue.

Continuando no assunto, você tira forças disso? Como? Serve de inspiração?

Agora me sinto ainda mais responsável para ir até o fim neste torneio. Quero fazer isso pore la, porque ela era uma pessoa muito especial na minha vida. Lembro a última conversa que tivemos, há duas semanas, sobre Roland Garros. Ela falava o que pensava e me disse: “Você tem que se concentrar, focar a sua atenção neste torneio. Você precisa vencer esse torneio.”Ela estava me motivando ainda mais. Então, agora, pela honra dela, preciso ir até o fim. Mas, sabe, não depende só de mim. Tem tantos jogadores bons ainda no torneio. Me dá uma força interna ainda maior, para ir além.

Outros jogadores não teriam falado sobre isso na sala de imprensa. Outros jogadores não mostram emoção em quadra. Você faz os dois. Como isso te ajuda na carreira?

Bem, tem coisas que você mantém privadas e coisas que divide com todos. Sempre tentei estar com o coração aberto e me expressar de maneira honesta e verdadeira, como sempre fiz.Foi assim que aprendi, com meus pais, minha família e com a Jelena. Isso é quem eu sou.

Você pode esclarecer quando a encontrou pela última vez, a última vez que viu ela?

Antes do torneio de Dubai, 2 meses atrás.

Onde você a encontrou? Você a visitou em casa? Foi uma visita social?

Sim.

Você poderia falar sobre isso?

Não gostaria de falar sobre isso, se você não se incomoda. Acho que já falei o suficiente.

Você acha que isso contribui para o que você pode vir a conquistar?

Bem, a morte de um próximo, de uma pessoa especial na sua vida não é algo que eu estava desejando. Mas como eu disse, é a vida e você tem que seguir adiante.

Acredito que seja o destino, que as coisas acontecem por uma razão.

Diana Gabanyi

Foto: Cynthia Lum

Federer, o engraçadinho

Federer sempre foi gentleman, desde o início da carreira. Suas entrevistas sempre foram longas e em três línguas – inglês, francês e suíço alemão. Mas, de uns tempos para cá o suíço ficou engraçadinho também.

Primeiro achei que fosse somente em eventos de patrocinadores, em exibições, quando não há pressão, concentração e é hora de aproveitar mesmo. Não é não. Faz um tempo já que nas entrevistas em quadra ele está descontraído e nas coletivas também. Acompanhei praticamente todas dele em Roland Garros e reproduzo aqui partes da de ontem, após a vitória  de número 900 sobre Gilles Simon para mostrar que entre as respostas sérias e longas, ele está toda hora fazendo uma gracinha.

Q.  36 consecutive Grand Slam quarterfinals.  I was wondering how this achievement, in your opinion, ranks compared to the others that you have had?

ROGER FEDERER:  Well, I was asked on court.  I’m not going to say something totally different to you guys than to all the people, but I guess this is maybe a record I look back on when I’m not playing anymore, and go like, That was incredible that I was able to achieve this.  Because this isn’t just a one‑week thing or one‑year thing.  This is such a long period of time that I had to fight through matches like the one, for instance, here today.

The number is unbelievable.  I probably would have been happy with one at one point in my career, when I was younger and eventually you raise the bar and say, Okay, hopefully I can reach my first semifinals, like in 2003 at Wimbledon.  I went on to win the tournament, and the rest we know.

It’s been an amazing run, and I’m happy I’m still on it.

Q.  You were laughing when Gilles made his speech on center court.  Did he say something particularly funny for those who didn’t hear it and don’t know what he said?

ROGER FEDERER:  What did he say?

Man, I guess he mentioned something like he obviously hopes he can beat me sometime.  He was right, you know.  (Laughter.)

He’s not going to stand there like saying, I hope I’m not going to lose next time.  It’s very uncomfortable.  The other guy is sitting there.  I guess that’s what it was.  Maybe there was something else which now I forgot.  Too many things happened in the last hour.

Q.  You’re looking very fresh.  Actually, doesn’t look like you played five sets.

ROGER FEDERER:  Thank you.  You look great, too.  (Laughter.)

Q. Thanks.

ROGER FEDERER:  For watching a match of five sets.  Did you take a shower?  (Laughter.)

Q. These boring interviews, we have to get you guys to loosen up a bit.

ROGER FEDERER:  I’m happy you did.

