Djokovic, “pela honra da primeira treinadora”

Roland Garros é o único torneio que falta para Novak Djokovic completar o Grand Slam e se até dois dias atrás esse era o principal motivo para ele lutar pelo Trophee des Mousquetaires, hoje ele declarou abertamente que  “pela honra de Jelena Gencic, preciso ir até o fim.”

Com o cancelamento da entrevista coletiva pós-vitória sobre o Dimitrov, dois dias atrás, quando soube da morte de Jelena Gencic, a treinadora que o descobriu nas montanhas de Kapaonik e ënsinou tudo que ele sabe,”a sala estava lotada hoje.

Com um colete fashion vermelho, grosso, meio brilhante, de nylon (procurei a foto, mas não encontrei – não podemos fotografar na sala de imprensa), nem reparei que ele já estava sentado quando entrei na Sale de Interview.

A primeira pergunta foi sobre o jogo e as condições difíceis, com o vento. Mas, em seguida, o assunto mudou para o da treinadora sérvia. De coração aberto, Djokovic falou da importância de Jelena para a sua formação, do caráter, do amor dela ao tênis e como muitas vezes nos esquecemos como esses treinadores, professores de crianças, são fundamentais para o desenvolvimento do esporte.

Ele falou muito mais do que eu esperava sobre um assunto tão delicado. Só em um momento, quando um jornalista do USA Today insistiu para ele contar como foi o último encontro com Jelena, em detalhes, ele pediu para não falar mais no assunto.

Abaixo os trechos da entrevista em que ele fala dela e principalmente o que menciona que agora é questão de honra vencer.

É justo dizer que as últimas 24 horas foram difíceis?

Djokovic: “Sim. Não está fácil, mas é a vida. A vida te dá coisas, tira pessoas próximas de você e Jelena foi a minha primeira técnica, era a minha segunda mãe. A gente sempre foi muito próximo, a vida toda. Ela me ensinou muitas coisas que são parte de mim, parte do meu caráter e eu tenho as melhores lembranças dela.

Isso vai ficar comigo para sempre. Espero que possa continuar onde ela parou, com o legado. Ela deixou tanto conhecimento para mim e para as pessoas que eram próximas dela.

Sinto a responsabilidade de continuar a fazer algo no futuro, porque ela trabalhou com crianças de 5, 6 anos até os 12, 13 anos. Ela dedicou a vida dela ao tênis. Nunca se casou. Nunca teve filhos. O tênis era tudo que ela tinha na vida.

Ela tinha 77 anos e antes de morrer 2 dias atrás, na semana passada, ela estava dando aulas. Ela não estava preocupada com a natureza da doença. Ela teve câncer de mama. Sobreviveu a isso. Ela é uma das pessoas mais incríveis que eu conheci.

Você acha que a sua equipe fez o certo em te contar apenas depois do jogo?

Sim, mas mesmo assim foi um choque.

Tive a sorte de encontrar a Jelena 5 anos atrás. Ela parecia muito calma. Falava devagar. Você concorda? Ela não era uma típica sérvia?

Nós somos muito emotivos, mas também temos um lado calmo.

Ela sabia exatamente o que tinha que faze rem quadra. E também na vida particular.  Ela nunca mostrava as fraquezas. Acho que é algo que todo mundo próximo dela aprendeu. Porque mesmo com lesões – ela jogava handball, tênis, dava treinos, e nunca mostrava quando estava lesionada ou triste. Ela sempre estava tentando ser positiva e sorrindo. Transcendia isso para todo mundo.

Ela também era uma mulher muito inteligente. Ela não treinava com todo mundo. Ela sabia reconhecer o potencial dos jogadores de tênis. Por isso ela é a melhor técnica para aquela geração jovem que eu já encontrei na vida.

As pessoas subestimam a importância do início, da infância dos jogadores de tênis, aquela idade entre 05 e 14 anos. É nessa idade que você desenvolve todas as suas habilidades e é importante ter alguém com conhecimento. Ela era ótima.

