CBT e FFT lançam circuito brasileiro de tênis amador, em Paris

A Federação Francesa de Tênis, em parceria com a Confederação Brasileira de Tênis, lançou neste sábado (2), em uma coletiva de imprensa em Paris, o Roland-Garros Amateur Series by Peugeot, um circuito de tênis amador que será realizado pela primeira vez no Brasil. Estiveram presentes no lançamento o presidente da FFT, Bernard Giudicelli, e o Diretor de relações internacionais da FFT, Pascal Maria, o Coordenador de Projeto internacionais da FFT, Lucas Douborg, o presidente da CBT, Rafael Westrupp, o conselheiro da CBT, Rafael Kuerten, o gerente de Esportes e Eventos da CBT, Eduardo Frick, o diretor de Marketing e Comunicação da Peugeot na França, Thierry Lonziano, e o representante do Minas Tênis Clube, Ernani Melo, irmão do tenista Marcelo Melo.

O presidente da CBT, Rafael Westrupp, celebrou a ampliação da parceria com a Federação Francesa. “É muito mais do que uma parceria comercial entre CBT e FFT. Nossa parceria, que teve início com o Rendez-vous à Roland Garros, está crescendo. Esse ano, obtivemos duas vagas no torneio – meninos e meninas. Agora, estamos dando um novo passo para aproximar os jogadores amadores no Brasil. Isso tudo com a profunda confiança da Peugeot, da Federação Francesa de Tênis e dos clubes, que estão fazendo esse sonho virar realidade no Brasil”, disse Westrupp.

O mesmo tom de parceria e amizade entre as entidades foi adotado pelo presidente da FFT, Bernard Giudicelli, que ainda lembrou dos triunfos de Gustavo Kuerten em Roland Garros. “Quero agradecer ao meu amigo Rafael porque essa parceria é baseada em uma verdadeira amizade entre nós e entre a CBT e a FFT, não são apenas negócios. A Federação Francesa de Tênis tem uma boa lembrança das três vitórias do Guga aqui. Guga ainda está em nosso coração, e o Brasil não é para nós apenas um parceiro, é uma verdadeira amizade entre os nossos países. Obrigado, Peugeot, obrigado, Rafael”, ressaltou o presidente da FFT.

A parceria da Peugeot com Roland Garros já tem 34 anos e a montadora também é patrocinadora da CBT. “É uma longa história, somos parceiros de Roland Garros por 34 anos. Somos parceiros em diversos torneios ao redor do mundo, o tênis é muito importante para nós. Estamos muito felizes com essa parceria. O Brasil é um país muito importante para nós, estamos presentes na América do Sul, temos fábricas no Rio, em Porto Real, em São Paulo. O tênis, essa parceria e esse projeto Amateur Series terão todo o nosso apoio para organização e para a comunicação. Estamos orgulhosos de receber esse projeto aqui e também de fazer parte dele”, destacou o diretor de Marketing e Comunicação da Peugeot na França, Thierry Lonziano.

Como será o Roland-Garros Amateur Series by Peugeot?

O Amateur Series terá quatro etapas no Brasil, três em 2018 e a quarta em março de 2019, todas disputadas no saibro. A última etapa reunirá os oito melhores de cada categoria. Ao todo, serão 22 categorias. Da 1ª a 6ª classe no masculino e da 1ª a 5ª no feminino. O campeão geral de cada categoria, após as quatro etapas, participará de um sorteio, onde o vencedor ganhará uma viagem a Roland Garros com as despesas totalmente pagas durante uma semana.

A etapa inaugural será realizada no Iate Clube de Brasília, no Distrito Federal, entre 23 e 26 de agosto. O segundo torneio será disputado entre 4 e 7 de outubro em Belo Horizonte, no Minas Tênis Clube, que se tornou o primeiro clube do Brasil a receber o selo Roland Garros, neste sábado, em Paris. A terceira etapa ocorrerá em Porto Alegre, de 22 a 25 de novembro. As finais serão disputadas no Rio de Janeiro em março de 2019.

Esta será a primeira vez que a CBT terá um circuito de tênis amador que reunirá adolescentes e adultos no mesmo torneio. O Amateur Series é destinado a jogadores amadores, homens e mulheres, entre 13 e 80 anos, e contará com um sistema de pontos para o ranking nacional de classes. O objetivo é reunir jogadores de diferentes clubes, idades e níveis de jogo na mesma competição. Hoje, o Brasil tem aproximadamente 100 mil tenistas amadores adultos que jogam torneios de clubes organizados pelas Federações de cada estado.