Q.  As far as longevity goes ‑ and one would love to see you play forever because you’re such a fantastic player.

ROGER FEDERER:  Well I may not, but hopefully for a long time, yes.

Q.  36 quarters is an incredible accomplishment.  A big number.  Among all those quarterfinals, could you possibly pick out one or two that were particularly important or particularly meaningful in all of those?

ROGER FEDERER:  The quarterfinal match itself then

Q.  Yes.

ROGER FEDERER:  God.  (Laughter.)

How much time do you give me?  Let me think.

I guess two that come to mind ‑‑ I don’t know.  I guess part of the streak.  It was maybe the first one in ‑‑ because I lost first round at the French in ’03 and then made the quarters at Wimbledon ’03, and then beat Sjeng Schalken, I think, on Court 2.

That was the first time for me to make it to a semis.  He was injured.  He couldn’t move very well.  He had a foot problem, I remember.  And I wasn’t happy he had that, but I was happy he wasn’t the Sjeng Schalken I knew he could be on the grass.

That was for me a particularly big one for me to give myself an opportunity to play Roddick in the semis.  I won Halle he won Queen’s, and I won that to go on and win.

So that one stands out for me.  But then ‑‑ I don’t know if that was the quarters, but I think it was ‑‑ against Agassi at the US Open.  I don’t know if the wind match ‑‑ was that a semis?  Anyway, so then I guess it’s just the Wimbledon match.

Otherwise if that was the quarters, that was an important one for me in my life.

Q.  It was a madhouse out there.  The volume of sound, that was incredible.  You were walking around behind the court in between points.  What are you saying to yourself, and can you get lost in your own head at that point and just forget everything?

ROGER FEDERER:  Yeah, I thought it was very fair.  I said it on the court, too.  But today definitely reminded me what Simon’s first name was.  I heard that throughout the entire match.  But I enjoyed it.

It’s always nice being part of an atmosphere like the one we had tonight, and you always look forward to those kind of matches.  You know, while you’re walking in the back you tell yourself that’s exactly why I work hard for; I’m going to be strong, stronger than him; I’m going to be good here; I’m going to fight and leave everything on the court.

That’s what I guess I was telling myself at times, as well.

(Pergunta do Felipe Andreoli – CQC) Q.  They already asked you about your physical, and we were worried about your back.  I want to know, how is your back, and if it hurts, I could do a massage because we want to see you at the finals.

ROGER FEDERER:  Right, right.  No, my back is good.  I’m happy it’s good so you don’t have to touch me.  (Laughter.)

Good to see you again.

Q.  I wonder what you thought of Tommy Robredo’s exploits in this tournament, winning three matches in concession from two sets to love down, a player over 30 who probably we have all been saying should have retired long ago.  You know what that’s like.  Doing that, how big of an achievement is that?

ROGER FEDERER:  I think it’s amazing, really.  I did see Tommy as well in Sao Paulo, so for me I was happy to see him back on tour.  He was injured for some time.  I have known him, man, since I was 15 maybe, so we go way back.  He was always one of the top juniors, as well.

So on tour we were very friendly.  I don’t quite know how it is to come back from injury, to be honest.  I know how it is to come back from two sets to love, and that is a big deal.

So the combo of him doing that three times consecutively at probably his most favorite tournament in the world, yeah, amazing achievement.  And, yeah, couldn’t be happier for the guy, really.

Q.  And what was the words that you heard in the audience that affected you?  I mean, I heard one that shocked me.  It was, Roger give me your genetic pool.

ROGER FEDERER:  It’s difficult really to pick out those sort of words ‑ it has to be cried out when everything else is tranquil in the stadium ‑ unless you’re sitting right next to the chap who’s saying it.

I mean, I hear basic things, if you like, but sometimes it’s true that you can pick out, I don’t know, maybe it’s a ball boy or, you know, people say, Roger, you know, Go for it, Roger.  You pick up on that.

It’s nice, those little messages of encouragement there just to help you.

Foto de Roger Federer: Cynthia Lum

Diana Gabanyi

Larri, encontro de Bia e Sharapova, Robredo e Federer

O tempo passa mas algumas coisas não mudam em Roland Garros. Há 28 anos Larri Passos está aqui com juvenis, profissionais, com Guga, claro, sendo tricampeão e agora com Bia Haddad Maia. A mesma careca, raspada em 1999, quando Guga chegou às 4as de Wimbledon e muitos dos mesmos hábitos.