Faz um tempinho você dividiu conosco memórias do seu falecido avô. Qual é a sua melhor lembrança dela?

Foram muitos, muitos grandes momentos. De uma certa forma a experiência de ter perdido o meu avô no ano passado me ajudou um pouco, a ficar forte desta vez. Eu demorei para me recuperar. Esse ano, de novo, uma pessoa muito próxima, outro choque para mim. Mas estou lidando melhor, tentando me concentrar nas melhores lembranças dela e no tempo que passamos juntos.

É o melhor que você pode fazer quando alguém próximo falece, porque o espírito deles sempre vai estar com você, está na sua mente.

Eu sei que o espírito dela estará sempre comigo na quadra de tênis, porque era o que ela amava, o lugar favorito dela no mundo e vou me assegurar de que o legado dela continue.

Continuando no assunto, você tira forças disso? Como? Serve de inspiração?

Agora me sinto ainda mais responsável para ir até o fim neste torneio. Quero fazer isso pore la, porque ela era uma pessoa muito especial na minha vida. Lembro a última conversa que tivemos, há duas semanas, sobre Roland Garros. Ela falava o que pensava e me disse: “Você tem que se concentrar, focar a sua atenção neste torneio. Você precisa vencer esse torneio.”Ela estava me motivando ainda mais. Então, agora, pela honra dela, preciso ir até o fim. Mas, sabe, não depende só de mim. Tem tantos jogadores bons ainda no torneio. Me dá uma força interna ainda maior, para ir além.

Outros jogadores não teriam falado sobre isso na sala de imprensa. Outros jogadores não mostram emoção em quadra. Você faz os dois. Como isso te ajuda na carreira?

Bem, tem coisas que você mantém privadas e coisas que divide com todos. Sempre tentei estar com o coração aberto e me expressar de maneira honesta e verdadeira, como sempre fiz.Foi assim que aprendi, com meus pais, minha família e com a Jelena. Isso é quem eu sou.

Você pode esclarecer quando a encontrou pela última vez, a última vez que viu ela?

Antes do torneio de Dubai, 2 meses atrás.

Onde você a encontrou? Você a visitou em casa? Foi uma visita social?

Sim.

Você poderia falar sobre isso?

Não gostaria de falar sobre isso, se você não se incomoda. Acho que já falei o suficiente.

Você acha que isso contribui para o que você pode vir a conquistar?

Bem, a morte de um próximo, de uma pessoa especial na sua vida não é algo que eu estava desejando. Mas como eu disse, é a vida e você tem que seguir adiante.

Acredito que seja o destino, que as coisas acontecem por uma razão.

Diana Gabanyi

Foto: Cynthia Lum

Roland Garros: Wawrinka vence Gasquet. Nadal e Djokovic passam. Quartas começam na terça

Estão definidas as quartas de final da chave masculina de Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada, disputado no saibro de Paris.

Nesta segunda-feira, o sérvio Novak Djokovic precisou virar contra o alemão Philipp Kohlschreiber e fechou a partida em quatro sets, com parciais de 4/6 6/3 6/4 6/4.

O adversário do nº 1 do mundo nas quartas será o alemão Tommy Haas, que atropelou o russo Mikhail Youzhny, vencendo a partida em sets diretos, com parciais de 6/1 6/1 e 6/3.

Outra partida das quartas será entre o espanhol Rafael Nadal, aniversariante desta segunda (completou 27 anos), que bateu o japonês Kei Nishikori por 6/4 6/1 e 6/3, e o suíço Stanislas Wawrinka, que venceu o grande jogo do dia, depois de lutar por 5 sets contra Richard Gasquet e a torcida francesa, conquistando a vitória com parciais de 6/7(5) 4/6 6/4 7/5 e 8/6.

Quartas começam nesta terça

Os dois primeiros jogos das quartas de final serão disputados nesta terça-feira.