Segundo uma pesquisa da Sports Marketing Surveys INC., 2,3 milhões de pessoas jogam tênis no Brasil, o equivalente a 1,3% da população nacional. A maioria destes praticantes está concentrada no amador. Ainda de acordo com o estudo, 28% do total de jogadores são homens com 35 anos ou mais, 47% preferem jogar em clubes, 20% em academias e 13% em condomínios, casas e quadras privadas.

“Não é uma parceria baseada apenas no alto rendimento, esse projeto é baseado no tênis do cotidiano, no tênis amador, que constitui a principal riqueza de uma federação. Todos os jogadores de alto nível vêm de um clube, eles aprenderam em um clube. Se eles aprenderam em um clube é porque tiveram estrutura para acolhê-los, dos treinadores e dos dirigentes”, afirmou Giudicelli.

“Obrigado, Peugeot, pela confiança. Quero agradecer ao Rafael Kuerten, que é membro do nosso conselho e irmão do Guga, que conhece profundamente essa quadra atrás de nós, ao Ernane Melo, que tem a confiança da Federação Francesa recebendo o selo Roland Garros para o Minas Tênis Clube”, destacou Westrupp.

“É uma parceria fantástica para a Confederação Brasileira de Tênis, pensando a médio prazo. O que podemos trocar com a Federação Francesa de Tênis é fantástico, eles têm um trabalho bastante estruturado aqui, tanto na gestão, quanto na parte técnica. Só temos a ganhar. Além disso, vem também um encantamento. A Federação Francesa está ligada a Roland Garros, que, por sua vez, para nós, brasileiros, tem a história do Guga. Tem esse encanto que podemos também levar para os jogadores e para os jovens. Estou muito convicto de que só vamos colher bons frutos”, ressaltou Rafael Kuerten.

“É um prazer estar aqui anunciando essa parceria para nós, estamos muito orgulhosos de fazer parte desse mundo, nos considere igualmente como amigos. Sou o irmão mais velho do Marcelo Melo, que venceu aqui em 2015. Roland Garros está no sangue da nossa família também. Muito obrigada, nossa parceria será muito importante para desenvolver o tênis brasileiro. No Minas Tênis Clube, que é o maior clube do Brasil, podemos desenvolver ótimos projetos. Obrigado novamente. O anúncio dessa parceria é muito positivo e estamos muito orgulhosos”, comemorou Ernani Melo.

Foto: Jean-Charles Caslot/FFT

Meligeni: “Precisamos desesperadamente de união e de um rumo pro tênis”

meligeni-peqFernando Meligeni, além de ídolo do tênis brasileiro, sempre foi conhecido por uma personalidade forte dentro e fora das quadras, um lutador. E o mesmo empenho que colocava com a raquete nas mãos, que o levou à semifinal de Roland Garros, em 1999, e ao nº 25 do ranking da ATP, foi passada para sua dedicação no trabalho como comentarista depois da carreira.

Atualmente, o “Fino” é comentarista e blogueiro da ESPN, além de ser uma pessoa marcante por sua simpatia, acessibilidade e educação no trato com todos, sem deixar passar a possibilidade de demonstrar com palavras sua opinião sobre o tênis.

Em uma conversa na última quinta-feira (dia 08), durante o evento de lançamento da edição de 2017 do Rio Open, que tem como novo patrocinador a marca Fila, da qual Meligeni é embaixador, ele mais uma vez deixou claro o que pensa sobre os rumos que o tênis brasileiro está tomando e apresentou ideias que podem melhorar a qualidade do esporte que tanto ama.

Essa postura firme, por vezes, já o fez ter a antipatia de grupos políticos, inclusive ligados a Confederação Brasileira de Tênis, mas ele não deixa de expor seu posicionamento, de acordo com suas convicções, mesmo que isso contrarie aqueles que seriam responsáveis pela valorização do esporte, assim como de seus principais responsáveis: os tenistas.

“Acho meio patético ter uma confederação que não usa os atletas que fizeram o esporte. Quando a gente vai pra um cargo público, não tem muito essa história de quem eu gosto e quem não gosto. O que conta são as pessoas que são importantes pro tênis. A gente não pode esquecer do Thomaz (Koch), do Meligeni, do Jaime Oncins, do Ricardo Mello, do Saretta. É a nossa História. A gente não mora em um país em que muitos caras foram 10 do mundo.”

Uma das coisas que parecem incomodar Meligeni é justamente essa falta de reconhecimento dos órgãos que regem o tênis, enquanto os fãs do esporte continuar a enaltecer os feitos das gerações anteriores:

“Acho muito engraçado. Na rua, a molecada idolatra a gente, somos muito bem tratados pelos pais, enquanto na nossa própria entidade a gente não é. Nunca fiz nada. Pode ser que eu tenha uma postura diferente, uma visão diferente.”