Cheguei cedo para assistir o jogo da Bia Maia. De longe, nas escadinhas da quadra 5 avistei o Larri sentado no canto, com a mão no rosto, perna cruzada, assistindo a tenista fazer uma excelente estreia em Roland Garros. Sentei com ele para assistir a vitória diante de Theo Gravouil por 6/1 6/2 e Larri foi me contando da evolução da Bia, das vitórias nos Challengers na Itália, dos planos e do trabalho de construção de uma carreira. Com os pontos conquistados nos torneios profissionais na Itália ficará entre as 330 do mundo e começará a jogar Challengers maiores, de U$ 50 mil e qualifyings de U$ 100 mil. Os torneios Futures de U$ 10 mil já ficaram para trás, assim como praticamente os torneios juvenis.

Depois do jogo fomos tomar um café na Suzanne Lenglen, como sempre fazíamos. Encontramos conhecidos, amigos, jogadores, técnicos, jornalistas, fomos lembrando de anos de história em Paris e Larri me contando do que já fez aqui com a Bia, que a apresentou para a Sharapova, onde já treinaram, comeram, enfim, tudo que a experiência dele proporciona para a tenista de recém-completados 17 anos.

Nenhum treinador no Brasil tem o conhecimento de Larri do circuito, a confiança e principalmente, mesmo anos depois de já ter se consagrado, o sonho de querer ver mais um tenista erguendo uma taça em Roland Garros, a vontade e um embasamento profundo. Pode ter gente que discorde dos métodos, da dureza do técnico, da maneira de levar as coisas, mas sempre disse e continuo dizendo, em quadra ele é indiscutível. Os resultados da Bia mostram.

Ainda assediado pelo público, brasileiro e estrangeiro, depois do nosso longo cafezinho, Larri foi dar entrevistas, posou para fotos, deu autógrafos e não cansou de ouvir “Merci Pour Guga.”

Com a Bia conversei um pouco depois. Ela falou do encontro com a Sharapova (no Brasil, já cansaram de escrever que ela é a Sharapova brasileira). Disse que Larri as apresentou e depois ficaram medindo para ver quem era a mais alta. Sharapova ganhou por 3cm, com 1,87m. A brasileira falou que apesar de não ser a primeira vez que joga em Roland Garros – foi vice de duplas no ano passado -, ainda sente um certo nervosismo jogando em um lugar tão especial como o complexo francês, mas que está confiante, especialmente depois dos resultados dos Challengers na Itália (foi vice-campeã de um e alcançou as oitavas em outro).

Os outros juvenis brasileiros, Marcelo Zorman, Rafael Matos e Carolina Meligeni Alves perderam na estreia neste domingo.

Depois da manhã e do início da tarde acompanhando os juvenis, consegui ver o 4º e o 5º set da vitória de Tommy Robredo, de virada, sobre Nicolas Almagro e lembrar do jogo que ele ganhou do Guga aqui em 2003, nas oitavas-de-final. O tricampeão já tinha feito cirurgia no quadril e sofreu com as curtinhas do espanhol. Neste domingo, Robredo, que há um ano não estava nem entre os top 400, se recuperando de lesão no adutor e mal conseguia correr, venceu o 3º jogo seguido depois de estar perdendo por 2 sets a 0 e está nas quartas em Paris. Só que desta vez com muito mais emoção do que das outras 4 vezes, quando vencer e ainda mais no saibro, era normal.

A ideia era, depois da entrevista do Robredo, ir para a degustação de queijos e vinhos no salão da Suzanne Lenglen. Mas, com o jogo do Federer e Simon emocionante, indo até quase 21h, vou ter que torcer para fazerem outra nos próximos dias.

Federer, como ele mesmo disse, “quase foi para casa mais cedo.”O francês chegou a ter 2 sets a 1, mas o suíço saiu vencedor.

Fim especial da primeira semana em Roland Garros. Mais um jogo de cinco sets, de altíssimo nível e com um público participativo, torcendo para os dois jogadores, gritando “Rodgeur Rodgeur”e Ällez Gillou” até o último ponto.