O jogo mais esperado do dia será entre o suíço Roger Federer e o francês Jo-Wilfried Tsonga, que segue como única esperança da torcida da casa no torneio.

O outro jogo do dia será entre os espanhóis David Ferrer e Tommy Robredo.

Ferrer busca igualar a campanha do ano passado, quando parou apenas na semifinal, seu melhor resultado no Grand Slam francês, enquanto Robredo busca manter a sequência de grandes vitórias, já que nos últimos três jogos saiu de uma desvantagem de dois sets para virar a partida.

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Foto: Cynthia Lum

Nesta terça, Bia Haddad busca vaga nas quartas de Roland Garros. Matos e Zormman jogam duplas

Beatriz Haddad Maia, nº 32 do ranking juvenil e 405ª colocada no ranking da WTA, venceu, nesta segunda-feira, mais uma partida na chave juvenil de Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada, disputado no saibro de Paris.

A brasileira superou  de virada a tcheca Barbora Krejcikova, cabeça de chave nº 13, com parciais de 3/6 6/4 e 6/3.

Nesta terça-feira, em partida válida pelas oitavas de final,  Bia Haddad terá pela frente a suíça Belina Bencic, que venceu a francesa Fiona Ferro por 6/3 e 6/0.

Na chave de duplas, ela e a equatoriana Domenica Gonzalez passaram pela estoniana Anett Kontaveit e a eslovaca Petra Uberalova por 3/6 6/3 e 10/7.

Também nesta terça, Rafael Matos e Marcelo Zormann entram em quadra pela chave de duplas. Eles enfrentam a dupla cabeça de chave nº 1, formada pelo belga Clement Geens e o sérvio Nikola Milojevic.

Foto: Diana Gabanyi

Soares e Peya vencem e enfrentam Melo e Dodig nas oitavas de Rolang Garros. Sá perde

Bruno Soares e o austríaco Alexander  Peya venceram mais uma partida e estão nas oitavas de final de Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada, disputado no saibro parisiense.

Nesta segunda-feira, eles passaram dupla formada pelo búlgaro Grigor Dimitrov e o dinamarquês Frederiki Nielsen, com parciais de 6/3 e 7/5, e agora enfrentam a parceria formada pelo mineiro Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig. A partida está marcada para esta terça-feira.

Em 2010, quando jogavam juntos, Soares e Melo chegaram às quartas de final do Grand Slam francês, que foi a melhor campanha da dupla no torneio.

Duplas mistas

Também nesta terça, Marcelo Melo entra em quadra pela chave de duplas mistas. Ele e a norte-americana Liezel Huber enfrentam a sérvia Jelena Jankovic e o indiano Leander Paes.

Sá e Lopez perdem para espanhóis

Também nesta segunda, André Sá e o espanhol Feliciano Lopez não resistiram aos espanhóis David Marrero e Fernando Verdasco, cabeças de chave nº 8, e foram superados nas oitavas de final por um duplo 6/2.

Foto: Diana Gabanyi

Federer, o engraçadinho

Federer sempre foi gentleman, desde o início da carreira. Suas entrevistas sempre foram longas e em três línguas – inglês, francês e suíço alemão. Mas, de uns tempos para cá o suíço ficou engraçadinho também.

Primeiro achei que fosse somente em eventos de patrocinadores, em exibições, quando não há pressão, concentração e é hora de aproveitar mesmo. Não é não. Faz um tempo já que nas entrevistas em quadra ele está descontraído e nas coletivas também. Acompanhei praticamente todas dele em Roland Garros e reproduzo aqui partes da de ontem, após a vitória  de número 900 sobre Gilles Simon para mostrar que entre as respostas sérias e longas, ele está toda hora fazendo uma gracinha.

Q.  36 consecutive Grand Slam quarterfinals.  I was wondering how this achievement, in your opinion, ranks compared to the others that you have had?