Recentemente, em uma entrevista para o jornalista Alexandre Cossenza, do blog Saque e Voleio, Thomaz Koch, um dos principais jogadores da História do tênis brasileiro, relatou o fato de não ter ganhado um único ingresso para o confronto entre Brasil e Croácia pela Copa Davis, em 2015. Koch assistiu ao confronto arcando com todas as despesas, desde passagens e hospedagem, conseguindo um convite já em Florianópolis, sede dos jogos. Meligeni não deixou de opinar sobre o assunto, revelando uma tentativa que fez no passado para mudar esse tratamento com ex-jogadores:

“Eu me sinto muito à vontade pra falar sobre isso, pois quando fui capitão de Copa Davis, pleiteei isso, que um camarote em todos os confrontos teria que ser dos ex-jogadores. E fui vetado pelo mesmo presidente (Jorge Lacerda, atual presidente da CBT) que não deu a entrada pro Thomaz. 70 anos de idade, o cara mais importante do país em Copa Davis…se você não der ingresso pra ele, vai dar pra quem? Chega a ser triste ver que essa é a realidade do nosso esporte.”

Neste ano, a CBT teve um corte significativo na sua verba de patrocínio para os próximos anos, já que o contrato com o Correios acabou e a renovação foi ratificada por um valor muito abaixo do anterior. Meligeni não deixou de dar sua opinião sobre como esse investimento deve ser feito a partir de agora:

“Vai depender muito da maneira que for olhado. Não adianta der 7 milhões por ano e ir por um lado que, na visão da gente, tenista, não é o mais correto. Com todo respeito que tenho pelos tenistas (melhores ranqueados), acabaram de passar dois (Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro passaram e cumprimentaram Meligeni), a CBT não tem que olhar eles. Ajudar eles, trocar com eles sim, mas não ajudar financeiramente. Vamos ver se agora que tem bem menos dinheiro, acho que 2 milhões por ano, olham a base. Aí é uma visão minha, não é uma crítica. Tem hora que critico. A coisa do Thomaz (Koch) eu critiquei, mas linhas de conduta é a particular. Eu tenho a minha, o Guga tem a dele, o Thomaz outra…são apenas linhas diferentes de pensamento. Agora vai ter menos dinheiro e vai ter que ser bem gasto.” afirmou.

Sobre o presidente da entidade máxima do tênis brasileiro, Meligeni fez questão de ressaltar que nem tudo pode ser olhado por um ponto de vista negativo, mas disse que Jorge Lacerda errou quando não soube se relacionar com muita gente do meio tenístico:

“Eu acho que o Jorge tem coisas legais. Não acho que tudo foi ruim. Acho que o Jorge conseguiu tirar o tênis de um grande limbo que estava na gestão anterior. Conseguiu um patrocinador muito forte, que é o Correios, conseguiu coisas boas. Acho que ele pecou muito no relacionamento. Achou muito que a CBT era dele. E essa é minha crítica a ele. E esse é um problema do político brasileiro. Nosso querido presidente do Senado acha que é o dono do Senado. O presidente da Câmara achava que era dono da Câmara. O presidente do Brasil acha que é o dono do Brasil. E não é. Dirigente da CBT não é dono do tênis. “ disse Meligeni. “Espero que o Rafael (Westrupp, presidente eleito da CBT), mude isso. Se vai pra um lado ou outro, tudo bem. E pode até errar, é normal. O que não pode é ter 50 tenistas que você não olha na cara.” completou.

O futuro do tênis parece ser uma preocupação constante do ex-jogador, que acredita na junção de forças para fazer uma mudança pra melhor no esporte do país;

“A gente precisa desesperadamente fazer uma união do tênis e ter um rumo. Eu não acho que o Brasil tenha uma plataforma, uma gestão de tênis. Acho que dá pra fazer uma gestão muito maior, uma unidade muito maior. Temos grandes nomes no tênis brasileiro, com grandes técnicos que são reconhecidos no mundo inteiro. Grandes ex-jogadores que são reconhecidos. Dá pra fazer coisa melhor.”

Por fim, Meligeni disse estar animado com a próxima edição do Rio Open, destacando o que, em sua opinião, o torneio oferece de melhor aos jogadores e amantes do esporte da bolinha amarela:

“O Rio Open está totalmente dentro do coração e do respeito do atleta. Sempre com grandes nomes, casa cheia. O tênis é bem tratado. O Rio Open trata o tênis como a gente gosta de ser tratado. Trata bem. Vai ter erros e vai ter acertos de novo, mas trata bem. Ano que vem vai fazer sucesso, com grandes nomes, como o Nishikori, e espero muita coisa boa.” finalizou.

Por Filipe de Lima Alves