Diana Gabanyi

 

Djokovic, do metrô à Opéra em Paris

Djokovic ainda não ganhou Roland Garros, seus patrocinadores não fazem parte da lista de parceiros de Roland Garros, mas mesmo assim, o número um do mundo está por toda Paris. Do metrô Porte DÁuteil à famosa Opéra, so dá ele.

Já fiquei surpresa no primeiro dia que vim a Roland Garros quando saí do vagão do metrô e notei as primeiras escadas cheias de logos da Uniqlo. No corredor que dá acesso à rua, mais Uniqlo. As paredes inteiras cobertas com pôsters da marca e imagem de Djokovic. Até a plaquinha, já na rua, da estação Porte DÁuteil, tem Uniqlo e foto do Djokovic embaixo.

Diante de tanta exposição no metrô, em espaço que já foi ocupado por grandes patrocinadores de Roland Garros, como adidas e Fedex, resolvo, como fiz em Nova York, durante o US Open, visitar a loja da Uniqlo.parada  na região dos grandes magazines onde ficam as famosas Galerie Lafayette e Printemps, para procurar a Uniqlo.

Procurei o endereço e antes de ir para Roland Garros fiz uma parada  na região dos grandes magazines onde ficam as famosas Galerie Lafayette e Printemps, para procurar a Uniqlo.

A primeira surpresa já foi na localização da loja. Saí do metrô e dei de cara com a mega store, em frente a Opéra e do outro lado da rua da Lafayette. Esses japoneses não estão para brincadeira.

Da rua já avistei um totem do Djokovic logo na entrada. Se em Nova York tive que subir um andar e andar um pouco dentro da loja para encontrar a linha dele, em Paris não foi necessário. A linha Djokovic Roland Garros e os outros uniformes que ele usou até agora, desde que assinou contrato com a marca, há um ano, estão expostos em lugar de destaque, no térreo. Camisas de jogo (39 euros), meias (7 euros), munhequeiras ( duas por 7 euros), calças e shorts (19 euros), agasalhos (59 euros), enfim a linha completa e para crianças também.

Além dos uniformes de competição, Djokovic faz campanha para as polos (19,90 euros) e para a linha Airism (9,90 euros), lançamento de roupas para usar embaixo de camisas de jogo.

Andei pela loja toda e o que me surpreendeu foi que a imagem de Djokovic estava espalhada por todo o magazine. Nos três andares e até no caixa havia Djokovic, inclusive na sessão de mulheres, mesmo sem haver linha de tênis feminina.

Diferente de Nova York os preços do uniforme de Djokovic não são tão mais vantajosos do que a linha oficial de Roland Garros. Uma camisa da adidas, como a do Tsonga, com logo oficial de Roland Garros, sai por 45 euros, por exemplo. Mas, vale a visita. Só tem que tomar cuidado, na ida a Uniqlo, para não perder o foco e querer adentrar a Galerie Lafayette e a Printemps. A tentação foi grande, mas na saída, desviei o olhar e entrei no metrô direto para Roland Garros.

Diana Gabanyi

Roland Garros: À procura dos bebês chamados Yannick

Já se passaram 30 anos da vitória histórica de Yannick Noah em Roland Garros e os franceses continuam celebrando. Foi tão histórica que nenhum outro tenista francês conseguiu repetir o feito. Para marcar os 30 anos daquela final de 1983, em que Noah ganhou de Wilander, várias marcas e meios de comunicação lançaram campanhas em Paris. Estão até mesmo à procura dos bebês chamados Yannick, nascidos entre 05 de junho de 1983 e 05 de junho de 1984.

Não acreditei quando passei por um dos corredores de Roland Garros e vi esse cartaz do BNP. “Procuramos as pessoas que deram o nome de YANNICK aos seus bebês, nascidos entre 05 de junho de 1983 e 05 de junho de 1984. Encontro no wearetennis.com  (site de tênis do BNP).””

Achei muito legal e logo pensei nos bebês chamados Gustavos e até no meu sobrinho de nome Rafael, uma certa homenagem a Nadal.

Fui procurar o BNP para entender o que eles estavam fazendo com essa pesquisa. “As pessoas que tem filhos chamados Yannick entraram em contato conosco – através do anúncio – e nós demos ingressos para Roland Garros,” contou a chefe de comunicação do BNP, Elodie Verbeke.