ROGER FEDERER:  Well, I was asked on court.  I’m not going to say something totally different to you guys than to all the people, but I guess this is maybe a record I look back on when I’m not playing anymore, and go like, That was incredible that I was able to achieve this.  Because this isn’t just a one‑week thing or one‑year thing.  This is such a long period of time that I had to fight through matches like the one, for instance, here today.

The number is unbelievable.  I probably would have been happy with one at one point in my career, when I was younger and eventually you raise the bar and say, Okay, hopefully I can reach my first semifinals, like in 2003 at Wimbledon.  I went on to win the tournament, and the rest we know.

It’s been an amazing run, and I’m happy I’m still on it.

Q.  You were laughing when Gilles made his speech on center court.  Did he say something particularly funny for those who didn’t hear it and don’t know what he said?

ROGER FEDERER:  What did he say?

Man, I guess he mentioned something like he obviously hopes he can beat me sometime.  He was right, you know.  (Laughter.)

He’s not going to stand there like saying, I hope I’m not going to lose next time.  It’s very uncomfortable.  The other guy is sitting there.  I guess that’s what it was.  Maybe there was something else which now I forgot.  Too many things happened in the last hour.

Q.  You’re looking very fresh.  Actually, doesn’t look like you played five sets.

ROGER FEDERER:  Thank you.  You look great, too.  (Laughter.)

Q. Thanks.

ROGER FEDERER:  For watching a match of five sets.  Did you take a shower?  (Laughter.)

Q. These boring interviews, we have to get you guys to loosen up a bit.

ROGER FEDERER:  I’m happy you did.

Q.  As far as longevity goes ‑ and one would love to see you play forever because you’re such a fantastic player.

ROGER FEDERER:  Well I may not, but hopefully for a long time, yes.

Q.  36 quarters is an incredible accomplishment.  A big number.  Among all those quarterfinals, could you possibly pick out one or two that were particularly important or particularly meaningful in all of those?

ROGER FEDERER:  The quarterfinal match itself then

Q.  Yes.

ROGER FEDERER:  God.  (Laughter.)

How much time do you give me?  Let me think.

I guess two that come to mind ‑‑ I don’t know.  I guess part of the streak.  It was maybe the first one in ‑‑ because I lost first round at the French in ’03 and then made the quarters at Wimbledon ’03, and then beat Sjeng Schalken, I think, on Court 2.

That was the first time for me to make it to a semis.  He was injured.  He couldn’t move very well.  He had a foot problem, I remember.  And I wasn’t happy he had that, but I was happy he wasn’t the Sjeng Schalken I knew he could be on the grass.

That was for me a particularly big one for me to give myself an opportunity to play Roddick in the semis.  I won Halle he won Queen’s, and I won that to go on and win.

So that one stands out for me.  But then ‑‑ I don’t know if that was the quarters, but I think it was ‑‑ against Agassi at the US Open.  I don’t know if the wind match ‑‑ was that a semis?  Anyway, so then I guess it’s just the Wimbledon match.

Otherwise if that was the quarters, that was an important one for me in my life.

Q.  It was a madhouse out there.  The volume of sound, that was incredible.  You were walking around behind the court in between points.  What are you saying to yourself, and can you get lost in your own head at that point and just forget everything?

ROGER FEDERER:  Yeah, I thought it was very fair.  I said it on the court, too.  But today definitely reminded me what Simon’s first name was.  I heard that throughout the entire match.  But I enjoyed it.

It’s always nice being part of an atmosphere like the one we had tonight, and you always look forward to those kind of matches.  You know, while you’re walking in the back you tell yourself that’s exactly why I work hard for; I’m going to be strong, stronger than him; I’m going to be good here; I’m going to fight and leave everything on the court.

That’s what I guess I was telling myself at times, as well.

(Pergunta do Felipe Andreoli – CQC) Q.  They already asked you about your physical, and we were worried about your back.  I want to know, how is your back, and if it hurts, I could do a massage because we want to see you at the finals.

ROGER FEDERER:  Right, right.  No, my back is good.  I’m happy it’s good so you don’t have to touch me.  (Laughter.)