Essa é apenas uma de muitas ações que o BNP vem fazendo neste ano em Paris. A data marca 40 anos da parceria com o Grand Slam francês e hoje o BNP é o maior patrocinador mundial do tênis. O banco patrocina a Copa Davis, por exemplo, diversos Masters 1000 e outros muitos eventos.

As ações envolvem desde os funcionários escolhidos para receber tratamento VIP em Roland Garros, até clientes para fazerem reuniões na suíte do Banco na quadra central, passando por clientes podendo levar o trofeu para a quadra no dia da final, ser jornalista e fotógrafo por um dia, bater bola com uma jogadora da WTA, entre outros.

O site, www.wearetennis.com também fez uma campanha onde os fãs podem contar suas histórias, seus momentos inesquecíveis em Roland Garros. É tão tecnológico, em 3D, que ficou um pouco difícil de navegar e entender a ordem, mas dá para ver o que investiram e quanta história as pessoas tem ligadas a esse torneio.

Claro que além do BNP há muita gente fazendo campanhas sobre os 30 anos da vitória de Noah. O jornal L’Equipe publica diariamente uma coluna com entrevistas e matérias de 1983.

O site slate.fr , conhecido na França, colocou um jornalista especializado em tênis para twitar como se estivesse em 1983. Divertida a ação.

As alamedas de Roland Garros também estão cheias de pôsters contando a história daquele 1983.

Yannick Noah até tem aparecido por aqui e em um ou outro evento do Grand Slam que mudou para sempre a sua vida, mas já havia dito “cést cheap”para a ideia de fazê-lo entrar em quadra para falar: ëu ganhei aqui há 30 anos.”

Nesta mesma entrevista ao MetroNews, Noah disse que não assistiu mais aquela final. “É insuportável. Nunca gostei de me escutar.”

Mas, ele tem consciência do efeito que produziu nas pessoas e que dura até hoje. “As pessoas me encontram e dizem: eu estava nesse lugar ou fazendo isso quando você ganhou. As pessoas se lembram com verdadeira emoção. Isso criou uma ligação que dura desde então. Isso é trés chic. Entrei na vida das pessoas, naquela dia, por uma porta muito bonita. Toquei a vida de milhões de franceses.”

E continua tocando. Com as memórias de 30 anos atrás e com a música. Até hoje, ano após ano, Noah ganha a eleição de personalidade favorita dos franceses.

Diana Gabanyi

O assunto da Davis é sério. Capitães se reúnem em Roland Garros para mudar formato

A previsão do tempo avisou desde a semana passada que essa quinta-feira seria chuvosa. Mas, o dia amanheceu seco, apesar de escuro e até que me animei. Fui cedo para Roland Garros, consegui ver um André Sá impressionante jogando ao lado de Feliciano Lopez, até que ela realmente apareceu. A chuva veio grossa e gelada. Parou todos os jogos. Momento certo para tentar entender um pouco melhor a história da mudança na Copa Davis.

Depois que Feliciano Lopez perdeu o saque quando servia para a vitória ao lado de Sá, contra Collin Fleming e Jonathan Marray (o jogo parou em 76 54 – saque dos ingleses agora), atravessei a multidão de guarda-chuvas que se abriam e me espremi no meio das pessoas para conseguir voltar para a sala de imprensa e começar a pesquisar a história da Davis.

Rafter Davis Cup

Eu havia visto o Patrick Rafter ontem em Roland Garros, mas achava que ele estava aqui para acompanhar os jogadores da Austrália, como fazem a maioria dos capitães da Copa Davis. Ele até está aqui por causa da Copa Davis, mas por outras razões.

Um dos maiores jogadores do tênis australiano, representando o país na Davis, Rafter, hoje capitão, veio se reunir com outros capitães com nomes tão importantes quanto o seu na história do esporte, Jim Courier e Alex Corretja, para  tentar mudar o formato da competição, como o The Times publicou.

A ideia é que a Davis seja disputada a cada dois anos e durante uma semana, em apenas um local. Atualmente a disputa acontece em 4 rodadas, em três dias cada, tomando 4 semanas do calendário de quem vai à final.

O pedido dos capitães reflete também o desejo dos principais tenistas que não colocam mais a competição como prioridade no calendário. Nadal joga ocasionalmente, Federer já anunciou que não competirá, Murray também pouco compete pelo Reino Unido. Djokovic, com uma nação carente de ídolos como ele, é o que mais joga pela Taça.

Com o lançamento da International Premier Tennis League, outro assunto de destaque na sala de imprensa e dos jogadores, o calendário ganha mais concorrência e a Davis vai perdendo prioridade. A liga da Ásia idealizada pelo campeão de duplas Mahesh Bhuphati, fundador da GloboSport e influente no mercado asiático, qdistribuirá, no fim de 2014, milhões em prêmios e já tem a participação confirmada de Murray, Djokovic, Serena, Azarenka, Sampras, Agassi, entre outros. A Liga será baseada na Indian Premier League de Cricket e no sucesso do World Team Tennis, de Billie Jean King.

O zum zum zum nos bastidores de Roland Garros está forte e desta vez parece que a coisa é séria mesmo em relação a Davis. Já houve uma reunião alguns anos atrás sobre o mesmo assunto e a ITF esperou o assunto ser esquecido. Não foi e agora voltou mais forte.

Procurei o capitão brasileiro da Copa Davis por aqui, João Zwetsch, mas não encontrei. O Brasil jogou o Grupo Mundial, no início do ano, contra os Estados Unidos e enfrenta a Alemanha, em setembro, para permanecer entre as 16 melhores nações do tênis.

“C’est Roland”

Ainda estamos na 2ª rodada – alguns jogaram a 1ª hoje – mas os franceses já começam a comemorar um bom Roland Garros. Tentei passar o dia acompanhando os jogos dos franceses para entender o que acontece com eles aqui e a resposta que mais ouvi, dos próprios jogadores, foi “C’est Roland”

Nesta quarta-feira, seis franceses saíram vitoriosos, com cinco avançando à terceira rodada (Monfils, Benneteau, Simon, Chardy, Tsonga) e um, Paire, à segunda. Em todos os jogos a torcida teve papel fundamental.

O primeiro pensamento que pode vir à cabeça é que isso é normal e acontece o mesmo em Wimbledon, no US Open e no Australian Open. Mas, no Reino Unido e na Austrália, há pouquíssimos jogadores na chave de simples e quando há mais do que o normal, costumam ser jogadores novos, convidados que não avançam. No US Open há um ambiente bom de torcida, mas é diferente. Aqui em Paris as pessoas vem assistir tênis, entendem do esporte e respiram Roland Garros durante 2 semanas, na cidade toda. Em New York, o público faz parte de um espetáculo, é um evento de entretenimento.

Este ano, com a data comemorativa dos 30 anos da vitória do último francês em Paris, Yannick Noah, em 1983, alguns jogadores disseram que estão sentindo mais a pressão, mas que isso é bom.

Além de ter assistido os jogos da maioria dos franceses em ação hoje e sentido a emoção da torcida, especialmente nas vitórias de Monfils, Benneteau e Paire, fui ouvir o que eles tinham a dizer sobre o quão especial é jogar em Roland Garros e porque, de repente, tudo acontece aqui.

Monfils, que ganhou de Berdych e Gulbis, falou: äqui há uma energia diferente, um espírito ótimo. A torcida está 100% me apoiando, sinto a pressão de uma maneira boa para mim. C’est Roland”

Benneteau, vencedor de Berankis em 4 sets e Kamke, em 5, falou “C’est Roland, por isso é especial. Sempre damos algo a mais.” E Benneteau precisará aparecer com algo a mais mesmo para derrotar Roger Federer na próxima rodada. “É no saibro, já ganhei dele, tudo pode acontecer. C’est Roland.”

O número um francês, Jo-Wilfried Tsonga confessou sentir uma pressão extra por ser o mais bem colocado de uma nação que não triunfa na própria casa há 30 anos, mas acha isso positive. “Sou francês, é na França e tem mais pressão, mas é positivo. Tenho tudo a meu favor para vencer e diria que nada para perder. Se eu perder, nada vai acontecer, mas se eu ganhar ou for longe, será algo enorme. Tenho que ficar concentrado e espero ir longe.”