Good to see you again.

Q.  I wonder what you thought of Tommy Robredo’s exploits in this tournament, winning three matches in concession from two sets to love down, a player over 30 who probably we have all been saying should have retired long ago.  You know what that’s like.  Doing that, how big of an achievement is that?

ROGER FEDERER:  I think it’s amazing, really.  I did see Tommy as well in Sao Paulo, so for me I was happy to see him back on tour.  He was injured for some time.  I have known him, man, since I was 15 maybe, so we go way back.  He was always one of the top juniors, as well.

So on tour we were very friendly.  I don’t quite know how it is to come back from injury, to be honest.  I know how it is to come back from two sets to love, and that is a big deal.

So the combo of him doing that three times consecutively at probably his most favorite tournament in the world, yeah, amazing achievement.  And, yeah, couldn’t be happier for the guy, really.

Q.  And what was the words that you heard in the audience that affected you?  I mean, I heard one that shocked me.  It was, Roger give me your genetic pool.

ROGER FEDERER:  It’s difficult really to pick out those sort of words ‑ it has to be cried out when everything else is tranquil in the stadium ‑ unless you’re sitting right next to the chap who’s saying it.

I mean, I hear basic things, if you like, but sometimes it’s true that you can pick out, I don’t know, maybe it’s a ball boy or, you know, people say, Roger, you know, Go for it, Roger.  You pick up on that.

It’s nice, those little messages of encouragement there just to help you.

Foto de Roger Federer: Cynthia Lum

Diana Gabanyi

Roland Garros: Serena vence com tranquilidade e Radwanska bate Ivanovic. Sharapova joga na segunda

Neste domingo, o primeiro dia de disputa das oitavas de final da chave feminina de Roland Garros contou com a vitória da experiente russa Svetlana Kuznetsova sobre a alemã Angelique Kerber, com parciais de 6/4 4/6 e 6/3.

Mais uma vez, a norte-americana Serena Williams, nº 1 do mundo, não deu chances para a sua adversária e bateu a italiana Roberta Vinci cedendo apenas 4 games, fechando a partida com parciais de 6/1 e 6/3.

A italiana Sara Errani precisou virar contra a espanhola Carla Suzarez Navarro e fechou a partida com parciais de 5/7 6/4 e 6/3, e a polonesa Agnieszka Radwanska fechou o dia de jogos com uma vitória sobre a sérvia Ana Ivanovic por 6/2 e 6/4.

Sharapova joga na segunda. Schiavone x Azarenka

Nesta segunda, a italiana Francesca Schiavone, campeã do torneio em 2010, joga por uma vaga nas quartas de final contra a bielorrussa Victoria Azarenka.

A russa Maria Sharapova, atual campeã, enfrenta a norte-americana Sloane Stephens, e a sérvia Jelena Jankovic joga contra a norte-americana Jamie Hampton.

Ainda na segunda, a norte-americana Bethanie Mattek-Sands, surpresa do torneio ao eliminar a chinesa Na Li, joga pelas oitavas contra a russa Maria Kirilenko.

Para conferir os resultados deste domingo, clique aqui.

Para conferir a programação desta segunda, clique aqui.

Foto: Cynthia Lum

Larri, encontro de Bia e Sharapova, Robredo e Federer

O tempo passa mas algumas coisas não mudam em Roland Garros. Há 28 anos Larri Passos está aqui com juvenis, profissionais, com Guga, claro, sendo tricampeão e agora com Bia Haddad Maia. A mesma careca, raspada em 1999, quando Guga chegou às 4as de Wimbledon e muitos dos mesmos hábitos.