Foto do Tsonga: Cynthia Lum

Foto do Monfils: FFT 

Alguma coisa está fora da ordem

Ainda é muito cedo para afirmar que há uma mudança significativa no circuito, que os top 4 não são mais os mesmos, mas estamos começando a ver sinais de novos tempos, ou dos atuais se desgastando. Djokovic, Federer, Nadal e Murray ainda dominam o tênis, ainda são os Big 4, mas começam, cada vez mais a ser ameaçados.

Nadal Roma

Eles já não dominam o circuito como antigamente, em que praticamente todos os torneios grandes que disputavam estavam em sua maioria, na semifinal.

É só olhar para os cinco Masters 1000 desta temporada.

Indian Wells foi o mais forte deles. Teve Djokovic, Nadal, Berdych e Del Potro na semifinal. Federer perdeu para Nadal nas quartas e Murray, para Del Potro.

Em Miami, sem Federer e Nadal presentes, só Murray chegou até a semi, na companhia de Ferrer, Gasquet e Haas, responsável por eliminar Djokovic nas oitavas-de-final.

Veio Monte Carlo e apesar de Nadal e Djokovic chegarem à final, os outros dois integrantes da semi eram Fognini e Tsonga. Murray foi eliminado por Wawrinka, e Federer não jogou.

Duas semanas depois foi a vez do Masters 1000 de Madri ver apenas Nadal, dos top 4, na semifinal, ao lado de Wawrinka, Berdych e Andujar. Federer perdeu para Nishikori, Murray para Berdych e Djokovic para Dimitrov.

Berdych Roma

As semifinais do Internazionale de Itália não terão nem Djokovic, nem Murray. O sérvio foi eliminado por Berdych e o britânico desistiu do jogo de 3ª rodada contra Marcel Granollers. Nadal, Benoit Paire (d. Granollers) e Berdych estão na semi. Federer enfrenta o polonês Jerzy Janowicz, que ganhou de Tsonga e Gasquet. Paire Roma

Como vemos, os tops ainda estão vencendo. Nadal ganhou Indian Wells e Madri, Djokovic venceu em Monte Carlo e Murray, em Miami.

Mas, os outros tenistas já estão acreditando um pouco mais que podem ganhar deles, que eles não são invencíveis.  O fato de um começar a ganhar, ou começar a ameaçar, gera praticamente uma reação em cadeia. O “resto” trabalhou duro e está chegando lá. Dimitrov, Wawrinka, Berdych e quando não encara Nadal, Ferrer, estão avançando. Gulbis também vem chegando, apesar de ainda estar um pouco atrás destes outros mencionados.

Pode ser que chegue Roland Garros e a ordem do tênis mundial seja restabelecida, que esse post seja esqecido, mas no momento, alguma coisa está fora da ordem.

Court Confidential-novo livro dos bastidores do circuito vem aí

Enquanto Jimmy Connors vai causando com o lançamento do seu livro “The Outsider,”fazendo revelações íntimas de seu relacionamento com Chris Evert, outro livro será lançado até o final deste mês (27 de maio, em Roland Garros), revelando bastidores do circuito. É o Court Confidential, do jornalista britânico, Neil Harman.

Com imagens de Serena, Djokovic, Murray, Federer, Nadal e Azarenka na capa e contra-capa, Neil conta, através das suas muitas semanas de viagens ano após ano, o que viu, o que apurou e promete revelar também alguns segredos.

Conheço Neil de anos de circuito. Correspondente do The Times, da Inglaterra, há mais de década, sempre foi um dos jornalistas internacionais mais acessíveis, respeitosos e respeitados. Por isso, tem acesso praticamente livre aos jogadores, dirigentes, torneios, ATP, ITF e WTA. No entanto, esse privilégio concebido por meio de trabalho honesto e bom jornalismo, nunca o fizeram criticar quando era hora de dizer algo, ou denunciar algum escândalo. Ele também não poupa reclamações em sua conta no twitter quando se faz necessário.

Murray, Azarenka, Nadal e Djokovic dão depoimentos na capa, orelha e contra-capa do livro.

Promete ser um deleite para os fãs de tênis, da mesma. Pelo que vi do livro e conversei com Neil, me faz lembrar um livro dos anos 90, Tough Draw, que li e me fez sonhar com o circuito.

court confidental back cover

Court Confidential, Inside The World of Tennis – Neil Harman

Robson Press

Preço – 20 libras