Cheguei cedo para assistir o jogo da Bia Maia. De longe, nas escadinhas da quadra 5 avistei o Larri sentado no canto, com a mão no rosto, perna cruzada, assistindo a tenista fazer uma excelente estreia em Roland Garros. Sentei com ele para assistir a vitória diante de Theo Gravouil por 6/1 6/2 e Larri foi me contando da evolução da Bia, das vitórias nos Challengers na Itália, dos planos e do trabalho de construção de uma carreira. Com os pontos conquistados nos torneios profissionais na Itália ficará entre as 330 do mundo e começará a jogar Challengers maiores, de U$ 50 mil e qualifyings de U$ 100 mil. Os torneios Futures de U$ 10 mil já ficaram para trás, assim como praticamente os torneios juvenis.

Depois do jogo fomos tomar um café na Suzanne Lenglen, como sempre fazíamos. Encontramos conhecidos, amigos, jogadores, técnicos, jornalistas, fomos lembrando de anos de história em Paris e Larri me contando do que já fez aqui com a Bia, que a apresentou para a Sharapova, onde já treinaram, comeram, enfim, tudo que a experiência dele proporciona para a tenista de recém-completados 17 anos.

Nenhum treinador no Brasil tem o conhecimento de Larri do circuito, a confiança e principalmente, mesmo anos depois de já ter se consagrado, o sonho de querer ver mais um tenista erguendo uma taça em Roland Garros, a vontade e um embasamento profundo. Pode ter gente que discorde dos métodos, da dureza do técnico, da maneira de levar as coisas, mas sempre disse e continuo dizendo, em quadra ele é indiscutível. Os resultados da Bia mostram.

Ainda assediado pelo público, brasileiro e estrangeiro, depois do nosso longo cafezinho, Larri foi dar entrevistas, posou para fotos, deu autógrafos e não cansou de ouvir “Merci Pour Guga.”

Com a Bia conversei um pouco depois. Ela falou do encontro com a Sharapova (no Brasil, já cansaram de escrever que ela é a Sharapova brasileira). Disse que Larri as apresentou e depois ficaram medindo para ver quem era a mais alta. Sharapova ganhou por 3cm, com 1,87m. A brasileira falou que apesar de não ser a primeira vez que joga em Roland Garros – foi vice de duplas no ano passado -, ainda sente um certo nervosismo jogando em um lugar tão especial como o complexo francês, mas que está confiante, especialmente depois dos resultados dos Challengers na Itália (foi vice-campeã de um e alcançou as oitavas em outro).

Os outros juvenis brasileiros, Marcelo Zorman, Rafael Matos e Carolina Meligeni Alves perderam na estreia neste domingo.

Depois da manhã e do início da tarde acompanhando os juvenis, consegui ver o 4º e o 5º set da vitória de Tommy Robredo, de virada, sobre Nicolas Almagro e lembrar do jogo que ele ganhou do Guga aqui em 2003, nas oitavas-de-final. O tricampeão já tinha feito cirurgia no quadril e sofreu com as curtinhas do espanhol. Neste domingo, Robredo, que há um ano não estava nem entre os top 400, se recuperando de lesão no adutor e mal conseguia correr, venceu o 3º jogo seguido depois de estar perdendo por 2 sets a 0 e está nas quartas em Paris. Só que desta vez com muito mais emoção do que das outras 4 vezes, quando vencer e ainda mais no saibro, era normal.

A ideia era, depois da entrevista do Robredo, ir para a degustação de queijos e vinhos no salão da Suzanne Lenglen. Mas, com o jogo do Federer e Simon emocionante, indo até quase 21h, vou ter que torcer para fazerem outra nos próximos dias.

Federer, como ele mesmo disse, “quase foi para casa mais cedo.”O francês chegou a ter 2 sets a 1, mas o suíço saiu vencedor.

Fim especial da primeira semana em Roland Garros. Mais um jogo de cinco sets, de altíssimo nível e com um público participativo, torcendo para os dois jogadores, gritando “Rodgeur Rodgeur”e Ällez Gillou” até o último ponto.

Diana Gabanyi

 

Roland Garros: Ferrer, Tsonga, Federer e Robredo estão nas quartas. Nadal e Djokovic jogam na segunda

Foram disputados neste domingo os primeiros jogos das oitavas de final de Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada e disputado no saibro de Paris.

No primeiro jogo do dia, o espanhol David Ferrer venceu o sul-africano Kevin Anderson em sets diretos, sem muitas dificuldades, com parciais de 6/3 6/1 e 6/1.

Seu adversário nas quartas de final será o espanhol Tommy Robredo, que fez uma incrível partida contra o compatriota Nicolas Almagro. Assim como nas suas duas partidas anteriores, – contra Gael Monfils e Igor Sijsling –  ele perdeu os dois primeiros sets, mas conseguiu uma bela virada, conquistando a vitória com parciais de 6/7(5) 3/6 6/4 6/4 e 6/4.

O tenista da casa que também garantiu sua vaga nas quartas foi Jo-Wilfried Tsonga, que venceu o sérvio Viktor Troicki em três sets, com um triplo 6/3.

Na última partida do dia, o suíço Roger Federer teve muito trabalho contra o francês Gilles Simon, mas acabou vencendo em 5 sets, com parciais de 6/1 4/6 2/6 6/2 6/3 e agora será o adversário de Tsonga nas quartas.

Djokovic e Nadal em ação na segunda-feira

Nesta segunda-feira, o sérvio Novak Djokovic, nº 1 do mundo, entra em quadra para buscar uma vaga nas quartas de final contra o alemão Philipp Kohlschreiber.

Outro jogo das oitavas será entre o russo Mikhail Youznhy e o alemão Tommy Haas, enquanto o francês Richard Gasquet encara o suíço Stanislas Wawrinka.

Para completar, o espanhol Rafael Nadal continua sua busca pelo oitavo título do torneio contra o japonês Kei Nishikori.

Para conferir os resultados deste domingo, clique aqui.

Para conferir a programação desta segunda, clique aqui.

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Foto: Cynthia Lum

Bia Haddad estreia com vitória na chave juvenil de Roland Garros

Dos quatro juvenis brasileiros que fizeram neste domingo a sua estreia em Roland Garros, apenas Bia Haddad Maia conseguiu a vitória.

Ela venceu a francesa Theo Gravouil por dois sets a zero, com parciais de 6/1 e 6/2 e sua adversária na próxima rodada será a tcheca Barbora Krejcikova, cabeça de chave nº 13.

Carolina Meligeni Alves foi derrotada pela equatoriana Domeniza Gonzalez por um duplo 6/2.

Entre os meninos, Rafael Matos perdeu para o russo Karen Kachanov por 6/2 6/0,e Marcelo Zormann foi superado pelo australiano Bradley Mousley em uma partida equilibrada, com parciais de 6/1 4/6 e 6/4.

Foto: Diana Gabanyi

Soares vence nas duplas mistas e joga nas duplas nesta segunda em Roland Garros

Bruno Soares e a norte-americana Lisa Raymond venceram mais uma partida e estão nas quartas de final da chave de duplas mistas de Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada e disputado nas quadras do saibro de Paris.

Neste domingo, eles precisaram de três sets para bater os tchecos Lukas Dlouhy e Andrea Hlavackova, com parciais de 6/2 4/6 e 12/10.

Seus adversários na próxima rodada ainda não estão definidos, mas podem ser Marcelo Melo e a norte-americana Liezel Huber, caso estes consigam a vitória na próxima partida.

Nesta segunda-feira, ele e o austríaco Alexander Peya , cabeças de chave nº 7, buscam uma vaga nas oitavas de final da chave de duplas.

Seus adversários serão o búlgaro Grigor Dimitrov e o dinamarquês Frederik Nielsen, que venceram na primeira rodada o francês Jeremy Chardy e o polonês Lukasz Kubot.

Sá e Lopez também jogam.

Já pela fase de oitavas de final, André Sá e o espanhol Feliciano Lopez entram em quadra nesta segunda. Eles enfrentam os espanhóis David Marrero e Fernando Verdasco, cabeças de chave nº 8.

Foto: Cynthia Lum